26 C
Rio de Janeiro
quarta-feira, janeiro 20, 2021

O exemplo de Dakota

A criação de bancos estatais está na pauta de pelo menos sete estados… nos Estados Unidos. Flórida, Oregon, Illinois, Califórnia, Washington, Vermont e Idaho podem seguir o exemplo do Banco de Dakota do Norte, informa o boletim eletrônico Resenha Estratégica. Único banco estadual existente no país, o foi fundado em 1919, na esteira de um generalizado descontentamento popular com os grandes grupos industriais e financeiros da época. Não por acaso, Dakota do Norte foi um dos dois únicos estados do país, junto com Montana, a não ter déficit orçamentário em 2009; foi o único estado a aumentar a oferta de empregos em 2009. Desde 2000, o PIB estadual cresceu 56%, os salários aumentaram 34% e a renda per capita, 43%.

Bater Wall Street
As propostas de criação de bancos estaduais nos EUA foram apresentadas por candidatos aos governos e assembléias legislativas às eleições de novembro próximo. O prefeito de Lansing (Michigan), Virg Bernero, pré-candidato democrata ao governo estadual, denuncia que centenas de projetos geradores de empregos estão paralisados porque não conseguem financiamento bancário. “Nós podemos romper esse aperto creditício e bater Wall Street no seu próprio jogo, mantendo o nosso dinheiro aqui em Michigan e investindo-o para reparar a nossa economia e criar empregos”, disse Bernero.
A Assembléia Legislativa do Estado de Washington também discute um projeto de lei para a criação de um banco estatal. O mote é o mesmo: colocar o sistema financeiro para financiar a produção, como nos velhos e bons tempos.

Privatização
O que diriam o tucanato, Marcello Alencar ou Mário Covas?

Vizinhos chineses
A China segue avançando na América Latina. Nesta quarta-feira, o presidente do Uruguai, José Mujica, inaugura, em San José, região metropolitana de Montevidéu, uma linha de montagem dos automóveis da Lifan, uma das maiores companhias privadas chinesas. A unidade recebeu investimentos de US$ 6,5 milhões e tem capacidade para produzir 5 mil veículos por ano numa primeira etapa. Desse total, 85% serão exportados para o Brasil, a partir de maio, e 15% serão destinados ao mercado interno uruguaio. O empreendimento tem como parceira a Ever Eletric, do mesmo grupo da Effa Motors e representante exclusivo da Lifan no Brasil.

O nosso papel
Embora pequeno, principalmente, quando considerado o montante das reservas chinesas, o empreendimento no Uruguai reafirma que, atento ao derretimento do dólar e à crescente perda de importância relativa da moeda dos Estados Unidos como reserva de valor, o gigante asiático vem dando sequência a sua estratégia de trocar parte de reservas ao redor de US$ 2,4 trilhões por investimentos estratégicos fora do país e pela ampliação do mercado interno do país. Cabe ao Brasil definir se, diante da ampla carteira de investimentos diretos externos da China, vai se dispor a parcerias estratégicas para o interesse nacional ou se contentar em ser mero fornecedor de matérias-primas e alimentos para a locomotiva chinesa.

Compra local
Quinze mil visitantes e R$ 95 milhões em contratos são esperados nos três dias do 8° Encontro de Negócios do Grande Rio, que a regional de Caxias da Firjan realizará entre 8 e 10 de junho. O lema é “O Rio compra no Rio” – e não se deve esquecer que fica na cidade da Baixada Fluminense a refinaria Reduc, da Petrobras, uma das patrocinadoras do evento, junto a multinacional alemã Bayer. O evento contará com estandes de cerca de 100 empresas.

Atraso fantasiado
Apesar do forte déficit de representatividade, os manifestantes que tentaram, em vão, adiar o leilão da Hidrelétrica de Monte Belo receberam generosa cobertura da imprensa tupiniquim e internacional. Nem um jornalista ou veículo presente a esses happenings midiáticos, no entanto, deu-se ao trabalhar de perguntar a esses ambientalistas seletivos quantos protestariam se, alcançado o objetivo de barrar o maior investimento brasileiro das últimas décadas, o Brasil se vir obrigado a aumentar a participação das poluentes termelétricas na nossa matriz energética.

Artigo anteriorQuase R$ 6 tri
Próximo artigoNão é favor
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

É hora de radicalizar

Oposição prioriza impeachment, mas sabe aonde quer chegar?.

Soja ameaça futuro do Porto do Açu

Opção por commodities sobrecarrega infraestrutura do país.

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Exportações de suco de laranja recuam 23% entre julho e dezembro

Safra menor e estoques mais elevados estão entre as principais razões para a baixa.

Os desafios para Joe Biden nos EUA

Avanço da Covid-19 pode fazer com que democrata e equipe tenham que apagar alguns incêndios no começo do mandato.

Mercados sobem em véspera do Copom

Campos Neto, presidente do BC, participa da primeira sessão da reunião do Copom.

Mercados locais sobem seguindo Bolsas mundiais

Dia amanhece com tendência de alta para o mercado interno, seguindo NY na volta do feriado.

Contra tudo temos vacina

Dia promete ser de mais recuperação da Bovespa, dólar fraco e juros em queda.