O império em cheque

O crescimento exponencial do déficit externo e o desgaste do neoliberalismo estão colocando em cheque a hegemonia dos Estados Unidos sobre o mundo, que se mantém hoje, principalmente, por seu poder militar. Essa é a principal tese defendida no Seminário Internacional Redem 2001: o Estado no Mundo Contemporâneo, que começou ontem e acaba amanhã, no campus Menezes Cortes da Universidade Estácio de Sá. A defesa do enfraquecimento do poderio norte-americano, que tem no italiano Giovanni Arrighi seu principal defensor no seminário: “Estamos diante de uma bifurcação: os EUA são os maiores devedores mundiais, mas também a maior potência militar. Não sabemos onde isso vai dar”, admite Arrighi.
O império em cheque II
A análise de Arrighi, porém, não é consensual entre os participantes. Para alguns, como a professora Aña Esther Ceceña, da Universidade Nacional do México (Unam), o mundo está diante de uma reestruturação do poderio dos EUA, de cujo processo faz parte a ampliação de bases norte-americanas no exterior, como a Colômbia, por exemplo, para garantir o suprimento de fontes energéticas, principalmente petróleo.
Embora o debate esteja longe de um desfecho, sua própria realização aponta para a desidratação do poder dos EUA, que pode ou não ser substituído por alternativas em gestação. Nos anos 60, o PIB asiático equivalia a apenas 35% do PIB dos EUA. Nos anos 90 essa relação passou para 91%. Os seguidores de Arrighi batem na tecla de que o financiamento do déficit externo norte-americano em algum momento se tornará insustentável. Nos anos 80, ele foi financiado pelo aumento da dívida pública e, nos 90, pelo aumento sem precedentes de fusões, incorporações e pelo mercado acionário. O estouro da bolha da Nasdaq seria a senha para o declínio do império.  

Reação
A esperteza dos fabricantes que encolheram o tamanho de suas embalagens e produtos sem a devida redução de preço pode se transformar num tiro pela culatra. Na Internet, já começam a circular listas propondo boicote a marcas cujos fabricantes ludibriaram os consumidores.

Rumo ao NE
A maior operadora no turismo entre Brasil e Portugal – a Agência Abreu – registou queda de 45% no número de turistas com destino àquele país, segundo informou o Diário de Notícias, de Lisboa. A queda é maior a partir do Rio. No sentido inverso, porém, a crise econômica favoreceu o fluxo de turistas, destinado principalmente ao Nordeste. Segundo Luís Mór, administrador da TAP, companhia de aviação portuguesa, “o Brasil fica barato devido à desvalorização do real”. Para o Nordeste, os aviões da empresa têm estado lotados. “A ocupação registrada em julho foi de 80 % e as previsões para o fim de agosto apontam para 100 %.” O Brasil continua a ser o destino mais procurado pelos portugueses nos percursos longos.

Riscos
A compra de geradores a diesel para combater o apagão merece cuidados. Alguns dos prejuízos que a instalação de geradores a diesel pode trazer são: aumento do nível de ruído ambiental pela não observação das normas de poluição sonora; aumento do risco de explosões em unidades comerciais e residenciais, já que para permitir essa geração estão sendo elevadas as capacidades de estocagem de diesel; e aumento da poluição atmosférica pela emissão de fuligem e fumaça e monóxido de enxofre. O alerta é de empresas que propõem como solução a geração de energia a gás.

Era da especulação
Os anos 90 foram marcados pelo descompasso entre o aumento da taxa de lucro dos Estados Unidos e o crescimento per capita. Entre 1938 e 67, a taxa de lucro cresceu 10,4% e o crescimento per capita, 2,7%. No período 1968-93, o lucro desabou 38% e a renda per capita, 3,5%. Entre 1994 e o ano passado, o galope dos juros elevou a taxa de lucro em 9,1%, havendo crescimento per capita de apenas 2,3%.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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