O confinamento não é uma escolha

Por Bayard Do Coutto Boiteux.

Opinião / 17:02 - 7 de abr de 2020

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O confinamento não é uma escolha. É ao mesmo tempo uma possibilidade e um ato de sobrevivência, para os grupos mais vulneráveis e os que têm tal possibilidade. É um período que temos para refletir muito e que deve ensejar mudanças drásticas em todos os nossos relacionamentos afetivos, laborais e sociais.

Vamos aprendendo a respeitar todas as atividades que são desenvolvidas e a importância que cada uma tem. Valorizamos a arte, a educação, a diversidade e procuramos nos reaproximar daqueles com quem deixamos de nos relacionar por problemas que só hoje vemos nunca deveriam ter nos separados. Estamos conversando muito mais com as outras pessoas e vendo que momentos de uma simplicidade única passaram a nos emocionar.

 

Apenas algumas reflexões, feliz com

o espírito de solidariedade que nasceu

 

Será que nos reinventamos? Acho que estamos aprendendo a sermos seres humanos que se preocupam com os outros e que da nossa forma estamos ajudando, sem alardes, mas com compaixão.

Os que vivem exclusivamente do Turismo sabem que devem se nortear assim como seus passageiros do Código de Ética Mundial do Turismo, que nos mostra caminhos de respeito, valorização das culturas e das minorias, sustentabilidade, e a humanidade deve sentir o quanto ficar preso afeta a cadeia produtiva do Turismo.

Tal atividade é justamente buscar integração entre povos, dar ênfase a hábitos diferentes e também entender a necessidade de todos que ficam nos bastidores que cuidam de nossos sonhos, quando das viagens.

A maior parte dos empresários de turismo de nosso país e do mundo é de pequenos empresários. Sobrevivem no dia a dia de suas atividades, sendo que alguns conseguem ser ouvidos por terem, por exemplo associações de classe mais fortes que levam seus pleitos com mais eficácia.

Há outros que são free lancer, sem carteira assinada e que vivem da prestação de serviço por empreitada e solicitação, como os guias de turismo, que cuidam da materialização de nossos passeios com seus conhecimentos e nos mostram várias facetas dos produtos turísticos utilizando educação e entretenimento.

Neste momento estão mais vulneráveis ainda e precisam que o projeto de renda mínima possa atenuar suas dificuldades. As linhas de crédito liberadas pelo governo para o setor merecem também ser mais desburocratizadas para atender um segmento efetivo.

O momento é de muita cautela com nossa saúde mental também: leitura, música, filmes e escrever para os que gostam. É um período de aproveitar para nos dedicarmos a vários treinamentos online gratuitos, reavaliarmos nossas técnicas de gestão, gerenciamento e saber que ouvir nossos colaboradores é vital para o sucesso dos negócios muito mais do que apenas delegar.

Empresas são constituídas de seres humanos, com tempos diferentes, mas com habilidades riquíssimas não aproveitadas por uma competitividade que precisa ser reavaliada. Tudo era para ontem, tudo tinha que ser resolvido na hora, era tudo feito sobre pressão.

Tenho Fé que estamos aprendendo que tudo caminha com respeito mútuo e com valorização do tempo e do grupo que é um conjunto rico de capacidades. O coronavírus está nos ensinando a ser mais solidários e mais atentos para as desigualdades sociais.

Está nascendo uma geração de lutadores diários pela sobrevivência da humanidade, fora o conjunto de heróis como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, garis, policiais, bombeiros, caminhoneiros, jornalistas, porteiros, motoristas, professores, pesquisadores, funcionários de mercados e de delivery.

As vendas online estão permitindo sobrevivência momentânea de restaurantes e outras atividades como consultas médicas, aulas de personals, compra de ingressos solidários para sobrevivência de atrativos culturais e naturais entre outras atividades e estão buscando incluir quase sempre venda com ajuda.

São apenas algumas reflexões, mas o que me deixa mais feliz é o espírito de solidariedade que nasceu. Que as autoridades invistam com rapidez nas soluções para a sobrevivência dos mais desfavorecidos e que a ciência continue buscando soluções para reduzir os impactos devastadores. Que sejamos iluminados pela ciência, pela fé, pelo altruísmo, pela generosidade e pelos ideais democráticos.

Bayard Do Coutto Boiteux

Professor, escritor, membro do Instituto Preservale e da Associação dos Embaixadores de Turismo do Rio de Janeiro.

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