O mesmo uniforme

O candidato francês Emmanuel Macron colocou uniforme de operário, nesta quinta-feira, n

O candidato francês Emmanuel Macron colocou uniforme de operário, nesta quinta-feira, na reta final da campanha. A ação lembra algum prefeito de São Paulo? Mais de um: o atual, João Doria Junior, em um de seus primeiros atos após a posse, colocou vestimenta de gari e foi às ruas. Em comum, a total falta de intimidade de ambos, acostumados a ternos de cortes caros e sob medida. Pode-se enumerar outras semelhanças. A primeira, que ambos se intitulam como “novidade” e se colocam fora dos círculos políticos. Tão verdadeiro como uma nota de 15 reais. Macron começou a trabalhar na Inspeção-Geral de Finanças do governo francês. Foi ainda vice-relator da Comissão para a Libertação do Crescimento Francês antes de se tornar um sócio do banco Rothschild. Membro do Partido Socialista entre 2006 e 2009, foi nomeado secretário-geral adjunto da Presidência da República por François Hollande em 2012, e se tornou ministro da Economia em 2014. Saiu do falido Governo Hollande há menos de um ano, em agosto de 2016, para lançar sua candidatura à presidência por seu próprio partido político, o Em Marcha!.

Doria é filiado ao PSDB desde 2001, mas já havia trabalhado no governo paulista, como presidente da Paulistur na prefeitura de Mario Covas, ainda nos anos 1980. Presidiu o Conselho Nacional de Turismo (1986–1988) e a Embratur (1987–1988), onde teve suas contas questionadas, escapando no TCU. Ambos, Doria e Macron, com carreiras políticas trilhadas – outro ponto em comum – longe do voto. A demonização da política é uma campanha mundial, facilitada pela traição dos políticos tradicionais a suas bases. O prefeito de São Paulo ainda concorreu por um partido tradicional, mas Macron investiu em um partido só seu, roteiro seguido, nem sempre com sucesso, em outros países.

De olho na mesma fórmula, o deputado Jair Bolsonaro pensa em deixar o PSC e ir para o Muda Brasil, que deverá ter o pedido de fundação protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima semana. Sem “partido” no nome, como manda o figurino, o movimento é tem entre seus líderes o ex-deputado Valdemar Costa Neto, um dos condenados no mensalão.

 

Paralelos

Quando vejo (Emmanuel) Macron discusando, vejo a figura de (João) Doria sobreposta: ambos jovens, com propostas vagas de rechaço ao establishment político e defendendo plataformas de 'nem direita nem esquerda' ancoradas na ideia de gestores modernos e comprometidos somente com a eficiência. Será Doria o Macron brasileiro em 2018?” A indagação é do economista e cientista político Maurício Dias David, que integra o Conselho Editorial do MM.

Ao comentar a eleição presidencial francesa, que terá o seu desfecho no domingo próximo, MDD analisa que tudo indica que Macron – “o candidato surgido do nada mas apoiado pelas grandes forças econômicas” – deverá prevalecer sobre Marine Le Pen – “a candidata do nacionalismo xenófobo, que muitos apontam como tendo raízes fincadas na ultradireita fascista (certamente um exagero excessivamente simplificador, ambas as etiquetagens)”.

De todos modos, seja o que for que vier será melhor que a mediocridade François Hollande”, sentencia MDD, sem, porém, deixar de fazer uma brincadeira: “O mais interessante para nós brasileiros é que o duelo Macron X Marine pode ser um prenúncio do Brasil 2018. Com efeito, nada mais parecido com Macron do que uma eventual candidatura do atual prefeito de São Paulo. E (Jair) Bolsonaro pode ser o espelho de Marine Le Pen, ocupando em 2018 o espaço nacionalista radical ancorado no rechaço ao status quo político.”

Praga não vale.

 

Segue no batente!

O príncipe Philip, marido da rainha da Inglaterra, anunciou na quinta sua aposentadoria, aos 95 anos. Sorte dele que não está no Brasil, nem a reforma da Previdência foi aprovada.

 

Rápidas

A rede de franquias Yes! Idiomas tem como meta crescer 30% este ano, alcançando a marca de 200 unidades. Para expandir sua presença no Nordeste, participará da 27ª Franchising Fair Nordeste, que acontece entre 19 e 21 de maio, em Salvador *** O embaixador do Brasil no Congo, Raul de Taunay, lança o livro Poemas ao Desabrigo dia 10, às 19h, na Livraria Travessa de Ipanema *** Acontece em 18 de maio o I Congresso Latino-americano de Ecossistema Público Privado – BCH Latam, durante a Hospitalar 2017, no Expo Center Norte *** A FGV Direito Rio recebe, até 23 de maio, inscrições para o curso “Favelas: Law, Marginalization and Development”. Mais informações: http://direitorio.fgv.br/cursos-de-curta-duracao-20171 *** A Comissão de Esportes e Lazer da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro convocou uma audiência pública para esta terça-feira, às 9h30, no Plenário. A intenção é analisar os investimentos do Poder Público na realização dos Jogos Olímpicos de 2016 e o legado deixado para os cariocas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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