O joio do trigo

A reação à Operação Carne Fraca conseguiu, em poucas horas, o que os críticos à Lava Jato não obtiveram: condenação à pirotecnia, defesa dos frigoríficos bons, ressalvas à atuação da PF, especialmente às provas técnicas. Enfim, separar o joio do trigo – algo que na irmã mais velha tem objetivo bem mais restrito de livrar da condenação emplumados tucanos. O sempre presente ministro do STF Gilmar Mendes não perdoou: “Um delegado decide fazer a maior operação já realizada no Brasil e anuncia que todos nós estaríamos comendo carne podre, e que o Brasil estava exportando para o mundo carne viciada. Por que ele fez isso? Porque no quadro de debilidade da política não há mais anteparos, perderam os freios. E não querem que se aprove lei de abuso de autoridade. Então, um mero delegado anuncia operação dessa dimensão porque ele vê o crime cometido na Procuradoria da República”, disse Mendes.

Seu colega Dias Toffoli fez coro: é preciso “evitar pirotecnias”. E acrescentou que, nas operações policiais, o Judiciário deve tomar cuidado ao manter o sigilo das diligências autorizadas. PMDB e PP, citados, foram relegados a notas de pé de página. Jornais e políticos se esforçam para separar meia dúzia de frigoríficos irregulares do resto do setor. Tudo que foi negado às empreiteiras na Lava Jato. Nesta, pau na canalha; na seguinte, é preciso defender os empregos do setor. E é preciso mesmo, assim como no caso das empreiteiras, estas detentoras de capital e tecnologias que não poderiam ser jogadas ralo abaixo como foi feito.

Algumas razões, e não só elas, ajudam a explicar a diferença no tratamento. Uma, que não se trata da Petrobras. Ainda que existam razões comerciais para atacar as empresas alimentícias brasileiras, seus concorrentes não têm produção suficiente para atender ao mercado. Já a estatal do petróleo é estratégica para o país, detentora de alta tecnologia e exploradora de reservas invejáveis de petróleo. Outro motivo é que não há petistas no rol dos beneficiados por propina. A bancada ruralista também já deu inúmeras demonstrações de força. Para a mídia, algo mais concreto: são grandes anunciantes. O banco Original, do mesmo grupo da JBS, irriga com uma página diária alguns jornalões. Coincidência, menções ao filho de Lula (“dono da JBS”), ao envolvimento desta empresa na Lava Jato ou à recente investigação sobre possíveis irregularidades no uso de recursos administrados pela Caixa, no mesmo grupo, não são feitas.

Lisboa aplaude

O embaixador Sérgio da Costa e Silva recebeu, em Lisboa, o prêmio Excelência em Cultura, entregue pelo presidente da Academia de Artes e Cultura Lusófona, professor Armenio Vasconcelos. A homenagem é pelo Música no Museu, que completa 20 anos e já acumula 30 prêmios internacionais, além de ter sido tema de Mestrado na Universidade de Berlim.

Houve apresentação do Música no Palácio Foz, nesta segunda; nesta quarta, será a vez da Biblioteca Joanina, em Coimbra.

Guerra híbrida

O Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres) realizará a palestra “Guerra Hibrida no Contexto Brasileiro”, com o general Carlos Alberto Pinto Silva, ex-comandante do CMO. Será dia 30, às 14h. Após, haverá sessão de autógrafos no lançamento do Livro 1964 – Os bastidores da revolução em Uruguaiana, RS, pelo coronel Amerino Raposo Filho, protagonista dos fatos narrados, atual presidente de Honra do Cebres.

Os eventos serão no Auditório do Clube de Aeronáutica (Praça Marechal Âncora, 15, Centro – RJ).

Rápidas

A Fundação Getulio Vargas realiza nesta quarta, a partir de 12h, no Rio, painel sobre segurança pública no Brasil. Entre os palestrantes estão Cecília Oliveira, editora do The Intercept Brasil, e Vanessa Campagnac, coordenadora de projetos do Instituto de Segurança Pública (ISP). Inscrições: www.fgv.br/eventos *** O professor Oded Distel, diretor do Israel NewTech, é o convidado especial do seminário Smart Energy Solutions for Smart Cities, promovido pela Diretoria de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV/DINT), dia 24 próximo, também na sede da FGV *** A diluição das fronteiras – estimulada pelo desenvolvimento da tecnologia – gerou mudanças no meio jurídico. O assunto estará em oficina realizada pela Associação dos Advogados de São Paulo (AASP): “Direito Empresarial Digital e Inovação”, que ocorrerá de março a maio, sempre às 9h, na sede da entidade (Rua Álvares Penteado, 151 – Centro). As inscrições já estão abertas no site www.aasp.org.br/eventos *** Nesta sexta-feira, o Passeio Shopping (RJ), em parceria com a artista plástica Cida Mansur, promove oficina de arte e reciclagem, das 14h às 16h *** Quatro instituições culturais e hospitais de São Paulo começaram a receber este mês um curso gratuito de contação de histórias realizado pela Arte Despertar. Mais informações no site www.artedespertar.org.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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