O brasileiro pensa

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– De cada 100 brasileiros, 22 ouviram falar da Rio+20. Destes, 19 entenderam que a conferência tratará de assuntos relacionados aos recursos naturais do Planeta, o que é apenas uma das dimensões da Rio+20. O desenvolvimento sustentável, um dos eixos temáticos do evento, é um conceito do qual já ouviram falar 47, entre 100 brasileiros. Entendem corretamente que se trata de “cuidar do meio ambiente, das pessoas e da economia do país ao mesmo tempo” 12 entre os 100, mas 32 entendem que se trata de “garantir que recursos naturais não sejam destruídos pelos seres humanos”, enfatizando-se novamente apenas o aspecto ambiental.

– Estes são resultados da pesquisa “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável” (www.mma.gov.br), empreendida no âmbito do Plano de Ação em Produção e Consumo Sustentável, sob a coordenação de Samyra Crespo (MMA), Patrícia Mendonça (MMA), Roseli Maia (CP2) e Gustavo Santos (CP2). Foi realizada pela empresa CP2, após licitação realizada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por solicitação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), junto a 2.201 brasileiros maiores de 16 anos, entrevistados nas cinco regiões geográficas do país, na segunda quinzena de abril de 2012. Colaboraram Pepsico, Walmart e Unilever.

– O “Meio Ambiente” figura como o sexto maior problema do Brasil, antecedido, pela ordem, por “Saúde / Hospitais”, “Violência / Criminalidade”, “Desemprego”, “Educação” e “Políticos”. Na primeira destas pesquisas, realizada em 1992, o tema meio ambiente não era citado entre os dez maiores problemas. O percentual de pessoas que disseram não haver problema ambiental no Brasil ou que não souberam opinar caiu de 47% para 11%, entre 1992 e 2012.

– O principal problema ambiental do mundo e do Brasil, entre três escolhas possíveis feitas pelos entrevistados, o “Desmatamento de florestas”, foi apontado em 63,5% das escolhas. Este problema é seguido por “Poluição de rios, lagos e outras fontes de água” (em 47% das escolhas), “Poluição do ar” (em 37%), “Aumento do volume de lixo”(35%), “Camada de ozônio” (29%), “Desperdício de água e energia nas cidades” (21%), “Poluição de mares” (19%) e “Mudança do clima” (10%). Com menos de 10% das escolhas, seguem “Extinção de espécies de animais e plantas”, “Consumo exagerado de sacolas plásticas”, “Poluição produzida por pesticidas e fertilizantes”, “Chuva ácida”, “Desaparecimento de populações tradicionais” e “Desertificação”.

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– Um dos aspectos mais curiosos, entre os abordados na pesquisa, refere-se aos responsáveis por solucionar os problemas do meio ambiente. Entre três alternativas que podiam ser escolhidas pelos entrevistados, “Governo estadual” aparece em primeiro lugar, apontado em 61% escolhas. Em 1992, o percentual de escolhas da opção “Governo estadual” era de 33%, a terceira em número de indicações. Com 51%, a opção mais indicada era “Governo federal”.

– Combinada com outras respostas, conclui-se que há uma alta insatisfação dos brasileiros com aquele que é apontado como principal responsável pela solução dos problemas ambientais. Perguntados sobre a “Avaliação da atuação de órgãos, grupos e entidades na defesa do meio ambiente”, a opção “Governo estadual” mereceu os conceitos “Boa”/”Muito Boa” de apenas 16% dos brasileiros. Ficou atrás de “Entidades ecológicas” (para 41% dos entrevistados), “Cientistas” (35%), “Meios de comunicação” (35%), “Organizações internacionais” (21%), “Governo federal” (20%) e “Comunidade/associação de moradores” (19%). Abaixo de “Governo estadual”, estão apenas “Prefeitura” (14%) e “Empresários” (10%).

– Confirma a insatisfação dos brasileiros com os governos estaduais na solução dos problemas ambientais, o resultado das entrevistas na “Avaliação da atuação de órgãos, grupos e entidades na defesa do meio ambiente”, quando observados os conceitos desfavoráveis. A opção “Governo estadual” recebeu o conceito “Ruim/Muito Ruim” de 44% dos entrevistados.

– Neste conceito, os “Empresários” são avaliados como “Ruim/Muito Ruim” para 55% dos brasileiros, seguidos das “Prefeituras” para (49%) e “Comunidade/ associação de moradores” (48%). Depois aparecem “Governo federal” (para 37% dos entrevistados), “Organizações internacionais” (26% dos entrevistados), “Meios de comunicação” (24%), “Cientistas” (19%) e “Entidades ecológicas” (16%).

– Parece que os governos estaduais acreditaram demasiadamente na crença de que “o saneamento não é valorizado pelo eleitor, por que fica embaixo da terra”. Cidadãos, consumidores e eleitores fazem as suas escolhas, apesar de tudo quanto é gasto em comunicação e publicidade verdes.

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