O futuro está nas criptomoedas?

O dia de ontem foi de intensa volatilidade nos mercados externos e mudanças de sinais, e por aqui com justificativa, ainda em função do imbróglio de Petrobras e Eletrobras, mas também com muitas dúvidas dos investidores sobre interferência do governo no projeto liberal e guinada fiscal populista. Sobre Petrobras especificamente, ninguém muda um presidente de uma grande empresa sem projetar mudanças. Que mudanças serão essas? O tempo dirá!
Sobre Eletrobras, o processo está apenas começando e deve demorar muito. Já sobre a PEC Emergencial, que poderia ser votada nesta semana, convém esquecer, na visão de políticos influentes como Davi Alcolumbre.
No segmento externo, Jerome Powell, do Fed, repetiu como de hábito na Câmara o discurso de ontem no Senado, mas tanto ele como outros dirigentes regionais do Fed mostraram preocupação com o desemprego e com o fato da recuperação ainda estar longe do período pré-pandemia. Não há preocupação com a inflação disparando em prazo mais dilatado que o curto prazo, mas também é fato que as taxas de juros em alta estão incomodando os investidores. É preciso dar sequência no ambicioso pacote de estímulo fiscal para apoiar a economia.
Nos EUA, tivemos a divulgação das vendas de casas novas de janeiro com alta de 4,3%, quando o previsto era expansão de somente 0,9%. O FMI novamente voltou a falar que o desequilíbrio de retomada das economias agrava as desigualdades, sobretudo nas populações de mais baixa renda. Já o presidente do BoE (o BC inglês), declarou que o impacto do lockdown (confinamento) na economia britânica tem diminuído e que o anúncio de Boris Johnson sobre redução de restrições é consistente. Porém, alertou que o primeiro trimestre será fraco e que a atividade está bem abaixo do período pré-pandemia.
A Índia, assim como outros países (China e EUA, por exemplo) estudam a adoção de criptomoedas, mas com restrições. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque acabou firmando boa alta, mesmo com a surpresa de aumento dos estoques na semana passada nos EUA, mas com desaceleração da utilização da capacidade instalada. O óleo era negociado em nova alta de 2,51%, com o barril cotado em US$ 63,22. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,215 e notes americanos de 10 anos com nova alta para taxa de juros de 1,40%, o que não atingia faz tempo. O ouro em queda e a prata com alta na Comex e commodities agrícolas em alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao (China) registrou queda de 0,20%, com a tonelada em US$ 172,71.
No segmento doméstico, dia de muitos indicadores. O IBGE anunciou o IPCA-15 de fevereiro, uma prévia da inflação oficial, em desaceleração para +0,48%, de anterior em +0,78%, acumulando no ano, inflação de 1,26%, e em 12 meses, de 4,57%, maior que o previsto. Foi a maior inflação para o mês desde 2017, e alta em seis dos nove grupos considerados. Mas nível de difusão caiu para 62,4%. Isso não altera as previsões de elevação dos juros e mostra que mesmo mais fraco, segue ascendente.
Já o BC anunciou o déficit em conta-corrente de janeiro em US$ 7,25 bilhões e, em 12 meses, de US$ 9,4 bilhões. O volume de Investimentos Diretos no País (IDP) seguiu bem fraco como nos últimos meses de 2020 e atingiu somente US$ 1,8 bilhão. Os investimentos em ações com expansão de US$ 4,66 bilhões e dívida externa em US$ 305 bilhões. Certamente esses números vão melhorar no curso do ano, mas preocupa o IDP. Já o Tesouro divulgou que a Dívida Pública Federal (DPF) fechou janeiro em R$ 5,06 trilhões, com alta de 0,99%. Títulos prefixados caíram para 33,75% do total, parametrizados pela inflação em alta para 25,90% e pela Selic em alta para 35,30% do total. A participação dos estrangeiros ficou em 9,27% do total e vencimento em 12 meses atingem 27,1% da dívida. O Tesouro informa que a reserva de liquidez está em R$ 805 bilhões e o prazo médio da dívida em 3,61 anos.
