O petróleo é vosso

O argumento de que o ingresso de empresas estrangeiras no Brasil aumentará a descoberta de petróleo em nosso território deve ser examinado não, sob o ponto de vista das empresas, mas dos interesses do país. Apesar de todos os estudos sobre o assunto, as reservas mundiais de petróleo se aproximam do esgotamento sem que tenha sido encontrada fonte de energia capaz de substituí-lo.
Com isso, torna-se cada vez mais interessante para os países petrolíferos explorar petróleo no exterior a esgotar suas próprias reservas, sobretudo porque, após a derrocada da Opep, os preços desse combustível despencaram, apesar da ligeira recuperação das últimas semanas.
Nesse cenário, o Brasil desfruta de situação privilegiada: produz mais de dois terços do petróleo que consome, além de dispor de fonte de energia alternativa perfeitamente aceitável,  a de fontes vegetais.
Ou seja, do ponto de vista dos interesses do país é absolutamente antieconômico acelerar a exploração das suas reservas petrolíferas.

Rio em Cannes
A publicidade do Rio de Janeiro está representada nas quatro disputas do Festival de Cannes (Filmes, Press&Poster, Cyber e Media) por 11 agências de propaganda, quatro produtoras de comercias e dois web-designers. Segundo informa de Cannes o colunista Marcio Ehrlich, da JANELA PUBLICITÁRIA, o número oficial de trabalhos cariocas não foi fornecido pelo festival, sendo o levantamento feito pela equipe da JANELA. As agências são Artplan, Commente, Contemporânea, DPZ, Fischer América, Giovanni FCB, GR.3, McCann, Publicis Norton, Salles/DMB&B e V&S. As produtoras/estúdios: Artluz, Conspiração, Conta-Fio e TV Zero. Web-design: Mlab e Refazenda. O Rio está presente em 14 das 28 categorias do festival de filmes.

Desgoverno
“É inaceitável o comportamento do presidente do Congresso Nacional, senador Antônio Carlos Magalhães, não sendo a primeira vez que o referido parlamentar se comporta como sombra da República, colocando-se acima da lei e da Constituição, como querendo restaurar o poder moderador dos imperadores brasileiros.” Assim começa a nota em que o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, deputado federal José Dirceu, passa um pito em ACM. O motivo foram os ataques exagerados do senador ao Supremo Tribunal Federal, por conta das decisões do STF contrárias à CPI dos Bancos. Dirceu avisa que o PT não concorda com a posição do Supremo e estará apoiando os recursos legais e medidas legislativas cabíveis, “mas não pode calar-se sob pena de compactuar com tentativas autoritárias de submeter um poder ao outro.” O PT afirma que falta  a ACM autoridade moral, pois ele serviu à ditadura militar e ao governo Collor. E finaliza alfinetando FH, que “faz que não vê, que não lhe diz respeito, tudo o que tem acontecido à sua volta: crise da PF, choque entre o Presidente da Câmara e do Senado, ataques de ACM ao STF. O país caminha para o desgoverno e a cada dia o Sr. Presidente perde autoridade.”

Liminar
Se ACM e o Senado têm queixas do Supremo Tribunal Federal (STF), o mesmo acontece com o Governo do Estado de São Paulo. Ontem, o STF cassou liminares que impediam a privatização da Cesp, o que permitirá a venda da empresa em um mês. Quando o assunto é privatizar, o Supremo tem votado sistematicamente com o Governo.

Concorrência
O perdão do G-7 de US$ 90 bilhões – 70% - da dívida de US$ 127 bilhões de 36 dos países mais pobres do mundo, além de não beneficiar o Brasil, custará alguns bilhões de dólares às combalidas reservas do país, credor de alguns dos beneficiados. A diferença de tratamento tem explicação decepcionante apenas para os que viam na globalização um novo Renascentismo. No caso de Bolívia, Burkina Faso, Mali, Uganda, entre outros beneficiados, o perdão ajuda a recompor o crédito para esses países voltarem a importar de seus mecenas. O Brasil ficou de fora da anistia por ser visto como concorrente.

Nacionalismo italiano
Especialistas do setor de petróleo que não se deixam iludir pela retórica propragandística da ANP, alertam: das dez empresas estrangeiras que abocanharam bacias petrolíferas no país, apenas uma, a Agip, deve fazer investimentos de algum porte. Na opinião desses analistas, essa empresa deve investir de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões, ao longo da primeira fase de concessão para exploração de petróleo no país. Não por acaso, a Agip, que não integra o cartel das Seis Irmãs, é uma estatal controlada pelo Estado italiano.

Audaz
Uma nova dúvida assalta a base governista: será que o novo diretor-geral da Polícia Federal também será escolhido exclusivamente pelo presidente, sem admitir “pressões de nenhuma ordem” dos aliados? Em sua última demonstração de independência tão destemida, FH levou três meses para nomear um diretor, que durou menos de 72 horas no cargo. Estará um novo recorde a caminho?
Sozinhos
Razão tem o vizinho desta página Janio de Freitas: o tucanato não precisa de ajuda externa para colocá-lo em maus lençóis; eles mesmo se encarregam de se meter em crises.

Sucata
Ao receber alunos da Escola Superior de Guerra (ESG), o presidente FH foi obrigado a se explicar sobre o sucateamento da indústria nacional. Sem ter números favoráveis, FH optou pela saída comum ao tucanato: operar no mercado futuro. Disse que a economia está se recuperando e que nos próximos dez anos os estados brasileiros vão receber US$ 50 bilhões em royalties. Mais interessante que o nhém-nhém-nhém de FH é o fato de o tema ser uma das preocupações da ESG, tradicional defensora dos ideais nacionalistas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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