O petróleo é nosso

Cansada das perguntas dos jornalistas sobre se, com a descoberta de mega-reservas de petróleo e gás, o país adotaria postura semelhante às de Bolívia, Venezuela, que nacionalizaram suas reservas, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, emendou “…e Canadá”, para mostrar que não são apenas nossos vizinhos sul-americanos que zelam pela soberania nacional.

Lesa-pátria
A decisão do governo Lula de, na undécima hora, retirar do 9º Leilão de Licitação da ANP as gigantescas reservas de petróleo e gás descobertas pela Petrobras nas Bacias de Campos e Santos realça o contra-senso desse tipo de concessão. Afinal, com o preço do barril do produto ameaçando ultrapassar os US$ 100, o Brasil mantém a inacreditável condição de único país entre os que detêm as maiores reservas de petróleo do planeta (noves fora Iraque, por motivo de – literalmente – força maior) a repassar, por valores irrisórios, esse bem finito para grupos estrangeiros.

Interesse nacional
O presidente Lula tem razão: a Petrobras, embora tenha a autonomia operacional indispensável para atuar no seu setor, deve obediência às diretrizes à União, como seu controlador majoritário. Para garantir, no entanto, a defesa dos interesses nacionais, o governo brasileiro não deve impor à empresa funções que beneficiam, principalmente, os interesses de grupos externos, como assumir o “mico” das térmicas quando a natureza nos permite o privilégio de uma matriz energética essencialmente hidrelétrica.

Carro-forte
Por ter sido utilizado para transportar valores de um estabelecimento para outro, o bancário João Francisco Paiva obteve indenização do banco ABN Amro Real por danos morais, no valor correspondente a 12 salários, mais benefícios trabalhistas. Em duas ocasiões, o bancário, que é escriturário, foi vítima de assalto. De acordo com o escritório Machado Silva Advogados, a decisão – da 1ª. Turma do TRT do Rio – considerou culpado o ABN, inclusive por ter atingido a honra do bancário. Segundo o TRT, o transporte de valores bancários demanda a utilização de mão-de-obra treinada.

Gato embarcado
A Nova Cedae, companhia de abastecimento do Rio de Janeiro, anunciou a descoberta de uma ligação clandestina – conhecida como “gato” – no estaleiro Cassinú Shipyard, no município de São Gonçalo. O estaleiro não tinha nenhuma rede oficial cadastrada junto à estatal fluminense. “Estamos nos empenhando cada vez mais para acabar com este tipo de crime, que contribui para desabastecer diversas localidades, principalmente em São Gonçalo, que sofreu redução em seu abastecimento por conta da estiagem”, disse o presidente da Cedae, Wagner Victer.

Onde está Wally?
Há quase dois meses uma nuvem de fumaça encobre o estado de saúde do presidente de Furnas, Luiz Paulo Conde. Esta coluna foi a primeira a informar que ele havia sido internado para delicada operação, no Copa D”Or, conceituado hospital na Zona Sul do Rio. De lá para cá, nenhum boletim oficial sobre a saúde de Conde foi divulgado.
Atualmente, a assessoria do Copa D”Or remete as perguntas para a comunicação de Furnas, que insiste que está tudo bem e que ele terá alta em breve – e assim se passaram mais 15 dias. Até de uma videoconferência ele teria participado, diretamente do hospital – o que confirmaria informação publicada por esta coluna; só que o equipamento estaria sendo instalado na casa de uma filha de Conde, e não no Copa D”Or.
Há informações de que Conde sofreu uma segunda operação – o que é negado pela assessoria da estatal. Tudo isso ocorre no momento em que se define o leilão das hidrelétricas do Rio Madeira, em que Furnas poderá ter participação decisiva.

Enquanto isso
Cresce a força do consórcio Eletronorte-Alusa na disputa pelas hidrelétricas do Rio Madeira.

Fiança
Em 72% dos contratos de aluguel firmados no Estado de São Paulo, a modalidade de garantia usada é a fiança, seguida pelo seguro-fiança (14,07%) e pelo depósito em poupança (13,79%). Os dados constam de pesquisa feita em agosto pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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