O guerreiro da natureza

No Dia da República, 15 de novembro deste ano, faleceu Frans Krajcberg, o grande lutador, artista em muitos segmentos, identificado como a...

Direito Ambiental / 19:01 - 21 de nov de 2017

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No Dia da República, 15 de novembro deste ano, faleceu Frans Krajcberg, o grande lutador, artista em muitos segmentos, identificado como a própria natureza. Sua vida foi um encontro permanente com a proteção ambiental, através de sua criatividade, sempre voltada para a conservação dos valores ecológicos. Surge como uma porta que se abre para a integração do homem na defesa do planeta. Nasceu na Polônia em 1921 e em 1947 adotou o Brasil como o seu lar até a sua morte. Sua chegada em nosso país surgiu não como uma fuga, mas como um recomeço ao seu respeito e dedicação que havia desenvolvido.

Durante a segunda guerra mundial, foi oficial do exército polonês, tendo lutado de 1941 a 1945, e buscou refúgio na União Soviética, onde estudou engenharia e artes, iniciando ali seu aprendizado sobre artes plásticas. Posteriormente, retorna a sua cidade natal, sendo o único sobrevivente de uma família de mais 100 pessoas. Nos anos seguintes, assim que ocorreu o final da guerra, mudou-se para a Alemanha, quando se iniciou o seu desenvolvimento cultural em vários segmentos da arte.

Assim veio Frans já louco para ir embora da Europa e “fugir do homem”, como gostava de dizer em entrevistas. Em 1948, desembarcou no Rio de Janeiro sem falar português e sem dinheiro. Dormiu dias no relento da praia do Flamengo até conseguir emprego como operário no recém-inaugurado MAM, de São Paulo. Foi montador da primeira Bienal, em 1951, e auxiliar do pintor Alfredo Volpi. Teve reconhecimento apenas seis anos depois, ao ganhar o prêmio melhor pintor da Bienal de 1957, ano em que se naturalizou brasileiro. Maria Barrozo, galerista do escultor no Rio de Janeiro, conta que ele costumava dizer que renasceu no Brasil.

Quatro ocasiões foram fundamentais para trazer ao artista à identidade que o definiu e que ficará para a história. O desmatamento no Paraná no início da década de 1950, os refúgios em Ibiza, o isolamento nas cavernas de Minas Gerais na década de 1960 e as frequentes viagens à Amazônia. Em terras brasileiras, o artista passou por Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais até 1972, quando encontrou refúgio em Nova Viçosa, no Sul da Bahia. Lá, instalou-se e viveu até os últimos meses de vida. Krajcberg se dedicou à defesa incansável, buscando reunir os valores ambientais, conservando nossas florestas e tentando integrar o homem na participação desta jornada; divulgando em sua atuação, presente preocupação, quanto ao comportamento do homem, exterminando a natureza, os seus recursos e não dando importância com a sua recomposição.

É frequente e se tem adquirido muito conhecimento no combate às queimadas, no desmatamento da Amazônia e na sequência da exploração de minérios, porém não sendo adotada qualquer cautela quanto a evitar os prejuízos causados ao próprio homem. Krajcberg foi um verdadeiro guerreiro da natureza, simbolizava pelo amor a Terra. Solidário com as grandes causas que envolvem o destino do ser humano no planeta, Krajcberg coloca sua arte a favor das relações estéticas que atravessam a cultura e a natureza.

O artista, ao longo de sua carreira, mantém-se fiel a uma concepção de arte relacionada diretamente à pesquisa e utilização de elementos da natureza. A paisagem brasileira, em especial a floresta Amazônica e a defesa do meio ambiente, marca toda a sua obra. Nas suas esculturas monumentais e singulares soam gritos de revolta, pedido de socorro por um equilíbrio ambiental, pelo fim do desmatamento desenfreado das nossas florestas. Portanto, como em todas as nossas colunas, temos o objetivo de alcançar uma reflexão de nossos leitores, na questão de como é imprescindível para a nossa sobrevivência, pessoas que dêem exemplos de preservação da natureza, que faça o seu melhor para contribuir, persistam e lutem em prol do meio ambiente e a manutenção de nossa espécie.

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