O que se espera do mercado de ações em 2022

Por Jorge Priori.

Conversamos com cinco especialistas sobre suas expectativas para o mercado de ações em 2022.

 

Bruce Barbosa (foto divulgação Nord Research)

Bruce Barbosa, sócio-fundador da Nord Research

Expectativa para o Ibovespa: entre 130 e 140 mil pontos

A Bolsa de Valores reflete a expectativa dos agentes econômicos em relação aos resultados futuros das empresas. Para pensar no fechamento do Ibovespa em 2022, precisamos entender como estarão as expectativas dos agentes no final do ano. Isso depende da política econômica do país. Creio que estamos sofrendo em grande parte agora porque o Lula escolheu o Guido Mantega como um porta-voz na área econômica, o que foi visto pelo mercado com grande preocupação. No fim das contas, as eleições terão papel importantíssimo sobre as expectativas. Pessoalmente, acredito que todos os presidenciáveis sabem, lá no fundo, que é necessário ter uma política fiscal crível, de contenção de gastos, para evitar novos aumentos na taxa de juros e recessões futuras. Não custa lembrar que a crise entre 2015 e 2016 culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O mercado já precificou um cenário bem ruim nos últimos meses, com os juros futuros lá em cima. Existe uma descrença muito grande em torno da política fiscal do próximo presidente. É muito difícil prever o que pode acontecer, mas acredito que a bolsa brasileira tem potencial para fechar o ano na máxima histórica, entre 130 mil e 140 mil pontos. Os resultados das empresas têm subido com força nos últimos trimestres e a perspectiva segue positiva para 2022. Se o próximo presidente demonstrar racionalidade do ponto de vista econômico e sinalizar uma política fiscal crível, as expectativas tendem a se reverter. Apesar do tom populista que algumas campanhas costumam adotar, creio que o senso de sobrevivência e o pragmatismo devem prevalecer após as eleições.

 

Marco Saravalle (foto divulgação Sara Invest)

Marco Saravalle, estrategista chefe da Sara Invest

Expectativa para o Ibovespa: entre 120 e 130 mil pontos

Falando primeiro em cenário externo, o grande assunto, e que já trouxe volatilidade à bolsa no início do ano, é que o Fed deve começar a subir os juros americanos mais cedo. O mercado coloca uma probabilidade muito alta de que o aperto monetário comece agora em março. Além disso, ele está trabalhando com uma previsão de três aumentos dos juros americanos em 2022, havendo a possibilidade de serem quatro. Há também a expectativa de que o Fed diminua o seu balanço. O mercado está preocupado com a inflação nos Estados Unidos, e aqui não é diferente. O Banco Central tem aumentos já contratados de juros ao longo do ano.

Historicamente, ano de eleição presidencial não é fácil. Teremos muita volatilidade e expectativas quanto ao governo e aos candidatos. Os economistas projetam um crescimento do PIB muito próximo de zero, com alguns projetando recessão para 2022. O que pode trazer algum alento é que o mundo continua crescendo num ritmo bastante saudável. As empresas brasileiras também continuam crescendo, gerando lucros e expectativas de dividendos para os próximos balanços. Podemos ter algum sinal de arrefecimento da inflação americana do segundo trimestre para frente. Isso seria muito bom para a expectativa dos juros, principalmente aqui no Brasil, o que contribuiria para a volta da atratividade dos investimentos em ações.

Não necessariamente teremos um Ibovespa em queda. Vemos um potencial bom e saudável de fechamento entre 120 e 130 mil pontos. As empresas que compõem o índice têm um potencial de valorização bastante saudável, sobretudo as mais ligadas às commodities. Essas empresas têm sido a nossa preferência para 2022, já que o crescimento da economia global e um real desvalorizado podem beneficiá-las.

