O que se espera do mercado de ações em 2022?

Por Jorge Priori.

Consultamos cinco especialistas em renda variável sobre o que eles esperam do mercado de ações em 2022 e a sua expectativa para o fechamento do Ibovespa no final do ano. Ressaltamos que o índice da B3 fechou 2021 com 104.822 pontos.

 

Bruno Komura (foto divulgação Ouro Preto Investimentos)

Bruno Komura, estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos

Expectativa para o Ibovespa: entre 120 e 130 mil pontos

O mercado será bastante volátil em 2022, por mais que a assimetria seja para o lado positivo. A volatilidade virá por causa das eleições, cenário de aumento de juros globais e possíveis tensões geopolíticas. O viés acaba sendo otimista porque acreditamos que será difícil algum candidato ganhar com postura extremista, ou seja, ele deverá ir em direção ao centro para conseguir o máximo de eleitores. Os ativos brasileiros já sofreram bastante e precificam um cenário desafiador para o ano. Deste modo, sempre pode haver uma piora, mas caso a perspectiva melhore, os ativos devem apresentar uma boa performance.

Acreditamos que o Ibovespa pode voltar ao patamar de 120k, podendo chegar aos 130k. A volatilidade deve se concentrar no segundo e no terceiro tri. O movimento mais consistente deve ocorrer no quarto tri ou no final do terceiro tri, quando houver maior visibilidade sobre as eleições.

 

Fabrício Gonçalvez (foto divulgação Box Asset Management)

Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management

Expectativa para o Ibovespa: entre 110 mil e 125 mil pontos

Em 2021, nós sofremos bastante na segunda metade do ano devido às questões fiscais. Consequentemente, muitos setores foram deteriorados quanto às suas cotações. Nesse momento, muitas companhias estão com um valor patrimonial de mercado menor. Para 2022, eu vejo um mercado de ações com oportunidades para os investidores. Provavelmente, vamos ter muita volatilidade no segundo semestre por conta das eleições presidenciais. Na minha opinião, esse é um dos melhores momentos para se comprar ações pois seus preços estão bem deteriorados.

Minha expectativa para o Ibovespa é que, até o final do primeiro semestre, nós tenhamos um teste dos 130 mil pontos. Depois disso, o mercado deve ficar lateral por conta das eleições, oscilando entre 110 e 125 mil pontos. Com a definição do próximo presidente, provavelmente haverá o rompimento do topo histórico (131.190 pontos, em 7/6/2021).

 

Ricardo Oliboni (foto divulgação Axia Investing)

Ricardo Oliboni, sócio e chefe de Mesa da Axia Investing

Expectativa para o Ibovespa: 122 mil pontos

No momento, a Bolsa está trabalhando na faixa dos 103 mil pontos, depois de ter alcançado o topo histórico na região dos 130 mil (jun/2021). A bolsa vem sofrendo no dia a dia com a subida da moeda americana e a alta da Selic, que atualmente está em 9,25%, podendo ficar acima dos 10% até o final de 2022. Apesar de vermos dinheiro de fora entrando na Bolsa, está havendo uma migração de pessoas físicas para investimentos mais conservadores por conta da alta da Selic. Contudo, nossa bolsa está “’barata”’, o que é uma grande oportunidade para quem pensa a médio e longo prazo.

A expectativa para o final de 2022 é que tenhamos um cenário conturbado por conta das eleições e de uma inflação alta que precisa ser controlada. Projetamos que o Ibovespa estará na casa dos 122 mil pontos no final do ano. O Brasil está barato não só para os estrangeiros, mas para os brasileiros também. Como disse, a Bolsa é a melhor escolha para o investidor que pensa a médio e longo prazo.

 

Pedro Serra (foto divulgação Ativa Investimentos)

Pedro Serra, gerente de research da Ativa Investimentos

Expectativa para o Ibovespa: 117 mil pontos

Na Ativa Investimentos, projetamos um target de 117 mil pontos para o Ibovespa em 2022. Olhando para frente, este ano parece ser um ano potencialmente mais volátil do que 2021, devido às questões internas e externas.

No ambiente interno, teremos a aproximação das eleições, que, embora seja cedo para fazer preço nos mercados, talvez já comece a pesar nas escolhas e decisões do atual governo, pesando mais as medidas que possam agradar determinado grupo de eleitores do que uma agenda mais responsável que não costuma ser muito popular.

Na questão externa, iremos, em breve, atravessar a retirada gradual dos estímulos juntamente com todas as suas consequências, desde o mercado de câmbio até o de ações. De forma geral, pode-se assumir que os investidores poderão exigir um prêmio de risco maior para ativos nos mercados emergentes.

Apesar de acreditar que ainda há muito “desaforo” precificado nos mercados, a Bolsa ainda está imersa em um ambiente de volatilidade. O investidor que quer enfrentar esse momento de tempestade de maneira segura, deve buscar empresas com histórico secular, ou seja, menos dependentes do ambiente macro e, claro, que estejam entregando bons resultados.

 

Matheus Lima (foto divulgação Top Gain)

Matheus Lima, analista da Top Gain

Expectativa para o Ibovespa: abaixo dos 104 mil pontos

Esperamos uma volatilidade extrema, principalmente a partir de abril e maio por conta das eleições. O mercado será muito influenciado pelo ânimo ou desânimo das pesquisas eleitorais. É muito difícil prever algo para esse ano, pois, dependendo dos resultados das eleições, o impacto na bolsa poderá ser muito bom ou muito ruim.

Caso voltemos a ter uma liderança de esquerda, podemos ver o mercado estressar bastante. Com isso pode haver uma intensificação da movimentação de baixa que vem desde o segundo semestre de 2021. Vemos um mercado mais otimista com a possibilidade de outros nomes, mas, obviamente, temos outros fatores para serem levados em consideração. Por exemplo, o Brasil ainda vive um certo temor com o risco fiscal. Acredito que o Ibovespa fará movimentações de baixa até o final do ano.

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