O país quer saber

As afirmações do ministro da Casa Civil, José Dirceu, de que “o feitiço pode virar contra o feiticeiro”, ao referir-se ao pedido do PSDB ao Congresso Nacional para investigar a revelação pública do presidente Lula de que abafou denúncias de corrupção que teriam ocorrido no governo FH, longe de encerrar o caso, ampliam sua gravidade. Como o episódio encerra apenas duas hipóteses – ou o presidente da República caluniou seu antecessor ou prevaricou – tem desdobramentos mais amplos. Ele reafirma que, como mostraram as últimas eleições, quando PT e PSDB somaram apenas 36% dos votos, o país é muito mais amplo do que polarizações cujas construções correspondem mais a desejos continuístas do que à realidade. E deixa no ar questão incômoda para as duas partes: afinal existem outros acertos entre petistas e tucanos só passíveis de vir à tona em improvisos presidenciais? Ou herança maldita é apenas retórica do governo Lula?

Derrapagem
Não bastasse ter que aturar a Aneel e a Anatel, verdadeiros Procons (proteção das concessionárias) das empresas de energia e telefonia, o consumidor brasileiro já tem uma idéia do que esperar da ANTT, que deveria velar pela boas condições das estradas. Para a Superintendência de Exploração de Infraestrutura da agência, o pedágio na Rio-Juiz de Fora, R$ 0,11/km, não pode ser considerado caro se for comparado com outras estradas mundo afora: na Áustria o valor fica em 0,44/km; no Reino Unido, em US$ 0,28/km; na França, US$ 0,27/km; e nos EUA, US$ 0,12/km.
Tudo explicado, se o holerite de um metalúrgico brasileiro que não consiga chegar à Presidência da República fosse igual ao de um francês ou estadunidense. A renda per capita desses países mostra alguma diferença: na Áustria alcançava (dados de 2003) US$ 29.600; no Reino Unido e na França eram semelhantes, US$ 27.490 e US$ 27.840, respectivamente; nos EUA atingia US$ 37.831. No Brasil, se limitava a US$ 7.710 por cabeça. (Para não dizerem que é implicância dessa coluna, foi utilizado o PIB per capita segundo o critério da paridade de poder de compra, PPC; no critério mais usual, a renda tupiniquim cairia pela metade)

Hood Robin
A economista Sandra Quintela, do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), concorda com as conclusões do estudo do FMI, divulgado há cerca de uma semana e que admite que os tratados comerciais bilaterais ameaçam economias menores, porque as renúncias fiscais superam os supostos benefícios desses tratados: “Certamente, os acordos tentam abrir ao máximo os mercados nacionais sem nenhuma regulamentação, causando guerra fiscal entre países”, disse.
A economista salienta que a renúncia fiscal na importação de produtos e serviços relega as economias mais frágeis à produção de empregos em setores primários, que pagam menores salários ou ao desemprego.

Para chefes
Quem almeja um salário de quase US$ 80 mil anuais – ganho médio após três anos de conclusão do MBA da Coppead, segundo divulgou a instituição – não pode perder as inscrições para as novas turmas do MBA Marketing. O candidato deve ter no mínimo cinco anos na área de gerência ou chefia. As aulas começarão no dia 9 de março. Mais informações em www.coppead.ufrj.br

Tulipas
Investimento holandês à vista no Rio de Janeiro. Uma missão de funcionários do Ministério da Fazenda dos Países Baixos foi recebida sexta-feira pelo subsecretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Henrique Rocha. Os holandeses conheceram os principais programas de incentivo do governo do estado, além da infra-estrutura do território fluminense, como portos, usinas e estradas. A delegação antecipa a visita do ministro da Fazenda da Holanda e de uma missão comercial, em novembro.

Auge e declínio
O professor Theotonio dos Santos, membro do Conselho Editorial do MM, lança no próximo dia 7, segunda-feira, seu livro Do Terror à Esperança – Auge e Declínio do Neoliberalismo (Idéias & Letras). Será na livraria Argumento do Leblon (R. Dias Ferreira, 417).

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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