O BC também anunciou que o fluxo cambial até o dia 19 estava em US$ 3,85 bilhões, com ingresso pelo canal financeiro de US$ 4,41 bilhões. Bancos fecharam o período vendidos em câmbio, em US$ 29,28 bilhões.
Dólar oscilando muito para fechar com -0,40% e cotado a R$ 5,42. Na Bovespa, até a sessão do dia 19, os investidores estrangeiros tinham alocado recursos no montante de R$ 4,55 bilhões, deixando o saldo positivo de 2021 com R$ 28,11 bilhões.
No mercado, a quarta foi dia de alta de 0,50% para a Bolsa de Londres, Paris com +0,31% e Frankfurt com +0,80%. Madri e Milão também com valorizações de respectivamente 0,21% e 0,69%. O Dow Jones atingiu novo recorde de pontuação e fechou com +1,35% e Nasdaq com +0,99%. Na Bovespa, dia de muita oscilação entre positivo e negativo, para fechar com +0,38% e índice em 115.667 pontos.
Ontem foi mais um dia de recuperação na Bovespa liderada pelas ações de Petrobras, com fechamento do Ibovespa com +0,38% e índice em 115.667 pontos, após ter vazado a faixa de 116.200 pontos durante a sessão. Mas houve muita volatilidade nos preços dos ativos, incluindo também o câmbio e juros. Hoje os mercados locais começam o dia tendo que pesar na balança o resultado recorde de Petrobras de R$ 59,9 bilhões (com reversão de impairment), mas ainda assim, recorde em real e dólares, e avaliando o show off do governo atravessando a Esplanada, para entregar o projeto de privatização dos Correios sacado às pressas da gaveta para cobrir o ruído de Petrobras, assim como foi feito na véspera com Eletrobras. Esses processos ainda vão demorar e devem ser alterados.
Terão que julgar também a admissão pelo Senado de que a PEC Emergencial pode ser fatiada e só sair agora o auxílio emergencial e sem expectativa de contrapartida de cortes. O Brasil nunca soube cortar custos, mas sabe bem ampliar impostos.
Porém, mercados no exterior ajudam na melhora das condições dos mercados. As Bolsas asiáticas encerraram o dia com fortes altas, Europa operando no positivo e até acelerando desde o início da manhã e futuros do mercado americano ainda com comportamento misto, mas tentando buscar melhora. Aqui, é possível seguir essa tendência e tentar buscar superar a meta acima de 118 mil pontos nos próximos pregões.
Investidores no mundo incorporam o otimismo produzido pela imunização crescente das populações e quedas no contágio e hospitalizações. Isso atua positivamente na recuperação e restrições de contato social, como deseja o governo britânico. Na Alemanha, o índice GFK de confiança do consumidor de março subiu para -12,9 pontos, de previsão de ficar em -14,5 pontos. Na Zona do Euro, o índice de sentimento econômico também subiu para 93,4 pontos, de previsão de 91,6 pontos.
Na Coreia do Sul, o Banco Central manteve a taxa de juros básica estabilizada em 0,50%. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,30%, com o barril cotado a US$ 63,41. O euro era transacionado em US$ 1,222 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,38%. O ouro tinha nova queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento de alta na Bolsa de Chicago.
Aqui, a FGV anunciou o IGP-M de fevereiro em desaceleração para +2,53% (anterior em 2,58%), deixando a inflação de 2021 com +5,17% e em 12 meses com +28,94%. A confiança do comércio subiu 0,2 ponto, para 91 pontos. O IPC da Fipe da terceira quadrissemana de fevereiro também desacelerou para 0,36%. A GM anunciou a paralisação das atividades na fábrica de Gravataí por falta de peças e as medidas de ajustes e reformas vão sendo sistematicamente retardadas, numa janela curta para mudanças.
A agenda do dia está lotada de eventos com capacidade de mexer com os mercados. Teremos a nota de política monetária e mercado aberto, e o resultado primário do governo central. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis, pedidos de auxílio-desemprego, nova avaliação do PIB do quarto trimestre e discursos de vários dirigentes do Fed ao longo do dia.
Expectativa para o início do dia é de Bovespa se mantendo em recuperação, dólar e juros mais fracos.
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Alvaro Bandeira
Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

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