O homem de 3 milhões

Paulo Maluf deve amealhar 3 milhões de votos, tornando-se o deputado federal mais votado de todos os tempos, duas vezes mais que o recorde anterior, de Enéas (Prona), também em São Paulo. O ex-prefeito e ex-governador, graças a sua milionária campanha no interior do estado, deve ajudar a eleger 12 deputados pelo PP. A perfomance tem ficado fora da ribalta, talvez porque alguns achem que seria jogar gasolina no fogo divulgar o recorde malufista numa época de tantos escândalos. Institutos de pesquisa, que realizam enquetes sobre os candidatos, não têm divulgado os resultados.

O déjà vu com Lula
Caso as pesquisas se confirmem e o presidente Lula seja eleito, no próximo domingo, o Brasil estará diante de explosivo paradoxo: a maioria do eleitorado terá decidido dar uma segunda chance a Lula para, num segundo mandato, fazer a política desenvolvimentista que não fez no primeiro nem deseja fazer a partir de 2007, como reafirmou, ao anunciar o corte de R$1,6 bilhão do Orçamento a menos de uma semana da eleição. Plagiando o presidente, se essa mistura perigosa se concretizar, será uma das maiores aulas de sociologia a que Lula terá a oportunidade de assistir, embora não exatamente inédita.
Em 2003, por exemplo, Gonzales “Goni” Sanchez de Lozada foi apeado da presidência da Bolívia apenas 14 meses após ser eleito com apoio de James Carville, guru dos marqueteiros mundiais. A queda de Goni – adorado pelos banqueiros locais e internacionais como Lula – não teve qualquer relação com “conspiração” de elites, mas com a voz rouca das ruas.
A situação boliviana foi o desdobramento mais extremo de reação a esse estelionato eleitoral global que representa o antagonismo entre promessas de campanha e práticas de governo. Pode ser que, no Brasil, movimentos sociais se sintam menos à vontade para organizar manifestações contra o mesmo governo que lhes paga DAS ou lhes encomenda consultorias rentáveis. Nesse caso, em vez de luta política entre as ruas e o Palácio, o país estaria diante da abulia que nasce da decepção seguida da ausência de alternativas.
Nesse quadro, com um governo sem projeto nacional, cuja política econômica tem um pacto recorrente com a mediocridade, como mostra o renitente crescimento médio de 2,5% ao ano, e decidido a regredir direitos sociais – embora tenha sobre isso se calado na campanha eleitoral rósea – restará a intensificação das ações da pequena política. Ou, em outras palavras, mais do mesmo do estilo mensalão de governar.

Inovação
As empresas brasileiras têm R$ 510 milhões em fundos de investimento para investir até 2008 em inovações para aumentar sua competitividade. Esse será um dos temas do Fórum Seprorj Subvenção Econômica, que será realizado nesta quarta-feira, às 14h, no Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Organizado pelo Sindicado das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro, o evento reunirá o presidente da Finep, Odilon Marcuzzo do Canto; o presidente da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro e reitor da Universidade Castelo Branco, Paulo Alcântara Gomes; o presidente do Seprorj, Benito Paret, além de empresários do setor de tecnologia da informação. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail [email protected]

Aperto
Cristovam Buarque calcula em apenas R$ 7 bilhões ao ano os recursos necessários para colocar em vigor no Brasil uma “Lei de Responsabilidade Educacional”. Ao explicar de onde viriam os recursos, uma resposta que, provocou risos na platéia do Fórum Nacional, semana passada, no BNDES, mostra o pensamento tucano-petista de Cristovam: “Dizem que não há dinheiro no orçamento, que cobertor curto não cobre o casal. Mas para casal apaixonado, quanto menor o cobertor, melhor”, disse.

Achados e perdidos
Um amigo dessa coluna perdeu (ou teve furtado) seu Palmtop, modelo Tungsten E2. Foi na semana retrasada, no trajeto entre o Centro do Rio e Copacabana. Se algum leitor encontrou, pode entrar em contato pelo e-mail [email protected]

Aloprado
Mas afinal, o presidente Lula ao menos escolheu o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, para coordenador da campanha?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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