O J da questão

Entre as heranças malditas que o governo de Temer, o Breve (mas também o Destruidor) deixará é o fim da TJLP, a taxa de...

Entre as heranças malditas que o governo de Temer, o Breve (mas também o Destruidor) deixará é o fim da TJLP, a taxa de juros com que se tentava propiciar aos empresários alguma fonte de investimento que, ainda que muito mais cara que no exterior, ficava bem abaixo da média de juros nacionais. Segundo a Anefac, a taxa média para pessoa jurídica ficou em 69,59% ao ano em junho, sendo ainda assim a menor desde fevereiro de 2016. A TJLP está em 7% ao ano, em torno de 4 pontos percentuais acima da inflação oficial. Não à toa, a taxa aplicada pelo BNDES em seus financiamentos (mais spread etc.) angariou ao longo dos anos inimigos poderosos. Vejamos o que disseram nesta semana alguns diretores do Banco Mundial: “O BNDES deveria ter privilegiado mais as pequenas e médias empresas em vez de grandes grupos empresariais do Brasil, e o governo acerta na proposta de criar a Taxa de Longo Prazo (TLP), já que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que foi usada em larga escala pelo banco de fomento entre 2007 e 2014, distorceu o mercado de crédito e a efetividade da política monetária do Banco Central (BC).” Tradução, para melhor compreensão: prejudicou os interesses dos financistas do mercado.

 

Experiência

A polêmica da retirada do J da TJLP levou ao pedido de demissão de Vinicius Carrasco e Claudio Coutinho da diretoria do BNDES na sexta-feira da semana passada, por divergências com o novo presidente, Paulo Rabello de Castro. Garante fonte do banco que, na primeira reunião de diretoria na gestão de Maria Sílvia Bastos, ao Carrasco ser instado por ela a se apresentar aos demais colegas da diretoria, disse, para estupor dos demais: “Eu me chamo Vinicius Carrasco, e esse é o primeiro trabalho que tenho na minha vida.”

Um exagero, claro, já que foi professor do Departamento de Economia da PUC-RJ. Mas a história e a juventude o fizeram ficar conhecido internamente como “diretor-estagiário”.

 

Fechar o caixa

Pois vem agora o ex-diretor Vinicius Carrasco declarar: “O BNDES deveria usar seus recursos de maneira a implantar os melhores projetos para a sociedade. Devolver recursos ao controlador é um projeto cujo retorno é o custo da dívida. Acho que há poucos projetos hoje com maior retorno para a sociedade. Devolvendo recursos, o BNDES contribuirá imensamente com a economia. Essa é uma razão, talvez a melhor, para haver mais devolução. Há outra: empresas com excesso de caixa e maus projetos tomam, em geral, más decisões. O BNDES tem excesso de caixa.”

Em tempos de desemprego galopante, a proposta é como gasolina no incêndio.

 

Paz mundial

Há de se pensar em um novo modelo de financiamento do desenvolvimento nacional por meio do sistema financeiro nacional”, comentou Ernesto Lozardo, presidente do Ipea, a respeito da polêmica sobre a taxa de juros do BNDES.

 

Morta a vaca, resta o brejo

O desmonte neoliberal empreendido por Temer enquanto permanece no poder foi comentado pelo escritor Luiz Ruffato, em sua coluna no espanhol El País. Com o título “A vaca no brejo”, o texto lembra que “Temer sempre foi um político medíocre e, ao deixar a Presidência, tornará à sua insignificância quando deixar o cargo, mas os estragos proporcionados por suas reformas autoritárias e sua pequenez histórica, esses continuarão a reverberar por anos, afetando principalmente as camadas mais pobres da população”.

 

Fogos de artifício

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirma que a condenação de Lula foi oportunista para “desviar a atenção das críticas à reforma trabalhista”. “A justiça sendo usada com objetivos políticos pela classe dominante”, prossegue. “Isso não se sustenta nos juízes de Porto Alegre.” Para concluir: “Isso junto com o filme da Globo sobre a Lava Jato é um divertimento, para tirar a atenção das pessoas das reformas trabalhista e previdenciária.”

 

Rápidas

A juíza federal Carla Rister será uma das palestrantes no II Congresso Internacional Novos Direitos, que ocorrerá na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) de 18 a 20 de outubro. Inscrições em www.novosdireitos.ufscar.br *** A Inova Unicamp recebe o evento de divulgação do Programa Finep Startup no próximo dia 19, às 15h, no Auditório do GGBS Unicamp *** O Instituto Baccarelli leva a Orquestra Sinfônica Heliópolis e as Orquestras Infantis para se apresentar no auditório do Masp neste domingo, às 11h *** O vice-ministro de Economia e Finanças do Uruguai, Pablo Ferreri, estará em São Paulo em 20 e 21 de julho para lançamento e promoção do Fórum China LAC, que ocorrerá no Uruguai, de 30 de novembro a 2 de dezembro. A cúpula empresarial de Punta Del Este visa estreitar a relação de negócios entre China, América Latina e Caribe *** O jornalista Lúcio Ricardo, querido por toda a imprensa, completou 70 anos.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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