 

Werner Roger (foto divulgação Trígono Capital)

Werner Roger, sócio e gestor da Trígono Capital

Expectativa para o Ibovespa: 125 mil pontos

Para 2022, eu espero a mesma volatilidade do ano passado. Temos alguns pontos de incertezas que no Brasil estão relacionados à inflação. Eu estou na ponta otimista. Acho que a inflação cai mais rápido do que o esperado. O segundo ponto é a taxa de juros. Com a inflação caindo mais rápido do que o esperado, a taxa de juros tende a acompanhar. Eu não me surpreenderia com uma Selic de 8% no final do ano e uma inflação entre 4% e 4,5%. Caso essa inflexão aconteça, os investidores institucionais, que resgataram R$ 70 bilhões no passado, podem voltar a aplicar na bolsa. Hoje eles são os grandes vendedores. Na ponta contrária estão os investidores estrangeiros, já que para eles os juros no Brasil são indiferentes, e o dólar está barato.

Outro ponto é a taxa de juros nos Estados Unidos. A questão não é se vai subir, mas quando vai subir e qual será a velocidade. Agora, a vertente mais complicada é as eleições. Acredito que a polaridade entre o atual presidente e o PT se manterá, mas ninguém sabe o que vai acontecer. Aqui temos dois cenários. A reeleição do atual presidente, cujo governo foi bastante prejudicado pela pandemia. Por outro lado, não sabemos como será um governo do PT. Na primeira presidência do Lula, ele colheu o que o governo anterior havia plantado. Quando ele começou a mexer, tivemos a tragédia que caiu no colo da Dilma. Ela tem a sua culpa, mas ela colheu o que o Lula plantou no segundo mandato.

Como fechará a bolsa? Eu não tenho a menor ideia. Eu analiso empresas. Como eu espero um crescimento de 20% no lucro das empresas, principalmente nas maiores, eu estimo que a bolsa pode fechar nos seus 125 mil pontos.

 

Eduardo Grübler (foto divulgação Warren Asset)

Eduardo Grübler, gestor de renda variável da Warren Asset

Expectativa para o Ibovespa: melhor cenário, 140 mil pontos; pior cenário, 90 mil pontos

Esperamos um bom ano para renda variável no Brasil em 2022. Vemos ações de mercados emergentes como ativos particularmente cíclicos, quando comparados com economias desenvolvidas. Entendemos que precisamos de gatilhos para inverter os ciclos de baixa, e que a consolidação de um maior preço para commodities fará esse papel, trazendo a tração necessária para a valorização dos ativos. Nossa análise independe de quem governará em 2023, ainda que o andamento do processo para essa decisão possa deixar o caminho mais ou menos tortuoso.

Para o final do ano, temos 2 principais cenários. Se realizando a inflexão na tendência, que falei acima, 140k nos parece bastante razoável. Caso não ocorra, possivelmente por uma correção internacional contagiando negativamente as ações no mundo todo, vemos algo em torno dos 90k.

Harold Thau (foto divulgação Técnica Equity Research)

Harold Thau (CNPI), sócio e analista-chefe da Técnica Equity Research

Expectativa para o Ibovespa: 95 mil pontos

O Ibovespa fechou o ano de 2021 com queda de 11,9%, enquanto as principais bolsas mundiais subiram. O índice foi afetado principalmente por problemas internos. A elevação da inflação levou ao aumento dos juros pelo Bacen. A taxa Selic subiu de 2% para 9,25% em 12/2021, com perspectivas de subir a 11,5% em 2022. Temos uma preocupação com as contas públicas, cujo déficit nominal em 2021 (12 meses até 30/11) é de R$ 405 bilhões, equivalente a 4,71% do PIB.

Para 2022, nossa expectativa é que as bolsas estrangeiras apresentem uma pequena queda de seus índices, já que teremos uma elevação da taxa de juros nos Estados Unidos e na Europa para combater a inflação. Com relação ao Ibovespa, nossa previsão atual é de continuidade da tendência de baixa. Ele poderá atingir a faixa de 95 mil pontos, com uma queda de cerca de 9,4% em relação a 2021.

Teremos as eleições em outubro e, atualmente, dois candidatos populistas que não tem a preferência dos investidores lideram as pesquisas. Caso haja um candidato da 3ª via despontando como favorito nas eleições presidenciais, esta previsão será alterada, pois aumentará a confiança dos investidores na política econômica que será desenvolvida pelo futuro governante.

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Três perguntas: o mercado de ações em dezembro de 2021

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