O destino da Otan

Opinião / 13:16 - 27 de set de 2002

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar criada em 1949 entre os países da Europa Ocidental e os Estados Unidos e Canadá, destinada a conter as ameaças de Moscou, deixou de ter razão de existir, após o fim da Guerra Fria e a dissolução de sua rival bélica, o Pacto de Varsóvia. Interesses vários, entretanto, vêm mantendo viva esta aliança militar criada contra um provável inimigo que deixou de existir há mais de dez anos. Ao lado da preocupação em não extinguir uma estrutura militar poderosa que poderá vir a ser empregada para outros fins diferentes daqueles que justificaram a sua criação face a turbulência do mundo de após o fim da Guerra Fria, há também a influência política da indústria bélica norte-americana e européia em preservar um precioso cliente. Agora, na reunião dos Ministros da Defesa dos países da Otan, realizada em Varsóvia, revelaram-se as várias tendências visando a dar nova missão a esta aliança e assim justificar a sua existência. A proposta do representante norte-americano foi o de transformar a Otan numa força de ação rápida capaz de enfrentar situações perigosas e ameaças terroristas. A ministra de Defesa da França, Michelle Allot-Marie, opõe-se à proposta norte-americana, discordando do emprego da aliança fora da área geográfica para a qual foi criada. O representante inglês repetiu uma antiga proposta do primeiro-ministro Tony Blair de transformar a Otan no "braço armado da ONU". Vários ministros europeus levantaram a tese de "por que a Otan se a União Européia já aprovou e está criando uma Força de Ação Rápida de 60 mil homens?" Todas essas propostas vão ser estudadas para uma decisão na próxima reunião da Cúpula dos Chefes de Estado da Otan prevista para se realizar em Praga em novembro próximo. Na realidade, a questão da manutenção ou nova destinação da Otan envolve duas posições políticas contraditórias que os interessados evitam apresentá-las claramente: uma, o interesse dos Estados Unidos e Inglaterra em poderem vir a usar livremente as forças da aliança na contenção de conflitos por eles considerados perigosos à manutenção da paz e no combate ao terrorismo; outra, da maioria dos países europeus, de a substituírem por uma força sob a égide da União Européia. A submissão ao Conselho de Segurança da ONU para o emprego da força, compromisso de todos os signatários do Tratado das Nações Unidas, só é lembrado quando convém. Carlos de Meira Mattos General reformado do Exército e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG).

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