O desastre da Trumponomics

Cortar impostos dos grandes não estimula investimentos. Só cria uma dívida que terá que ser paga em algum momento.

Dados recentes sobre a economia norte-americana parecem contrariar as previsões de que as decisões do presidente Donald Trump prejudicariam o país. A taxa de desemprego caiu para uma faixa quase de pleno emprego, a inflação está em uma faixa confortável, o PIB cresce em ritmo forte e as bolsas dispararam.

Mas um artigo de Robert Reich, ex-secretário (ministro) do Trabalho de Clinton, publicado no jornal britânico The Guardian, permite uma análise diferente sobre a Trumponomics. O corte de impostos que beneficiou as grandes corporações e os mais ricos se esgotou em seis meses. Os investimentos subiram 10% (taxa anualizada) no primeiro semestre de 2018, mas no terceiro trimestre o ritmo de alta caiu para 2,5%.

Quando Trump reduziu as taxas sobre as corporações, ele prometeu a todos os outros um aumento de salário de US$ 4 mil. Isso nunca aconteceu. Em vez disso, os benefícios do corte de impostos corporativos gigantescos foram em grande parte para os bolsos de altos executivos e grandes investidores”, ataca Reich, professor da Universidade da Califórnia – Berkeley e autor do livro Saving Capitalism: For the Many, Not the Few.

O salário mínimo permanece em US$ 7,25 a hora, e os republicanos se negam a elevá-lo. O valor é mais de 25% abaixo de meio século atrás. O Economic Policy Institute estima que elevar o mínimo para US$ 15 a hora aumentaria direta ou indiretamente os salários de 41,5 milhões de pessoas. Isso é quase 30% da força de trabalho assalariada, e geraria US$ 144 bilhões em renda adicional para as famílias que mais precisam, incluindo 23,1 milhões de mulheres e 4,5 milhões de pais solteiros.

Cerca de 4 milhões de pessoas perderam a cobertura de seguro de saúde, de acordo com o Commonwealth Fund. Isso prejudica sua capacidade de comprar qualquer outra coisa, analisa o ex-secretário. Os prometidos investimentos de US$ 1 trilhão para recuperar a carcomida infraestrutura dos EUA ficaram só na promessa.

Cortar impostos de grandes corporações e dos ricos não estimula o investimento. Só cria uma dívida nacional maior que tem que ser paga de alguma forma, em algum momento. E quem terá que pagá-la?”, pergunta Reich. “Você adivinhou: o norte-americano médio.”

 

Patrimônio

Nas eleições de 2014, Flávio Bolsonaro declarou bens no valor de R$ 714.394,69; quatro anos depois, o patrimônio cresceu R$ 1 milhão, para R$ 1,7 milhão.

Os bens do pai Jair Bolsonaro tiveram alta mais modesta: de R$ 2.074.692,43 para R$ 2.286.779,48.

 

Resistência

Segundo o levantamento feito pelo Portal Solar, os atrasos na homologação de sistemas de geração de energia solar em residências, comércios e indústrias já geraram prejuízos de R$ 200 milhões aos consumidores. Há distribuidoras que demoram até quatro meses para homologar cada instalação de sistema fotovoltaico, período que deveria durar, no máximo, uma semana. Este atraso acarreta cobranças e impede que o consumidor possa utilizar os créditos de energia junto às concessionárias de energia.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) criou uma ouvidoria online para que as empresas do setor possam relatar os problemas encontrados com as concessionárias durante todo o processo de conexão dos clientes à rede local de distribuição de energia. O endereço do novo serviço da entidade é www.absolar.org.br/ouvidoria

 

Milagre econômico

Enquanto o Brasil sofria com a crise, Flávio Bolsonaro e seu assessor Fabrício Queiroz não tinham do que se queixar. O deputado estadual, senador eleito, fez fortuna com imóveis, apesar do mercado quase estagnado. Queiroz movimentou R$ 7 milhões com automóveis.

 

Rápidas

O IAG – Escola de Negócios da PUC-Rio realiza nesta quinta-feira, às 19h, a palestra “Negociações Construtivas: Técnicas de Negociação na Empresa Familiar”. Inscrições em: https://siga.iag.puc-rio.br/evento/inscricao/create?evento_id=240 *** A agência Binder anunciou a contratação do publicitário José Land Neto para comandar a nova área de desenvolvimento *** Quem quer perder a “barriguinha” pode fazer uso da farinha de coco. Segundo a médica Tamara Mazaracki, especialista em nutrologia e membro da Associação Brasileira de Nutrologia, o produto contribui para desinchar o abdômen e deixar o intestino funcionando como um relógio *** No dia 25, a Associação dos Advogados de São Paulo (www.aasp.org.br) será palco do festival Cidade do Futuro, evento que faz parte das celebrações do aniversário da cidade.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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