O custo de waiver e ‘licença para gastar’ visando eleições

Dólar beirando R$ 7 e Selic na direção de dois dígitos.

O persistente descontrole financeiro e monetário no país está provocando brutal retrocesso na economia. Tal cenário aumentou a tensão, nesta quinta-feira, entre os investidores, agravada com um waiver (perdão) e “licença para gastar” temporária pedidas pelo ministro Paulo Guedes para permitir gastos de R$ 30 bilhões ou mais fora do teto de gastos, para financiar o Auxílio Brasil, programa eleitoral defendido por Jair Bolsonaro para substituir o Bolsa Família.

O dólar norte-americano caminhou a passos largos para próximo de R$ 7,00 e a bolsa de valores (B3) recuou a níveis de novembro do ano passado. Reflexo desse cenário tão adverso foi o custo do dinheiro medido pela taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022, que subiu de 7,66% no ajuste anterior para 7,91% e a do DI para janeiro de 2023 que saltou de 9,91% para 10,425%. Em vencimentos mais longos, o juro do DI para janeiro de 2025 disparava de 10,90% para 11,43% e o do DI para janeiro de 2027 se impulsionava de 11,27% para 11,78%.

Além prever uma inflação com taxa de dois dígitos, o mercado já comenta que a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 6,25% ao ano, também chegue aos dígitos no começo de 2022.

Consequência na elite econômica: pedidos de demissão dos cargos de secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal; do secretário do Tesouro Nacional, Jefferson Bittencourt; da secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas; e do secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo.

A debandada acontece num contexto de fragilização de Guedes, em que o ministro foi flagrado na lista dos Pandora Papers como proprietário de uma conta secreta em paraíso fiscal e está prestes a ser chamado para depor na Câmara, onde sua convocação já foi aprovada.

Para João Beck, economista e sócio da BRA, Assessoria de investimentos credenciada à XP, “a bomba vai cair no colo do Banco Central que precisará subir ainda mais os juros para remunerar e segurar o capital dentro do país”.

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