O Partido Republicano dos Estados Unidos, na convenção que acaba de realizar em Filadélfia, consagrou o nome de George Busch, atual governador do Estado do Texas e filho do ex-presidente Bush, para concorrer à próxima eleição presidencial.
As pesquisas eleitorais realizadas no país vem indicando a vitória do candidato republicano. Somente uma surpresa levará ao poder o candidato do Partido Democrático, o atual vice-presidente Al Gore, o preferido do presidente Bill Clinton.
Há muitos prognósticos sobre como será o governo do republicano Bush. A linha da política externa de Bush, se eleito, está preocupando tanto os aliados, como os antigos adversários dos Estados Unidos, como a Rússia e a China.
Os analistas dos governos de Moscou e Pequim procuram interpretar as tendências armamentistas e as preocupações com a política de defesa reveladas durante a convenção de Filadélfia, que elegeu o candidato Bush.
Os convencionais, que ao aprovarem o nome do candidato do partido apresentam-lhe uma plataforma de governo, especificaram os seguintes pontos: que na escolha do nome de Disck Cheeney para vice-presidente prevaleceu o fato da experiência que adquiriu como Ministro da Defesa; que o programa do sistema do escudo anti-míssil será mantido e aperfeiçoado; que o governo terá como assessores especiais os dois militares de maior experiência bélica no país, os generais Collin Power e Norman Schwarzkopf, hoje reformados, respetivamente chefe do Pentágono e Comandante das Forças durante a guerra da Península Arábica.
A tendência tradicional do Partido Republicano é o isolacionismo. Conforme a época e as circunstancias esta tendência reaparece com novo colorido. Esta preocupação com o fortalecimento militar e o moderno programa armamentista, agora revelados, parece conter a idéia “quanto mais fortes, militarmente, mais podemos nos isolar”. Trata-se de um retorno do velho provérbio romano “se vis pacem para bellum”.
Esta esdrúxula e contraditória fórmula isolacionista está contida no seguinte trecho do documento redigido pela convenção que aprovou a candidatura de Bush: “Voltaremos a uma política exterior de força e a um renovado compromisso com nosso aliados. Desenvolveremos um sistema anti-mísseis e as armas estratégicas necessárias condizentes com a nova tecnologia.”
Os aliados europeus e principalmente a OTAN preocupam-se com a palavra “renovado compromisso” e os antigos adversários, Rússia e China, desconfiam muito da extensão das intenções armamentistas do escudo anti-míssil.
Carlos de Meira Mattos
General Reformado do Exército e Conselheiro da ESG.















