O desenvolvimento científico do Paquistão

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Na época atual há vários países que integram o que se convencionou chamar de “países do Terceiro Mundo” ou, mais recentemente, de “Mundo em Desenvolvimento”. Estes países estão conscientes da impossibilidade de estabelecerem bases duradouras para um desenvolvimento econômico e social sustentável sem investimentos significativos em Educação, em Ciência e em Tecnologia.
Exemplos marcantes de sucesso nessas áreas têm sido a Coréia do Sul, a Irlanda, Cingapura e, mais recentemente, a China. É claro que alguns desses países já contam com uma excelente base científica e tecnológica, sobretudo voltada para o setor industrial, ou mesmo para setores estratégicos, como a área nuclear.
Mais recentemente, já se percebe algumas iniciativas por parte do Paquistão no sentido de integrar a lista de países que vêm aumentando gradualmente os investimentos em C&T. Apesar dos conflitos políticos, que neste momento atingem um ponto crítico com o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e da proliferação de atentados com homens-bomba, a comunidade científica se mantém ativa.
As informações mais atualizadas foram apresentadas em sessão especial realizada no último encontro da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento, que tive o prazer de participar em Trieste, na Itália, em novembro de 2007.
Logo de início, cabe lembrar que a referida academia é fruto do trabalho obstinado do eminente físico paquistanês Abdus Salam, Prêmio Nobel de Física em 1979.
O Paquistão conta hoje com uma população de cerca de 85 milhões de habitantes, dos quais 54% têm menos de 19 anos. Sua produção científica vem crescendo de forma acelerada. É importante lembrar que o Paquistão é um dos países que conta com um arsenal atômico.
Em 1981 e em 2001 o Paquistão foi responsável por 181 e 460 artigos publicados em revistas científicas indexadas, respectivamente. Este número foi ampliado para 1.405 em 2006, segundo dados obtidos do DeLuxe Fields NSI-ISI.
A título de comparação, o Brasil publicou, no ano de 1991, 1.884 artigos, passando para 16.872 em 2006. Logo, ambos os países ampliaram sua participação na Ciência neste período em cerca de nove vezes, o que corresponde a uma elevada taxa de crescimento.
Mais recentemente, um grande investimento vem sendo feito no Paquistão nas áreas da educação superior e da pesquisa científica com um aumento de verbas, nos últimos cinco anos, de 2.200%.
Entre as iniciativas se destacam: (a) um programa de atração para o país de quinhentos cientistas que exerciam suas atividades no exterior; (b) envio de 2 mil novos pesquisadores para o exterior; (c) estabelecimento de um salário competitivo para pesquisadores, da ordem de cinco mil dólares mensais, aliado a uma criativa redução em 75% do imposto de renda pago; e (d) criação de um portal, seguindo os passos do que foi feito pela Capes no Brasil, de livre acesso para todas as universidades públicas, cobrindo o conteúdo de 220 editoras, o que compreende 23 mil revistas e 40 mil livros.
A análise dos dados disponíveis indica uma prioridade para a área de química, onde o Paquistão foi responsável, no período de 2002 a 2006, por 0,7% da produção mundial. Nesta importante área o Brasil contribuiu com 1,15%. Outras áreas de destaque incluem a química agrícola, a biotecnologia e a química inorgânica e nuclear.
A julgar pelo entusiasmo dos pesquisadores paquistaneses e pelos programas em implantação pelos gestores de Educação, Ciência e Tecnologia, deveremos assistir a um crescimento ainda maior da atividade científica paquistanesa. Esperemos que o radicalismo político e o fanatismo religioso não impeçam a concretização do sonhos dos colegas paquistaneses.

Wanderley de Souza
Ex-secretário executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, ex-secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, é diretor de Programas do Inmetro.

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