O novo aumento da Selic e os investimentos

Renda fixa domina, mas ações estão com bons descontos.

O Copom aumentou a Selic em 0,5 ponto percentual, o que fez a taxa chegar a 13,75% ao ano. Conversamos com três especialistas do mercado financeiro sobre quais seriam as melhores opções de investimento considerando o novo aumento da Selic e as perspectivas do cenário econômico.

Para a próxima reunião, que será realizada nos dias 21 e 22 de setembro, o Comitê informou que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude”.

Antonio van Moorsel (foto divulgação Acqua Vero)
Antonio van Moorsel, sócio e head do Advisory da Acqua Vero Investimentos

A complexa conjuntura macroeconômica demanda cautela no posicionamento das estratégias de alocação, com maior participação dos ativos de renda fixa, principalmente os pós-fixados cuja rentabilidade esteja atrelada ao CDI, devido a relação de risco e retorno mais favorável. A decisão do Copom contribui ainda mais com o rendimento desses ativos. Também é recomendado que se zele pelo balanço de liquidez dos portfólios, considerando o surgimento de eventuais oportunidades.

Embora o ciclo de alta de juros esteja próximo do fim, o que pode até mesmo já ter ocorrido, conforme o comunicado da decisão do Copom, o cenário de manutenção prolongada da taxa Selic em patamar elevado corrobora a relevante participação dessa classe de ativos nos portfólios. Se considerarmos o cenário de arrefecimento inflacionário, mesmo que seja fruto de medidas artificiais, sua participação se torna ainda mais vantajosa devido ao juro real mensal elevado.

Ainda na renda fixa, os títulos prefixados merecem atenção, embora a desancoragem das expectativas de inflação em relação às metas estimulem a exposição moderada, priorizando vencimentos curtos até 2025, devido ao maior prêmio implícito. A prudência é reflexo do ainda elevado nível de incerteza acerca do futuro da política monetária no próximo ano, devido, principalmente, à possibilidade de novos estímulos fiscais e da perenização do incremento do Auxílio Brasil. O aumento da percepção corrente de risco fiscal, também é um vento contrário a uma maior exposição a esse tipo de título.

No futuro, provavelmente próximo, a importância dos prefixados tende a aumentar, porém é importante construir a exposição à classe de forma parcelada, a fim de obter boas taxas, como, por exemplo, as que temos atualmente.

Por fim, os ativos pós-fixados atrelados ao IPCA continuam sendo muito relevantes, apesar da revisão baixista da inflação neste ano. Mesmo com a desoneração dos combustíveis, a inflação corrente permanece elevada, mantendo a relevância dessa classe de ativos.

É válido reforçar que no universo da renda fixa, há diversos ativos que são isentos de IR para investidores pessoa física, como, por exemplo, debêntures de infraestrutura, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs.

David Martins (foto divulgação SaraInvest)
David Martins, consultor de investimentos da SaraInvest

Como consultor de investimentos, eu prezo muito por uma carteira diversificada, atrelada ao perfil do investidor e aos seus objetivos. Todo investidor precisa ter conservadorismo no portfólio, mas também ativos de risco. A proporção será de acordo com o perfil e com objetivo.

Hoje eu vejo no mercado um excelente momento para praticamente todas as classes de ativos. Os ativos indexados ao CDI estão pagando 13,65%. Trata-se de uma taxa muito elevada, até mesmo porque nós já temos uma expectativa de arrefecimento da inflação, o que traz um ganho real. Com relação aos prefixados, nós temos encontrado ativos pagando até 19%. Sem contar que existem ativos indexados à inflação pagando a correção da inflação + 8%.

É bom frisar que quando falamos de renda fixa, principalmente de prefixados ou de indexados à inflação, que também têm uma taxa pré, esses títulos acabam se beneficiando quando os juros começam a cair. Em 2023, os juros devem começar a ceder, o que vai beneficiar esses títulos pela marcação ao mercado, gerando um ganho bem superior nas taxas nominais contratadas.

Além da renda fixa, eu vejo a renda variável num bom momento de entrada. Eu não recomendo uma alocação fora do perfil do investidor, pois existem uma série de desafios pela frente: eleições, China x Taiwan, Rússia x Ucrânia, recessão técnica dos Estados Unidos e inflação global.

Contudo, no Brasil os ativos de renda variável estão muito descontados. Faz sentido ter posição em renda variável, aumentando a exposição quando o cenário for melhorando. Existem diversas empresas que vêm entregando excelentes resultados e aumentando o pagamento de dividendos, mas com os papéis muito amassados. No ano passado, enquanto a bolsa americana foi muito bem, a nossa bolsa foi uma das piores do mundo, e nesse ano nós ainda não conseguimos decolar.

Rodrigo Alves (foto divulgação RJ Investimentos)
Rodrigo Alves, Head de produtos da RJ Investimentos

Caso não haja um novo aumento em setembro, eu acredito que a Selic será mantida em 13,75% até meados do ano que vem, para então ser iniciado o ciclo de baixa. Com essa previsibilidade, que o mercado gosta muito, nós abrimos a possibilidade de investimento em praticamente todas as classes de ativos. Obviamente, umas são mais conservadoras e outras buscam mais risco.

Quem pretende investir por até um ano deveria ficar em títulos pós-fixados, como CDBs atrelados ao CDI ou Tesouro Direto Selic (LFTs). Esses papéis vão capturar esse período onde os juros deverão permanecer altos e com uma inflação em queda, buscando um rendimento real.

Como o Banco Central deve começar a baixar os juros a partir da metade do ano que vem, a alocação em títulos prefixados com prazos maiores de um ano pode ser uma boa aposta para quem tem um pouquinho mais de apetite ao risco. A contratação desses títulos vai capturar uma taxa aplicada mais alta, e quando essa taxa começar a cair, eles vão se valorizar.

Resumindo, na renda fixa eu gosto de ficar pós-fixado para um prazo mais curto, e para prazos de um até três anos, prefixado. Acima desse prazo, eu já acho prefixado muito arriscado. Nesse caso, o investidor deveria procurar soluções atreladas à inflação como o Tesouro IPCA, debêntures incentivadas, CRAs e CRIs.

A bolsa é outra possibilidade. Ela está bem barata e a perspectiva de queda dos juros em algum momento no próximo ano é boa para os ativos de risco. Para os investidores que têm um apetite ao risco mais alto, a bolsa pode ser uma boa oportunidade agora. Existem vários papéis que estão bem descontados e o Ibovespa na faixa dos 100 mil pontos está muito barato. Obviamente, esse investidor tem que estar ciente que ele vai encontrar muita volatilidade pelo caminho, principalmente por causa das eleições e de fatores externos.

 

Coordenação: Jorge Priori

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