O dia da Saúde na COP30

Saiba como o COP30 está integrando saúde e clima com o lançamento do Plano de Saúde de Belém para a adaptação às mudanças

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Fachada da COP30
Belém (PA), 07/11/2025 - Pavilhões da COP30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Plano de Saúde de Belém para adaptação à mudança do clima foi lançado nesta sexta-feira trazendo o tema da saúde para a governança da COP30. A ideia começou com o Plano Clima do Brasil de 2023 uma vez que o clima já vem impactando a área da saúde e planos de ação de adaptação estão sendo construídos no Brasil ao longo dos anos e servindo de exemplo a outros países. O Plano soma esforços à comunidade internacional, inclusive da Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde, na área para adaptação e resiliência na proteção da saúde.

Relatório do IPCC aponta para o aumento de mortalidade humana devido a calor extremo, aumento de doenças infecciosas, maiores riscos respiratórios e cardiovasculares, bem como um aumento localizado de casos de saúde mental devido ao aumento de temperatura, ao trauma decorrente de eventos extremos e à perda do seu sustento, modo de viver e cultura. Por essa razão, também vem ganhando espaço na COP30 a garantia de monitoramento das áreas mais afetadas pelo calor extremo.

A crise climática também afeta a segurança alimentar quanto à sua disponibilidade, seu acesso, sua utilização e a sua estabilidade. Segundo estudo publicado na revista Nature150, por exemplo, a inflação relacionada ao calor (“heatflation”) pode aumentar os preços dos alimentos em até 3% por ano até 2035. Segundo a análise, para cada 1°C de aumento nas temperaturas de determinado mês, a inflação no preço dos alimentos aumenta cerca de 0,2% ao longo do ano seguinte, sem considerar os efeitos cumulativos de guerras e recessões globais.

Além disso, os eventos extremos destroem as cidades e estruturas urbanas, prejudicando o acesso a serviços essenciais como transporte, saneamento, escolas, hospitais e redes de energia.

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Cerca de 3,3 a 3,6 bilhões de pessoas estão altamente vulneráveis aos eventos climáticos e os hospitais enfrentam risco 40% maior em suas estruturas. A crise climática está afetando todo o planeta, degradando ecossistemas e oferecendo riscos para todas as espécies. As consequências da alteração da temperatura global já são sentidas por todos, mas em medidas e intensidade diferentes. As temperaturas e eventos extremos, como secas, ondas de calor e enchentes atingem desigualmente as pessoas, sujeitando os mais vulneráveis a condições extremamente indignas.

A diferença entre 1.5 °C e 2°C na temperatura pode impactar as pessoas especialmente crianças, recém-nascidos e idosos, fazendo-se urgente a união entre estados, municípios e atores globais para adaptar as pessoas à realidade do clima a fim de que possam enfrentar as mudanças climáticas de forma mais eficiente.

O Plano de Saúde de Belém foi construído coletivamente por empresas pesquisadores e sociedade civil e é importante não apenas para o setor climático mas também para o setor de saúde. Vivemos a década mais quente registrada, colocando os sistemas de saúde em pressão constante. Precisamos transformar o discurso político em ação conjunta, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Nas palavras do presidente da COP30, André Corrêa do Lago “(…) a era dos alertas acabou e vivemos agora a era das consequências”, ressaltando a importância de políticas públicas para adaptação. Hoje a adaptação deve ser tratada com a mesma seriedade que a mitigação.

O ADAPTASUS, assim denominado o plano de adaptação na saúde no Brasil, tem 27 metas a serem implementadas até 2035 inspirados pelo roteiro do Plano de Saúde de Belém, que tem por objetivo fortalecer a resiliência do setor de saúde à mudança do clima. Para tanto, serão necessárias ações como o fortalecimento da adaptação e resiliência, a promoção de equidade na saúde associado ao conceito de justiça climática levando em conta os diferentes contextos dos locais e de seus habitantes e aceleração da capacitação de adaptação dos sistemas de saúde. A governança com a participação da sociedade civil também será essencial pois as pessoas são afetadas de forma distinta de acordo com as realidades locais.

O impacto das mudanças climáticas no setor de saúde exige urgente adaptação. O Plano de Saúde de Belém promete um mutirão global pela saúde ao longo do ano de 2026 com esforços conjuntos pela qualidade de vida e é lançado em momento em que sediamos a COP30, denominada pelo presidente Lula como a “COP da verdade e da implementação.

A resposta à crise climática está no esforço coletivo de todos, discursou o ministro Padilha. Todos os setores da economia, da sociedade e níveis de governo são chamados a participarem da concretização dos acordos climáticos também na área da saúde espantando os “fantasmas do negacionismo e do unilateralismo”. “O governo brasileiro estará sempre ao lado da ciência, do multilateralismo, do diálogo e da paz” e “juntos mostraremos ao mundo que saúde e clima são indissociáveis”.

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