O milênio que já começou

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Para a indústria gráfica, o Século XXI teve início com sete meses de antecedência. O florescer deste novo milênio de tecnologias mágicas ocorreu, mais precisamente, de 18 e 31 de maio, na Drupa 2000, em Dusseldorf, na mesma Alemanha em que, há 552 anos, Johann Gutenberg inventara o tipo móvel, democratizando o acesso à informação. A Drupa, maior feira de equipamentos, máquinas, tecnologias, insumos e processos gráficos do mundo, acontece a cada cinco anos, delimitando, a cada edição, o estado da arte no setor.
Neste ano 2000, contudo, ao comemorar os seus 50 anos de vida, o evento foi muito especial, reunindo, em seus 232.400 metros quadrados, na Messe Dusseldorf, 1.806 expositores, de 45 países, dos cinco continentes. Cerca de 400 mil pessoas visitaram a feira, testemunhando os avanços tecnológicos fantásticos da indústria gráfica. Cinco mil brasileiros, dentre eles 700 empresários integrantes da missão organizada pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), estiveram presentes. Certamente, trata-se de um número recorde de visitantes do Brasil a um evento no Exterior.
Por outro lado, a Drupa 2000 suscita uma reflexão inevitável. Tanta tecnologia exige a contrapartida da competência, conhecimento técnico e talento humano. Nesse sentido, o Brasil tem oferecido ao mercado gráfico respostas eficientes. Em nível nacional, o Senai forma técnicos em artes gráficas, sempre atualizados com as modernas tecnologias e necessidades do mercado, fatores aliás, que têm caracterizado os cursos da instituição em todas as áreas industriais. Em São Paulo, particularmente, a Escola Senai “Theobaldo De Nigris”, na qual, além dos cursos técnicos, funciona a primeira faculdade de artes gráficas no Brasil, cumpre atualmente duas outras importantes missões. A primeira é relativa à sua parceria com a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), entidade ligada ao Sistema Abigraf, que tem oferecido contribuição de alto nível para avanço do setor.
A segunda – e não menos significativa tarefa da “Theobaldo De Nigris” – refere-se ao Círculo Ibero-Americano de Formação em Artes Gráficas (Cifag), organismo vinculado à Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf). Desde outubro de 99, quando assumimos a vice-presidência da Conlatingraf, a coordenação do Cifag ficou a cargo do Brasil (conforme estabelece o estatuto dessa entidade latino-americana).
Assim, por cinco anos caberá a nosso País trabalhar pelo desenvolvimento da formação em artes gráficas em todo o continente.
É por entender a seriedade e responsabilidade dessa missão que confiamos a tarefa de coordenação técnica do Cifag à Escola Senai “Theobaldo De Nigris”. Sem ensino, educação e formação de técnicos, tecnólogos e cidadãos, de nada adiantariam, para o Brasil e a América Latina, as tecnologias futurescas que a Drupa 2000 apresentou ao mundo.
Mais do que nunca, o Brasil – assim como as nações consideradas emergentes – precisam desenvolver meios de oferecer à juventude o direito ao ensino, à cultura e à educação. Oportunidades como as que se abrem àqueles que querem abraçar as artes gráficas como profissão mostram ser possível, também no que tange à democratização do ensino, conduzir o País a um novo milênio de mais justiça social.

Max Schrappe
Presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, presidente do Conselho Regional do Senai-SP e vice-presidente da Fiesp.

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