O populismo e a farra cambial

As sucessivas quedas da cotação do dólar não atendem apenas ao populismo cambial do Governo Temer, interessado em conter a inflação e permitir a volta do Bolsa Miami, agradando a classe média dos Jardins e da Zona Sul do Rio. Mais influente é a possibilidade de ganhos milionários no mercado de câmbio, além de turbinar os lucros de investidores estrangeiros em títulos públicos brasileiros.

Alguém que pegasse US$ 1 milhão emprestado nos Estados Unidos, com taxa de juros abaixo de 1% ao ano, e convertesse em reais no dia 4 de janeiro de 2016 (primeiro dia útil do ano) teria R$ 4,03 milhões. Se aplicasse em papéis atrelados à Selic, alcançaria nesta terça-feira R$ 4,344 milhões, uma alta de 7,69% em pouco mais de seis meses. Porém, convertendo em dólar ao câmbio de R$ 3,271, levaria de volta para casa US$ 1,33 milhão. Ou um ganho de 32,5% em dólar (33% menos cerca de 0,5% de juros que teoricamente pagaria). E ainda tem gente que fala em “negócio da China”.

Exemplo do vizinho

Multiplicam-se no Chile os protestos contra o sistema de aposentadoria. Neste domingo, mais de 100 mil chilenos saíram às ruas de Santiago. Manifestações ocorreram também em outras cidades. A reclamação é que os trabalhadores são descontados em 13% de seus salários e recebem aposentadorias muito baixas. Tudo é administrado pelas Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), empresas privadas acusadas de serem sanguessugas.

O sistema foi imposto na marra em 1981, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973–1990). Na época da transição, o governo chegou a arcar com custos que atingiram o equivalente a 5% do PIB chileno. Os manifestantes pedem a volta do sistema administrado pelo Estado. No ano passado, a presidente Michelle Bachelet convocou uma comissão que elaborou uma série de propostas para reformar a previdência.

Vontade própria

Tributarista relata à coluna que tem gente dentro da Receita trabalhando contra a Lei da Repatriação de Capitais. Apesar de aprovada pelo Congresso, a legislação – proposta por Dilma e sancionada por Temer – é bombardeada por exigências dos fiscais.

Há quem acredite que é para sabotar o governo provisório; mas, conhecendo o Leão, mais provável que seja simplesmente gana por arrecadar mais ou punir quem tem dinheiro no exterior não declarado. O fato é que a adesão é baixa, já que nenhum contribuinte quer se autoincriminar e depois ficar à mercê da Receita e da Justiça, o que o projeto garantia impedir.

Interino sem limites

O fim do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), com a alegação de que o custo é muito elevado para um país com tantas dificuldades na Educação, não passa de uma desculpa de ocasião. Fosse seguida a risca, o Brasil, com saneamento claudicante, estradas esburacadas e Saúde na UTI, não deveria gastar quase R$ 40 bilhões para sediar as Olimpíadas (daria para pagar 11 anos do CsF).

Outra desculpa é o pouco controle dos resultados do programa. Em vez de buscar metas e cobrar resultados, acaba-se com o intercâmbio. Joga-se fora da bacia a água e o bebê. Novamente, se o critério fosse este, o governo deveria cerrar as portas do Banco Central, que impõe uma meta de inflação que não consegue cumprir há anos e despeja R$ 600 bilhões em juros com o pretexto de segurar os preços.

O Ciência sem Fronteiras tem falhas desde a concepção. Mas, entre ganhos e perdas, a balança pende decididamente para o primeiro lado. O intercâmbio influi na forma do estudante brasileiro enxergar o mundo e a universidade, permite estabelecer laços com futuros profissionais de outras nações, estimula o domínio de outra língua e aumenta a busca por pesquisa – e se esta não é maior, a culpa é da falta de verbas, não do CsF.

No fundo, no fundo, trata-se de mais um passo para o desmonte da Educação pública. De quebra, reação de uma elite que não suporta ver integrantes da classe média cursando as mesmas universidades que seus filhinhos podem pagar.

Rápidas

O artista plástico e publicitário José Zaragoza (o “Z” da icônica agência de publicidade DPZ) fará em agosto nova exposição de seus quadros. Será na Canvas Galeria de Arte e terá cerca de 30 trabalhos, obras inéditas da série Olympics. A mostra será aberta ao público (entrada gratuita) no dia 3 e fica em cartaz até 19 de agosto, de segunda a sexta, das 11h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h. A Canvas fica na Av. Europa 715, Jardins, São Paulo *** Fernando Morette foi anunciado como novo diretor Comercial do site de empregos Catho *** Em agosto, o Brasillis Idiomas oferece dois cursos online: Tradução para Legendagem (dia 12) e Formação de Tradutores (15). Mais informações pelos telefones (21) 2512-3697/98304-1624 *** Entre 5 e 11 de setembro, acontecerá no Memorial da América Latina, em São Paulo, a segunda edição da Expo Hispânica, reunindo cultura, negócios, turismo e gastronomia dos 21 países hispânicos. O evento é organizado pela Sampamerica. Mais informações: http://expohispanica.com.br/ ***

Artigo anteriorA culpa é da Dilma!
Próximo artigoTorneiras abertas
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Batendo palma para maluco dançar

CPI precisa ser ágil para não deixar governistas propagarem mentiras impunemente.

Cristiano Ronaldo, Coca-Cola e Nelson Rodrigues

Atitude do craque português realmente derrubou ações da companhia de bebidas?

Empresa pode dar justa causa a quem não se vacinar?

Advogado afirma que companhias são responsáveis pela saúde no ambiente de trabalho.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Marrocos espera crescimento de 5,3% em 2021

BC do país estima avanço da economia neste ano; receita com turismo vêm caindo; inflação acelerou, mas está controlada.

Pacientes com Covid têm dificuldades a benefício por incapacidade

Nesta terça, Bolsonaro vetou PL aprovado pelo Congresso que dispensa carência do INSS para novas doenças.

Sauditas vêm visitar regiões cafeeiras do Brasil

Brasileiros convidaram os compradores árabes para visitar as lavouras locais no próximo ano.

Senado aprova MP que aumenta a tributação sobre lucro dos bancos

Como houve mudança no texto, medida volta à apreciação da Câmara.

Abertura de empresas cresceu 17,9% em março

Segundo Serasa, comércio alavancou alta do índice; MEIs registram aumento e representam a maior parte das empresas criadas.