O que pode impactar o mercado hoje?

Discussões sobre pacote fiscal nos EUA e IPCA e gatilhos fiscais no Brasil.

Opinião do Analista / 10:55 - 9 de set de 2020

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Em mais um dia de queda nos mercados globais, o Ibovespa fechou o dia de ontem em baixa de 1,20%, aos 100.050 pontos. Já as taxas futuras de juros fecharam o dia ontem em alta, principalmente nos vértices mais longos. Pesaram para o movimento o câmbio, e preocupações com a inflação e com a situação fiscal brasileira. DI janeiro de 2021 fechou em 1,96%; DI janeiro de 2023 encerrou em 4,04%; DI janeiro de 2025 foi para 5,83%; e DI janeiro de 2027 fechou em 6,78%.

Nessa quarta-feira, mercados globais amanhecem em leve alta (EUA e Europa +0,9%) após 3 pregões de forte correção, principalmente no setor de tecnologia. Na Ásia, Japão (-1%) e China (-2,3%) fecharam no negativo, capturando parcialmente as quedas nas Bolsas do Ocidente.

No palco político internacional, em mais um capítulo da escalada de tensões entre os EUA e a China, o governo Trump sinalizou ter proibido a importação de três empresas de Xinjiang por questões ligadas à violação de Direitos Humanos na região. Enquanto isso, no Congresso norte-americano, senadores republicanos propuseram novo pacote de estímulos, de menor magnitude (US$ 300 bilhões), em meio a impasse com democratas. O projeto procura atender as demandas das diferentes alas do partido, mas é rejeitado pela oposição.

No Brasil, segue o foco nas discussões no âmbito fiscal. De acordo com o "Estadão", as medidas de corte de despesas chamadas de gatilhos previstas na PEC do Pacto Federativo, cujo relatório deve ser apresentado hoje pelo senador Marcio Bittar (MDB-AC), abrem um espaço de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões no Orçamento. O relatório, segundo Bittar, deixará de fora o Renda Brasil.

Na agenda de indicadores e eventos econômicos do dia, os destaques serão a divulgação do IPCA referente a agosto, a reunião do presidente Bolsonaro com o ministro da Economia e representantes do setor supermercadista para tratar do aumento dos preços de alimentos, além da participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em um evento sobre o sistema de pagamentos Pix. No exterior, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, participa de evento virtual da Federação Nacional do Varejo.

Na política brasileira, o noticiário foca as discussões do governo sobre o veto que impediu a extensão das desonerações da folha de pagamento de 17 setores até o fim de 2021. Sem conseguir apresentar uma contraproposta e com perspectiva de derrota em plenário, o governo sinaliza que pode aceitar a derrubada do veto em troca de melhorar o ambiente para o andamento de sua pauta econômica. A sessão do Congresso pode ser convocada para a próxima quarta. O impacto da derrubada é de R$ 10,2 bilhões - o Orçamento prevê apenas R$ 3,7 bilhões para essa despesa.

Na pauta do dia, a Câmara tenta votar o projeto de resolução para retomar os trabalhos da CCJ (o que permite o início da tramitação da reforma administrativa), além de uma medida provisória que prorroga prazo para que empresas automotivas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste se inscrevam em programa de benefício fiscal. O Senado tem na pauta projeto que permite a estados e municípios usar até o fim de 2021 os recursos que receberam da União neste ano para o combate à Covid.

Finalmente, na seara corporativa, publicamos ontem um relatório iniciando a nossa cobertura de Research ESG na XP. Neste conteúdo, fornecemos uma visão geral sobre ESG (do termo em inglês Environmental, Social and Governance) e o porquê acreditamos que estas três letras irão revolucionar o mundo dos investimentos. Além disso, elaboramos a chamada Seleção ESG, composta pelas 10 empresas, dentre o índice Ibovespa e nosso universo de cobertura, que são referência no tema.

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