O diálogo China-EUA e o equilíbrio no Indo-Pacífico

Diálogo China-EUA molda o equilíbrio global no Indo-Pacífico. Encontros cruciais entre líderes para estabilidade e cooperação. Por Edoardo Pacelli

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O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Joe Biden, caminham após suas conversações na propriedade Filoli, no estado americano da Califórnia, em 15 de novembro de 2023. (Xinhua/Rao Aimin)
O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Joe Biden, caminham após suas conversações na propriedade Filoli, no estado americano da Califórnia, em 15 de novembro de 2023. (Xinhua/Rao Aimin)

Nesta quarta-feira, 15 de novembro de 2023, na propriedade Filoli, em Woodside, Califórnia, o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, abriram sua primeira reunião presencial depois de mais de um ano, com um sólido aperto de mãos à frente de negociações com implicações de longo alcance para um mundo que se debate com problemas econômicos, guerras no Oriente Médio e na Europa, tensões em Taiwan e muito mais.

Para o embaixador Wadhwa, a reabertura das comunicações militares entre os EUA e a China é um dos grandes objetivos da cúpula Xi-Biden. A Índia é um “componente fundamental, como contrapeso à China”, no Indo-Pacífico, explica o jornalista indiano Atul Aneja, em um artigo no jornal The Hindu.

“A cúpula entre Joe Biden e Xi Jinping, à margem da Cúpula da Apec, ocorre num contexto de conflitos globais e tensões diretas entre Washington e Pequim, que atrapalharam a comunicação e a cooperação entre os dois países. Haverá muito a discutir, mas os resultados e objetivos potenciais poderão trazer enormes benefícios”, explica Anil Wadhwa, antigo embaixador da Índia em Roma, diplomata que passou sua carreira imerso nas relações internacionais, cobrindo funções em várias partes do mundo, de Omã à Polônia e à Tailândia.

Wadhwa considera a cúpula de alto nível entre as duas principais potências do mundo – que não ocorria há mais de um ano – que a Índia, a terceira estrela em ascensão na multipolaridade dos assuntos globais, acompanha com extrema atenção. Para Wadhwa, um dos principais resultados deverá ser “a retomada de uma linha direta de comunicação entre os militares, de forma a gerir a concorrência, prevenir o risco de conflito e estabilizar as relações, a fim de criar anticorpos que impedirão que as relações saiam do controle no futuro.”

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“A Índia, obviamente, monitoriza cuidadosamente a reunião”, acrescenta Atul Aneja, especialista em assuntos chineses, do The Hindu, o maior jornal liberal da Índia e editor do IndianNarrative.com. “Os laços entre a Índia e os EUA têm autonomia própria, e Washington continuará a proteger a relação com a China, ao mesmo tempo em que constrói uma relação forte com a Índia, por exemplo, transferindo tecnologia de dupla utilização para apoiar a indústria militar de Nova Deli e garantir um equilíbrio estratégico na Ásia.”

Com isso em mente, Doug Beck, chefe da Unidade de Inovação de Defesa dos EUA, colaborou recentemente com seu homólogo indiano, Vivek Virmani, para o evento “Índia-EUA: Ecossistema de Aceleração de Defesa”, em Nova Delhi. A iniciativa centrou-se na alavancagem de capital privado para promover a inovação tecnológica no setor da defesa em ambos os países. O evento precedeu a participação de Beck no diálogo ministerial 2+2 entre a Índia e os Estados Unidos.

Existe uma colaboração contínua entre Washington e Nova Deli que visa fortalecer as relações de defesa, através de projetos conjuntos que abordam desafios tecnológicos comuns. Desafios tecnológicos, com prêmios de US$ 150 mil, estão sendo realizados para encontrar soluções ligadas a comunicações subaquáticas e rastreamento de derramamentos de petróleo. Além disso, foi anunciada uma série de cursos de formação chamados “Gurukul” (referindo-se a um antigo sistema educativo indiano que exigia que os alunos vivessem na mesma casa que o professor) para ajudar as empresas tecnológicas a navegar no ecossistema de defesa.

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Beck destacou a importância de aproveitar tecnologia de ponta na defesa contra potenciais adversários. Paralelamente, os Estados Unidos e a Índia planejam coproduzir veículos blindados Stryker para melhorar as capacidades militares da Índia e dissuadir a China. Para Aneja, “embora possa procurar melhorar os laços com a China, é pouco provável que os Estados Unidos diminuam o seu foco no Indo-Pacífico, do qual a Índia é um componente chave, como contrapeso à China na região”.

Edoardo Pacelli é jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália), editor da revista Italiamiga e vice-presidente do Ideus.

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