O luto que surge com a aposentadoria

Por Eliana Cristina Motta da Silva.

Aqueles que, ao se aposentarem, param de fato de trabalhar sofrem um verdadeiro luto após tal ruptura com o mundo organizacional. Caso não haja uma preparação psicológica, social e econômica, tal fase será difícil de ser superada.

Infelizmente a nossa sociedade capitalista mensura o valor das pessoas pelo que fazem profissionalmente. O fato de alguém ter que ser afastar do trabalho, o tal termo SE APOSENTAR, pode representar uma improdutividade, um verdadeiro retrocesso na escala social. Sem o trabalho, as pessoas ficam sem função, sem propósito e, até mesmo, sem identidade.

Pior ainda quando o afastamento do trabalho se dá por alguma doença ou limitação. A exclusão social que se instala na vida do indivíduo gera sentimentos negativos e o faz sentir-se próximo à morte.

Só que a sociedade atual, com seu preconceito etário, pode mesmo com a pessoa tendo boa saúde colocá-la no grupo de marginalizados que não conseguem se reinserir no mercado de trabalho, ficando o empreendedorismo como única alternativa para depois da maturidade.

Com tudo isso, percebe-se que “perder o trabalho” surge como perda do valor da pessoa, perda do poder e de sua potência. Assim, até aqueles que empreendem não querem parar de trabalhar, levando o trabalho até sua morte, como meio de satisfação e realização pessoal.

Interessante é perceber que tudo isso acontece porque a nossa sociedade tenta esquecer que a finitude existe. Embora tenhamos consciência de que ela existe, não se prepara as pessoas para o afastamento do trabalho e não se fala da finitude. É como se, ao não se falar, a morte não acontecesse.

Assim, embora a morte seja natural e inevitável, ela torna-se inimaginável para o indivíduo, que é sempre pego de surpresa quando ela surge, ou fica sempre na fase da negação de todas as maneiras. Afastar-se do trabalho parece aproximar-se da morte e, então, surge uma ausência de perspectiva para o futuro após a ruptura com o mundo corporativo.

É preciso que haja uma preparação para o afastamento do mundo do trabalho. E essa preparação deve ser simultânea à inserção de novos projetos até que, gradativamente, o trabalho organizacional seja retirado da vida do trabalhador. Faz-se necessário que as pessoas entendam que o envelhecimento é uma fase como outra qualquer e que existem inúmeras atividades a serem feitas durante tal fase, até porque somos seres sociais e a sociedade como um todo tem necessidades das mais diversas.

No processo de preparação para o afastamento gradativo do trabalho é preciso aprender a planejar, controlar e conduzir novos projetos, fazendo com que o indivíduo perceba que nessa fase é possível, como em qualquer outra, ter espaço para elaborar, significar e ressignificar propósitos e, então, manter o domínio sobre a própria vida.

 

Eliana Cristina Motta da Silva, RH, é idealizadora do Projeto Acalme Terapias Integradas.

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