O Obelix do BC

A insistência do Banco Central, lavrada na ata divulgada sobre a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que insiste em apontar ameaças de nova escalada inflacionária não é apenas álibi antecipado para manter, em plena véspera da depressão mundial, o Brasil com os juros reais mais altos do mundo. A argumentação utilizada transforma o BC tupiniquim numa reedição daquela aldeia gaulesa que ostentava a condição de ser a única plaga na qual não governavam os romanos. Com a significativa diferença, porém, de que, enquanto Asterix, Obelix e cia resistiam, na ficção, à ação do império, Henrique Meirelles & a turma do Copom empenham-se na defesa dos rentistas, que, apenas em 2008, serão beneficiados pelo pagamento de R$ 160 bilhões em juros,

Exultante
De antigo defensor da Albânia como farol dos povos, o diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, tornou-se um dos principais alvos dos movimentos que caracterizam a realização do 10º leilão do petróleo brasileiro como um ato de entreguismo. Lima, que é vice-presidente nacional do PcdoB e ainda se apresenta  como “nacionalista militante de várias décadas”, considera que o leilão foi “coroado de êxito”. Entre os argumentos que alinha para defender sua tese, menciona o fato de o governador de Alagoas, o tucano Teotônio Vilela Filho, ter ficado “exultante” ao saber que receberia R$ 36 milhões em investimentos em decorrência da concessão de exploração de petróleo em seu estado.

Caso único
Os investimentos que deixaram exultantes o tucano e o ex-comunista representam 0,06% das inversões de R$ 55 bilhões realizadas pela Petrobras em 2008. Apesar disso, a estatal é obrigada a repassar à ANP áreas nas já detectou a possibilidade de descobrir petróleo e/ou  poderia explorar sozinha, aproveitando sua reconhecida capacidade tecnológica. Lima poderia indicar ainda em que país desenvolvido do mundo um governo retira mercado de suas empresas nacionais, estatais ou privadas, para transferi-lo para estrangeiros.

Os porta-vozes
Não se sabe se, por excesso de modéstia ou por acabrunhamento mesmo, mas, ao arvorar-se em promover a memoriabile dos 40 anos dos AI-5, a imprensa tupiniquim esquivou-se em incluir entre os setores paisanos que deram, não apenas forte sustentação ao golpe de 64, mas como foram alguns dos seus mais entusiastas colaboradores. As relações umbilicais entre grande parte da imprensa e os golpistas eram de tal forma indivisíveis que um dos colunistas mais bafejados da época só referia-se ao patrão “como o general civil da Revolução”.

Vai e volta
As explicações de que a queda nas vendas no comércio em outubro esteve concentrada no segmento de automóveis escondem um fato: o crescimento exponencial – e tão comemorado – das vendas nos meses anteriores também esteve concentrada nesse segmento.

Ainda quente
As vendas do comércio lojista da cidade do Rio de Janeiro aumentaram 2% em novembro, em comparação com o mesmo mês de 2007. Em relação a outubro passado, houve um crescimento de 8%, mostra a pesquisa Termômetro de Vendas, do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio). No acumulado de janeiro/novembro as vendas aumentaram 4,2% sobre 2007.
A pesquisa mostra também que o Serviço de Proteção ao Crédito registrou em novembro um aumento de 12,4% nas dívidas quitadas em relação ao mesmo mês do ano passado. A inadimplência cresceu 1,8% e as consultas subiram 1%. No acumulado de janeiro/novembro, em comparação ao mesmo período de 2007, as consultas, as dívidas quitadas e a inadimplência aumentaram, respectivamente, 10,8%, 9,9% e 2,1%.
No movimento de cheques as dividas quitadas e a inadimplência cresceram, respectivamente, 7,6% e 1,7%, e as consultas diminuíram 0,6%, comparando-se com novembro de 2007. No acumulado de janeiro/novembro, as dívidas quitadas e a inadimplência aumentaram, respectivamente, 6,1% e 1,7%, enquanto as consultas caíram 5,0%.

Justiça tem preço
Quem recorre aos cartórios da cidade do Rio de Janeiro para fazer uma notificação de apenas uma página precisa desembolsar R$ 143,79. A cada nova página, é necessário pagar mais R$ 3,08.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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