O gasto passou na janela, e só o Ipea não viu

A gestão do PT foi acusada de aparelhar órgãos do Estado, como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É...

A gestão do PT foi acusada de aparelhar órgãos do Estado, como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É estranho que nenhum desses críticos apareça para comentar o que se passa agora, no Governo Temer. Pesquisas na linha ortodoxa e, principalmente, uma divulgação engajada. O texto que deu base para a matéria “Governo deu R$ 173 bi em subsídios a programas sem efeitos, diz estudo”, publicada pela Folha no fim de semana, vai nessa linha. A ideia é nobre – avaliar o desempenho de programas bancados por dinheiro público – mas o resultado acaba apenas dando munição para crítica ideológica aos incentivos estatais.

Segundo os pesquisadores, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), lançado em 2009, não gerou emprego e beneficiou grandes empresas que poderiam se financiar no mercado. A afirmação bate de frente com o que diz o BNDES, que contabiliza mais de 50% dos empréstimos para pequenas e médias empresas. Também fica difícil não ver resultados quando o PIB do país cresceu 7,5% – a maior alta em 24 anos – em 2010, no ano seguinte ao início do PSI, dois anos após a crise financeira mundial de 2008. Dizer que grandes empresas poderiam financiar capital de giro no mercado é ignorar os juros cobrados, o que equivaleria a um suicídio corporativo.

O exemplo mais significativo da visão ortodoxa é a crítica aos subsídios feitos para bancar os juros do programa. O Tesouro emitiu títulos com taxas mais elevadas do que as tomadas pelo BNDES aos tomadores do dinheiro no PSI. O desperdício não seria outro? Os juros excessivos pagos pelo governo? Enquanto o mundo apelava para taxas negativas, o Brasil pagava juros reais superiores a 10% ao ano. Este, sim, é um subsídio aos investidores que drenou os cofres públicos, trazendo prejuízos para a economia. Mas desta polêmica o Ipea passa longe.

 

Deu no…

No dia seguinte à publicação da matéria satanizando os incentivos públicos, a Folha publicou reportagem com o título “Portugal ousou deixar a austeridade e tem grande renascimento”. O subtítulo: “País reverteu cortes em salários e na seguridade social e ofereceu incentivos às empresas”.

A Folha apenas republicou; a matéria foi feita pelo The New York Times.

 

Intervalo

Na entrevista que o candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB–SP), concedeu ao programa Roda Viva, na TV Cultura, uma entrevistadora fez uma pergunta sobre o uso de caixa 2 eleitoral em uma campanha de ex-governador. O apresentador, Ricardo Lessa, disse que seria feito um intervalo e depois retornaria com o assunto. Ocorre que, no reinício, outro tema foi tratado.

Até 6 de abril deste ano, Alckmin comandava a TV Cultura, emissora do governo paulista.

 

Rápidas

O advogado Joao Mestieri, especialista em Direito Penal, participará do ato de lançamento da Associação Nacional de Advocacia Criminal (Anacrim), 30 de julho, no plenário da Seccional da OAB-RJ *** O empresário Carlos Machado Brito lança o livro Uma Introdução ao Desenvolvimento Urbano Contra a Favelização, nesta sexta-feira, às 19h, na Livraria Argumento do Leblon (RJ) *** Em comemoração aos 110 anos da imigração japonesa no Brasil, o Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro, a Association for Exchange and Promotion of Japanese Culture e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) promovem a apresentação do grupo Ondekoza, um dos mais tradicionais e famosos grupos de taiko (tambores). Será nesta quarta, às 18h, no campus Maracanã *** Nesta quinta-feira, na Fiesp, mesa redonda sobre os impactos da sonegação fiscal. O objetivo é debater ações do Poder Público no combate ao comportamento ilícito daqueles contribuintes que fazem do não pagamento de impostos o seu diferencial competitivo *** Nesta sexta, o grupo Show de Bola volta com sua roda de samba ao Caxias Shopping, a partir de 19h30 *** No próximo dia 8, acontece no Rio de Janeiro o seminário Turismo, Eventos em Debate, com o tema “Live Marketing: A Nova Inteligência para Marcas e Cidades”. Silvana Torres, conselheira do Comitê de Relações Humanas da Associação de Marketing Promocional (Ampro) fará a palestra “Marketing de Incentivo – Potencialização da Produção e das Marcas”. Inscrições pelo site: /www.sympla.com.br/live-marketing—a-nova-inteligencia-para-marcas-e-cidades__319429

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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