O que Israel vai dizer sobre o genocídio? (se disser)

Finda prazo para Israel explicar à CIJ o que fez para impedir genocídio – pelo qual é investigada – na Palestina

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Destruição causada pelo exército de Israel em Gaza
Destruição em Gaza (foto Xinhua)

Israel tem de enviar, neste final de semana, um relatório à Corte Internacional de Justiça (CIJ) explicando o que foi feito para cumprir as determinações do Tribunal para impedir o genocídio dos palestinos em Gaza.

Lembrando: a CIJ determinou, em 26 de janeiro, 6 medidas ao governo israelense. São elas:

  1. Tomar todas as medidas ao seu alcance para impedir a prática de quaisquer atos que possam ser considerados de genocídio, em especial as definidas no Artigo II da Convenção do Genocídio: matar membros do grupo; causar danos corporais ou mentais graves a membros do grupo; infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física, total ou parcial; impor medidas destinadas a prevenir nascimentos dentro do grupo.
  2. Israel deve garantir que os seus militares não cometam quaisquer atos considerados de genocídio.
  3. Israel deve prevenir e punir quaisquer comentários públicos que possam ser considerados incitamento ao genocídio em Gaza.
  4. Israel deve tomar medidas para garantir o acesso à ajuda humanitária em Gaza.
  5. Israel deve impedir qualquer destruição de provas que possam ser utilizadas em um caso de genocídio.

A 6ª medida é o envio do relatório no prazo de 1 mês. O que poderá Israel alegar?

Desde 7 de outubro de 2023, o número de mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, chegou a 25.900 em 25 de janeiro de 2024; em 22 de fevereiro, este número foi para 29.410. Israel poderá alegar que a média caiu pela metade: de 250 mortos por dia (alcançada no 100º dia do atual conflito) para 125 palestinos assassinados diariamente. Não é um bom argumento sobre impedir o genocídio.

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No período, o exército israelense invadiu mais 1 hospital o Nasser, em Khan Yunis (15 de fevereiro); comboios com alimentos e remédios continuam entrando de forma restrita; a fome se alastra entre os palestinos; mais de 100 jornalistas foram mortos; a imprensa livre não pode ir aos locais de conflito.

Para “gabaritar” (de forma negativa) as 6 medidas determinadas pela CIJ, só falta Israel não enviar o relatório.

Pós domingo

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia costumava dizer que mais importante do que uma manifestação era a sua repercussão posterior; isso, quando o máximo que havia de rede social era o Orkut.

O ato pró-Bolsonaro deste domingo pode ser relevante se houver extrapolação nas intenções golpistas. Se o ex-capitão continuar temeroso da ação da justiça, o que contará será o desdobramento nas redes nos dias seguintes.

E a realidade da manifestação pouco importará. Para os bolsonaristas, será o maior ato já realizado no Brasil; para os contrários, um retumbante fracasso.

Só para lembrar: cálculos feitos pelo Monitor mostram que na Paulista cabem cerca de 500 mil pessoas, e olhe lá. Mais que isso, só se estiver lotada como trem da CPTM em horário de rush.

Rápidas

O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP) abriu inscrições para a 8ª edição do Prêmio Golden Tombstone, que reconhece empresas e agentes envolvidos nas melhores operações financeiras de captação de recursos *** O Suud, restaurante árabe que fica em Niterói, entra para o mercado de franchising. A marca desenvolveu sua formatação de franquia com o Grupo Soares Pereira.

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