"O futuro não é mais o que costumava ser."

Empresa Cidadã / 13:30 - 26 de dez de 2001

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(Yogi Berra) O ano que se encerra foi repleto de casos de empresas que se lançaram de forma desinibida na procura de caminhos para a cidadania empresarial. O assunto teve alguns destaques em 2001. - Por um mundo melhor. Assim se denominou o Rock in Rio III, mobilizando milhões de dólares entre hotelaria, patrocínios, venda de ingressos, transporte, serviços e impostos. Um bom negócio. Já no início do ano, quando ele ainda era novo, um público jovem, atuais e futuros consumidores, tomou contato com uma função empresarial que vai acompanhá-los por toda a vida, a função social dos bons negócios. - Ano Internacional do Voluntário, em 2001 também emergiu esta modalidade da função social das empresas, com iniciativas criativas, algumas das quais gestadas para servir de exemplo. Maior fabricante mundial de alumínio, produto constituído basicamente de energia, a Alcoa investiu no ano passado, mais de US 21 milhões, distribuídos por quase 2 mil projetos, através da Alcoa Foundation. No Brasil, o Instituto Alcoa serviu de exemplo para a exportação de um modelo em que a reunião de 10 colaboradores voluntários será o primeiro passo para a apresentação de projetos à Alcoa Foundation. - 2001 foi o ano do I Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, antítese do simultâneo Fórum Econômico Mundial de Davos, Suíça. Farranchos à parte, dialeticamente, ficou estabelecida a síntese de que o acesso à saúde, à educação e outros direitos sociais é mais eficaz para construir mercados do que qualquer medida de política de câmbio, taxa de juros ou controle monetário. Que o maior patrimônio a ser legado é o ambiente e que para atrair investidores, motivar colaboradores e fidelizar clientes, nada como uma empresa-cidadã. - Neste ano, entrou em vigor a Convenção 182 da OIT, que dispõe sobre as piores formas de trabalho infantil. O Brasil foi o oitavo país a subscrever a convenção e o Ministério do Trabalho relacionou 82 atividades como as mais perversas de trabalho infantil - entre elas a construção civil, as fundições, a indústria extrativa mineral, a coleta, seleção e beneficiamento de lixo, a indústria cerâmica, a fabricação de fogos de artifício e outras como as de exposição a fornos e à unidade em excesso. - Em 2001, foi realizada a Conferência Mundial da ONU contra o Racismo, em Durban, cuja sessão final contou com pouco mais da metade das delegações de países-membros. Estratégias efetivas de combate às desigualdades étnicas e de promoção dos países africanos ficaram para mais tarde. Mais contradições? É dar tempo a 2002 para avaliar melhor os impactos do 11 de setembro na vida de cada um. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ Em 2001, diversas empresas-cidadãs foram semanalmente citadas por suas realizações. A primeira parte das empresas mencionadas e os projetos que ensejaram as citações são agora relacionados: - Azaléia (pelo investimento na qualidade de vida dos seus colaboradores, em especial na escolarização, colhendo frutos em baixíssimos turnover e absenteísmo). - Acesita (pelo projeto Conheça o Oikós, de educação e preservação ambiental). Grupo Belgo Mineira/ Usina Siderúrgica de Piracicaba (pelo projeto Ver é Viver, com a Secretaria municipal de saúde e o SESI). - Grupo Belgo Mineira/ Usina Siderúrgica de Juiz de Fora (pelos diversos reconhecimentos da comunidade; pelo projeto Ação Social pela Música, com a Escola Pró-Música; pela contribuição para o plano estratégico da cidade e reestruturação da administração municipal). - Grupo Belgo-Mineira/ Fundação Belgo-Mineira (pelo projeto Ensino de Qualidade; pelo projeto Cidadãos do Amanhã; pela preservação da tradição musical, como no patrocínio da Família Alcântara). - Previ (pela edição de três balanços sociais, no modelo Betinho/Ibase). - Fundação Abrinq (pelo projeto Bola Pra Frente). - Itaú/ Programa Itaú Social (pelo projeto educacional Raízes e Asas). - Itaú/ Instituto Itaú Cultural (pelo lançamento dos CDs com registros de manifestações culturais afro-brasileiras, com a Associação Cachuera!). - Floravale (pelo projeto ambiental e educacional Broto Verde). - Fundação Vale do Rio Doce (pelos projetos Educação nos Trilhos e Escola que Vale). - Banco do Brasil/ Fundação Banco do Brasil (pelo programa de voluntariado educacional BB Educar; pelo programa Escola Campeã, este com o Instituto Ayrton Senna). - Banco do Brasil (pelo financiamento de computadores). - Companhia Paulista de Força e Luz /CPFL (pelo patrocínio de cursos profissionalizantes em Campinas, SP, com o SENAI e a Federação das Entidades Assistenciais de Campinas). Paulo Márcio de Mello Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Correio eletrônico: paulomm@alternex.com.br

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