O Brasil requer simplesmente liberdade

Vivemos um mundo diferente, com pessoas extremamente deprimidas por causa da pandemia que assola os cinco continentes, com milhares de mortes e sofrimentos terríveis para familiares que perderam seus entes queridos.

Governos sérios têm enfrentando, ou pelo menos demonstram enfrentamento, e adotam políticas públicas para combater essa chaga. Outros governos, verdadeiros desgovernos, se encontram totalmente perdidos, não respeitam à ciência, não dão o bom, e necessário exemplo, de seguir os ditames e orientações da Organização Mundial da Saúde e teimam em não cumprir as medidas de sanitárias, com o uso de máscaras e o imprescindível distanciamento.

Pelo contrário, esses desgovernos incitam o povo a não fazer uso das máscaras e dão o péssimo exemplo de, por vezes, provocar aglomerações. Esses desgovernos não fizeram qualquer tipo de planejamento para a compra de insumos e muito menos das vacinas, sejam elas fabricadas nos Estados Unidos, na Índia, na China ou no Reino Unido, ou em qualquer outro país. Esses desgovernos cometem crime, dia após dia, contra seus povos e seus países.

Não são muitos os que estão na contramão do mundo, das boas políticas, mas é absolutamente lamentável vivermos em um país no qual o presidente da República não assume o seu papel de líder e chefe de Estado e não procura exercer o seu cargo em benefício da própria população.

E assim o Brasil caminha, em um verdadeiro desgoverno, sem administração, sem norte e horizonte. O presidente Bolsonaro, em que pese todas as suas promessas de campanha, aliás, não cumpridas, ainda tem a ousadia de declarar, como o fez esta semana, que o “Brasil está quebrado” e que, por isso, ele não consegue “fazer nada”. E, sem meias palavras, o seu estilo é sempre grosseiro e truculento, para não dizer mal educado, ainda disse que o coronavírus foi “potencializado” pela mídia.

O Brasil já tem cerca de 200 mil mortes pela Covid-19, segundo o consórcio de imprensa. E, em vez de o presidente da República se alinhar às práticas dos estadistas do mundo, que estão em Israel, na Alemanha, na Nova Zelândia, no Japão, no Reino Unido, na França e na Escandinávia, ele, mesquinho, prefere repetir que como o país está quebrado, “eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos aí, essa mídia sem caráter…”

Ora, a culpa da sua péssima administração não é dos jornalistas, segundo prefere apontar, para tentar ludibriar os incautos. Não, a culpa pelo Brasil continuar sem políticas públicas nas áreas da saúde, da educação, do meio ambiente, da economia, da segurança pública e da política internacional, para citar apenas essas, não é dos profissionais da imprensa, que cumprem com o seu dever de noticiar e expor as mazelas desse desgoverno, mas exclusivamente de um presidente da República sem condições de governar um país, sem condições de ser até mesmo síndico de um prédio, e de poucos apartamentos.

A culpa é de um presidente que, isolado em seus devaneios, se esquiva de conviver em um ambiente democrático e ataca o regime que é voltado para o povo, pelo povo. A culpa é de um presidente sem visão do hoje e, obviamente, sem visão do amanhã, do futuro. A culpa é de um presidente verdadeiramente tosco.

Enquanto isso, o tempo vai passando e o Brasil vai se enterrando cada vez mais em um verdadeiro atoleiro, com 14 milhões de desempregados, sem perspectiva de melhora ou de mudança. Tempos sombrios. Tempos tristes. Tempos dramáticos.

E, mesmo diante desse caos no qual o Brasil naufraga, o presidente prefere fazer politicagem perversa para tentar eleger seu candidato Artur Lira presidente da Câmara dos Deputados. Os partidos de esquerda se uniram ao emedebista Baleia Rossi e, juntos, marcham para encontrar uma saída política mais honrosa para o Brasil desgovernado.

É lamentável, todavia, que o atual presidente da Câmara Federal, o carioca Rodrigo Maia, apesar de ter recebido tantos pedidos de impeachment para afastar o presidente Bolsonaro, não tenha tido a coragem de seguir com os trâmites necessários e não deu sequência a nenhum desses pedidos.

O presidente Bolsonaro costuma dizer recorrentemente que sofre críticas porque o Brasil ainda não começou a vacinar a população contra a Covid-19. Críticas, convenhamos, reais, diante de tanto descaso e de tanta irresponsabilidade. “O pessoal fica me criticando, dizendo que os países todos estão vacinando, o que não é verdade. Mais ou menos 25% dos países estão vacinando”. E o Brasil sequer tem seringas e insumos e nem vacina…

Em seu primitivo discurso, o presidente repete asneiras: “Quer ver, 10 mil vacinas para um país não é nada. Não interessa, seja Paraguai, com população pequena, ou Alemanha, população média, ou até mesmo o Brasil. Agora nisso vem a pressão, pressão porque vende. Agora criaram pânico perante a população.”

No encontro com o ministro-general Eduardo Pazuello, mais perdido do que cego em tiroteio, no Ministério da Saúde, na última terça-feira, o presidente recebeu uma atualização sobre o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, incluindo informações sobre aquisição de seringas, agulhas e vacinas. O Ministério da Saúde disse, em nota, que Bolsonaro foi informado por Pazuello e pela equipe da pasta sobre a importação de 2 milhões de doses de vacina da AstraZeneca da Índia. O que é mais importante e emergencial não foi anunciado. Não foi apresentada uma data para o início da vacinação contra a covid-19, no Brasil. Desgoverno!

E como seu discurso é sempre raso e ridículo, ao voltar ao Planalto, Bolsonaro novamente minimizou o início da vacinação em outros países. Segundo ele, as outras nações estão vacinando, mas “não estão vacinando seu povo como um todo”. Ora, ora…

Até a noite da última terça-feira, pelo menos 14,56 milhões de doses contra o coronavírus Sars-CoV-2 já haviam sido aplicadas em todo o mundo. Israel já vacinou quase toda a sua população.

O Brasil precisa de vacina. O Brasil precisa de seringas, agulhas e insumos. Os brasileiros precisam viver em um país próspero e bem governado, com Ordem e Progresso. O Brasil e os brasileiros conclamam governabilidade, decência e honradez no Palácio do Planalto. O Brasil precisa resgatar a sua cidadania e sua esperança de viver com dignidade e atenção dos Poderes da República. O Brasil precisa sair do atoleiro em que foi alçado, por grupos de malfeitores. O Brasil requer simplesmente liberdade.

 

Paulo Alonso é jornalista.

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