O objetivo é acabar com a Previdência pública

A proposta de reforma da Previdência traz várias armadilhas e coloca “bodes” na sala. Mas a ideia por trás dela é clara: acabar com o sistema previdenciário público. As exigências para quem for se aposentar são hercúleas. Quarenta anos de contribuição é algo fora do alcance da maioria dos trabalhadores que não pertencem às classes mais abastadas. Hoje, apenas cerca de um terço dos aposentados conseguiu alcançar o benefício por tempo de contribuição; os demais se aposentaram por idade.

Mesmo que consiga contribuir por 40 anos, o valor do benefício será pequeno em relação aos últimos salários recebidos, já que o cálculo levará em conta todos os valores recebidos ao longo da vida, não apenas a média dos 80% maiores, como é hoje, em que se descarta os 20% menores salários.

O resultado disso será uma desesperança com o sistema previdenciário, que levará o trabalhador, iludido, a suplicar pelo sistema de capitalização. A reboque, a carteira verde e amarela, aquela que enterra de vez os direitos trabalhistas.

O sistema é um fracasso no Chile, onde mais da metade dos aposentados chilenos recebem menos de 40% do salário mínimo (aqui, a equipe econômica pretende estabelecer um piso, que seria o mínimo). Perdem os trabalhadores, perdem as empresas, que vêm o poder de compra dos consumidores minguar, e perde o Estado, que tem que arcar com os custos sociais da miséria. Ganham, a curto prazo, apenas meia dúzia de instituições financeiras.

Na base de tudo isso, há o componente ideológico. Mas isso é assunto para outra coluna.

 

Vem de longe

A tentativa de Hugo Chávez de superar a dependência do petróleo não deram certo; suas reformas não eram sustentáveis e fracassaram. “Entretanto, esse debate existe desde 1936, quando se dizia ‘semear o petróleo para colher o desenvolvimento’. E o país sempre fracassou nisso. Não parece ser por causa de Chávez ou Nicolás Maduro que isso não funcione – os antecessores deles também não conseguiram.”

A afirmação é do cientista político alemão Stefan Peters, que dirige o Instituto teuto-colombiano Capaz, em Bogotá, em entrevista à Deutsche Welle. Ele complementa afirmando que Juan Guaidó e a oposição também querem dar prosseguimento a esse modelo suscetível a crises. “É verdade que com uma abertura bem maior para as empresas privadas do setor petrolífero, mas sem quebrar a lógica de se concentrar sobretudo em matérias-primas e em especial no petróleo.”

Outros países, como a Arábia Saudita, fizeram tentativas de se livrar da maldição do petróleo e também fracassaram. “Assim eu arrisco dizer que sempre vai dar errado. E fica a pergunta: por que é assim? Eu acho que deve ser porque nos negócios com petróleo há tanto dinheiro que reformas dolorosas ou tentativas de deixar o petróleo no fim nem mesmo são necessárias”, analisa Peters.

 

EUA morrem nas drogas

Em termos de acidentes, o envenenamento por drogas (legais ou não) é a principal causa de morte nos EUA. As chances de morrer por intoxicação acidental de drogas na vida são de uma em 64, em comparação com uma em 572 em um acidente de carro e uma em 218.106 por ferimentos fatais causados por raios. Os dados, de 2017, são do Insurance Information Institute.

Mais pessoas são mortas em acidentes automobilísticos do que em acidentes de motocicleta ou de avião, não porque andar de moto ou viajar de avião é mais ou menos perigoso, mas porque muito mais pessoas viajam de carro. Ou seja, a chance de morrer é função do risco em si e da frequência que você está exposto, explica o consultor Francisco Galiza.

 

Distraído

Gustavo Bebiano denunciou que, quando era ministro da Secretaria-Geral da Presidência, recebeu ameaças por telefone. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, não tomou providências para investigar o caso e sequer comentou o assunto.

 

Rápidas

A Comissão do Direito da Criança e do Adolescente da OAB/RJ realiza nesta segunda-feira o VIII Caminhos da Adoção. O encontro começa às 17h, na sede da Ordem *** O Shopping Jardim Guadalupe recebe neste sábado o Encontro de Animais Silvestres, em parceria com o grupo Aves Amor Incondicional *** O bitcoin está em queda, mas ainda não perdeu o brilho. O Bitcoin Banco fará um curso sobre criptomoedas em parceria com a ESPM. E a Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) tem um MBA em Blockchain *** Marco Aurélio Ferreira é o novo diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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