O mundo é deles

Como confirma a primeira semana de shows, o Rock in Rio é a vertente, na área musical, da Parceria Público-Privada (PPP) – nome envergonhado para privatizações: setor público atuando como polícia privada dentro do local, Prefeitura do Rio garantindo o monopólio de frescões a R$ 35, ingressos com preços salgados, garis da Comlurb limpando a área do evento e, por último, mas não o menos importante, destinação dos ganhos do festival para mãos particulares.

Interesse
Começa esta semana seminário sobre oportunidades de desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira. A palestra de abertura fala na “Amazônia como tema prioritário nas relações bilaterais França-Brasil”. O que deixou um leitor desta coluna intrigado do porquê desta escolha: “Não deveria ser prioridade francesa desenvolver a Guiana deles?” O evento, apesar de falar sobre a Amazônia, será no Rio, no Sofitel.

Coletivas
A Câmara dos Deputados iniciou discussão pública sobre o setor de compras coletivas, que explodiu no país no ano passado. Os pontos de consenso são a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e que, se houver lei específica, que seja federal. A necessidade de uma legislação própria provoca divergências: “Para a camara-e.net (entidade que reúne empresas de comércio eletrônico), o CDC é suficiente e, caso exista uma legislação específica, que ela esteja abarcada dentro do Marco Civil da Internet”, explica Tiago Camargo, do comitê de Compras Coletivas da camara-e.net.

Apoio ao Simples
O presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Antenor Barros Leal, enviou mensagem ao presidente do Senado, Jose Sarney (PMDB-AP) e aos senadores do Rio de Janeiro solicitando apoio para a aprovação do Projeto de Lei da Câmara 77/11, que amplia os benefícios do Supersimples. O projeto poderá ser votado nesta terça-feira pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Receita Paes
Apesar de ter aprovado apenas em 13 de setembro a contestada lei que acaba com o fundo de previdência dos servidores municipais e usa as verbas de Educação e Saúde para pagar os aposentados do Município do Rio de Janeiro, a prefeitura já utiliza o expediente desde janeiro, acusa o Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe). Segundo a entidade, ativos e pensionistas foram unificados na rubrica “Pessoal e encargos sociais” e a origem da receita é a verba destinada à Educação.

Apropriação simbólica
O jornalista Mário Augusto Jakobskind critica os setores da imprensa tupiniquim que publicaram que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, boicotado pelos representantes das grandes potências, voltou “a pôr em dúvida o Holocausto”. Jakobskind, cujo sobrenome é auto-explicativo sobre suas origens, observa que quem lê o restante da matéria dos próprios jornais brasileiros constata a inexistência de “referências à negativa propriamente da tragédia da II Guerra Mundial, mas sim o questionamento de se usar o Holocausto “para dar apoio a Israel na opressão contra os palestinos””. “Não é só Ahmadinejad que tem essa opinião, mas muitos outros que não questionam a existência do Holocausto e sim seu uso político. É o caso do sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein e o linguista Noam Chomsky, dois importantes pensadores, inclusive de origem judaica”, acrescenta.

Causa própria
Jakobskind observa ainda que, na verdade, a direita israelense, “cuja política levou o país ao isolamento”, aproveita-se do sentimento “de repulsa natural ao Holocausto” para justificar a ação política que levou ao impasse com os palestinos: “Figuras como o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, e o ministro do Exterior, Avogdor Lieberman, são os exemplos mais notórios de truculência política que querem posar como vítimas, mas, na verdade, são algozes.”

Não rima
Sábado, a platéia do palco principal do Rock in Rio teve seu momento de torcida de futebol. Após ouvir as acusações de Dinho, do Capital Inicial, contra os políticos em geral, e José Sarney em particular, os espectadores entoaram, sem divisões clubísticas ou partidárias, o coro “ei, Sarney, vá…”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorNo alvo
Próximo artigoTrinta anos de atraso

Artigos Relacionados

Os EUA lavam mais branco

Lavagem de dinheiro através de imóveis tem poucos obstáculos na pátria de Tio Sam.

Apagão já foi tragédia, volta como farsa

Modelo de mercantilização da energia é o culpado.

Volume de reservatórios pode cair a 6% em novembro

Quadro crítico poderá ser alcançado em 2 meses, mesmo com tarifaço.

Últimas Notícias

Condomínios do Rio podem exigir comprovante de vacinação

É recomendado que tal exigência seja aprovada em assembleia por maioria dos presentes

Agronegócio brasileiro ainda está amadurecendo tecnologicamente

Por Regina Teixeira – Especial para o Monitor Mercantil

Livro traz bastidores de aquisições de startups por grandes empresas

Livro: 'Saída de Mestre: estratégias para compra e venda de uma startup'

Plano de assinatura garante um smartphone novo todo ano

A parceria une o propósito da Samsung de trazer inovação a cada lançamento - desta vez oferecendo sua terceira geração de smartphones - e...

WhatsApp testa funcionalidade de indicação de negócios em SP

Por enquanto só São Paulo terá esse recurso