O futuro do ouro negro

Equipe econômica vende o almoço para pagar a janta – em um restaurante estrelado.

O colaborador da coluna Pedro Augusto Pinho enviou interessante texto sobre as perspectivas do setor de petróleo. Matthieu Auzanneau, jornalista francês, autor de Or noir, la grande histoire du pétrole (ouro negro, a grande história do petróleo, tradução da coluna), discute, no posfácio do livro, os rumos no limiar do pico petrolífero.

Desde 2016 a Agência Internacional de Energia (IEA) alerta para redução na produção de petróleo. Mais alarmante, o banco HSBC, em setembro daquele ano, divulgou relatório que aforma que ao menos 64% da produção mundial está em declínio; até 2040, haverá a necessidade de desenvolver mais de 40 milhões de barris por dia de novos recursos (quase metade da produção mundial, ou o equivalente a quatro Arábias Sauditas) a fim de manter os atuais níveis de produção; pequenos campos geralmente entram em declínio duas vezes mais rapidamente do que os grandes, e a produção mundial de petróleo bruto depende cada vez mais de pequenos campos.

Como Pinho alerta, devemos ler estes números com extraordinária cautela, pois interessa ao sistema financeiro criar ambiente para crises que levarão mais recursos ao cassino que ele administra. De fato, há dois lados – não necessariamente formados por jogadores diferentes – em embate. Um diz que o pico do petróleo ocorrerá nos próximos 20 anos e os preços explodirão; outro, já repetido há décadas, sustenta que a partir de 2030 – ou seja, já, já – o consumo declinará e o preço do petróleo desabará.

Ambas as teses atendem aos especuladores. No Brasil, a segunda hipótese é usada como justificativa para entregar o pré-sal, com a desculpa de que o óleo embaixo da terra – e do mar – de nada valerá daqui a alguns anos. Mas e o que acontecerá se o país exportar e depois, se a primeira tese vingar, ficar sem petróleo e ter que pagar caro pelo produto?

O fato é que, relata Auzanneau, graças ao boom do petróleo de xisto (shale oil, ou óleo de folhelho, na terminologia mais correta em português), os Estados Unidos estão em vias de ultrapassar o nível de produção de petróleo bruto atingido em 1970, há muito considerado inultrapassável. “Ninguém sabe para onde este boom nos levará. Ninguém sabe até que ponto pode ser reproduzido alhures. Uma coisa é clara: petróleo de xisto parece ser o ‘paliativo’ fatal que relança in extremis o vício de uma sociedade drogada em petróleo. Qualquer pessoa razoável consegue ver que já é tempo de desintoxicar”, prega o jornalista e blogueiro francês.

Numerosos estudos mostram que um detox global de petróleo não custaria mais que uma pequena percentagem da riqueza de cada nação. E uma cura é possível, desde que o processo mude uma boa quantidade de hábitos – hábitos de produção, hábitos de consumo e, especialmente, hábitos de pensamento”, prossegue Auzanneau.

Combatemos por petróleo e outros recursos finitos de energia quando estes eram abundantes e fáceis de encontrar. O que acontecerá quando, mais cedo ou mais tarde, estes recursos se tornarem raros? Vários estudos recentes mostram que sem o status fiscal muito favorável que desfruta, a indústria norte-americana do petróleo entraria em colapso, indubitavelmente arrastando consigo a economia e o poder dos Estados Unidos”, analisa o francês. A retirada do subsídio fiscal forçaria uma redução no uso de combustíveis fósseis maior do que qualquer acordo ambiental, defende.

Enquanto isso, a equipe econômica de Bolsonaro trama a doação do pré-sal para arrecadar bilhões para cobrir alguns meses do rombo da dívida. Vende o almoço para pagar a janta – em um restaurante estrelado. Já diziam os economistas de direita: não existe almoço grátis.

 

Quatorze à mesa

Treze dos 22 ministros do Governo Bolsonaro são maçons, assim como o vice-presidente, general Mourão.

 

Convescote

A equipe econômica corre com a proposta de Reforma da Previdência para Bolsonaro obter aval dos financistas mundiais que se reunirão no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, semana que vem.

 

Rápidas

Neste sábado, o Cinemark do Carioca Shopping terá uma sessão de cinema destinada a crianças com distúrbios sensoriais e suas famílias, a Sessão Azul, às 11h *** O psiquiatra Higor Caldato e as psicólogas Juliana Sato e Heloísa Sampaio, do time da Clínica Nutrindo Ideais, farão, no próximo dia 25, a palestra “Nutrindo Sua Mente”, sobre temas relacionados à saúde mental. Inscrições gratuitas: (21) 97695-9339 ou 2147-2472 *** A Banda Antares se apresentará no Shopping Nova Iguaçu nesta quinta, às 19h30.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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