O Império ataca

Em novembro de 2011, quando os EUA entraram no ano das eleições, Donald Trump tuitou: “Para ser reeleito, o @BarackObama começará uma guerra com o Irã.” Pois eis que, em janeiro de 2020, ano em que o agora presidente norte-americano tentará a reeleição, os Estados Unidos fazem um forte ataque ao Irã, ao assassinar um dos mais importantes integrantes do governo e ideólogos iranianos.

Ver o ato terrorista dos EUA apenas como uma demonstração de força em campanha eleitoral é limitar a análise. Trinta e seis bases militares dos EUA estão dentro do alcance das Forças Armadas iranianas, declarou o chefe do Comitê Nacional de Segurança e Política Externa do parlamento, Mojtaba Zulnur. Mas uma das alternativas de retaliação do Irã é tentar bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do Oriente Médio. Como lembrou Julian Borger, editor internacional do jornal britânico The Guardian, a liderança em Teerã está consciente de que um caminho de vingança contra Donald Trump seria atacar suas chances de reeleição. Um aumento no preço do petróleo, associado a um cenário de instabilidade global e vulnerabilidade dos EUA, certamente prejudicaria a campanha à reeleição.

A invasão da embaixada dos EUA em Bagdá certamente trouxe à memória a humilhação do cerco da embaixada em Teerã, que começou em 1979 e prejudicou a presidência de Jimmy Carter em um ano eleitoral. O fato favoreceu a posição dos falcões instalados no governo norte-americano, que defendem a guerra permanente.

Pré-candidato democrata à Presidência, Bernie Sanders disparou em vários tuítes: “Quando votei contra a guerra no Iraque em 2002, temi que isso levasse a uma maior desestabilização da região. Infelizmente, esse medo acabou sendo verdade. Os EUA perderam aproximadamente 4.500 soldados corajosos, dezenas de milhares foram feridos e gastamos trilhões.”

A perigosa escalada de Trump nos aproxima de outra guerra desastrosa no Oriente Médio que pode custar inúmeras vidas e trilhões de dólares a mais. Trump prometeu acabar com guerras sem fim, mas essa ação nos coloca no caminho de outra”, protestou Sanders.

 

Geringonça’ espanhola

A união da esquerda espanhola, que resultará no primeiro Executivo de coalizão no país desde a Segunda República (1931-1936), será semelhante à “geringonça” portuguesa? Em Portugal, contrariando as imposições do FMI, o governo, ainda que com limitações, está conseguindo avanços econômicos e sociais.

Na Espanha, Pedro Sánchez (PSOE) deverá ser proclamado primeiro-ministro em 7 de janeiro, após duas sessões do Parlamento neste final de semana. O acordo com Pablo Iglesias transformará o líder do Unidas Podemos no número 2 do Gabinete.

A solução foi possível com a decisão dos independentistas catalães de se absterem, após garantir que Sánchez convocará diálogo entre o governo central e o de Barcelona (estadual).

 

Último a sair apaga a luz

Assim é a dupla Bolsonaro/Guedes: já no 1º ano emplaca saída recorde de dólares do país. O déficit cambial supera o de FHC em 1999, quando o Brasil quebrou. Na bolsa, estrangeiros não param de fugir. A promessa era que austeridade e reformas trariam os investidores de volta.

 

Rápidas

O Caxias Shopping fará neste e no próximo sábado, das 16h às 18h, o Evento de Férias, em parceria com Sesi e Sesc, com diversas brincadeiras *** O Passeio Shopping já programou o teatro infantil para as férias: neste sábado, Enrolados; dia 11, Nossa Escola é Um Musical; 18, A Maçã Envenenada; fechando o mês, dia 25, Gasparzinho. Sempre às 14h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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