O respeito à imprensa

Por Nilson Mello.

Opinião / 15:35 - 21 de fev de 2020

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Os gestos e comentários grosseiros do presidente da República em relação a repórteres podem configurar quebra de decoro e até dar causa a processo de impeachment. O desdém e a postura ofensiva diante da imprensa são particularmente graves porque a atividade jornalística – independentemente de seus muitos erros – é imprescindível para o fortalecimento do Estado de Direito e a democracia.

É a partir da crítica e do contraditório que se aperfeiçoam as práticas públicas e os processos políticos. O papel do jornalista e dos meios de comunicação é mesmo questionar – e criticar. Não faz sentido um presidente da República adotar uma postura de permanente beligerância com jornalistas. Até porque o jornalista que comete abusos – como calúnia, injúria ou difamação – estará sempre sujeito a processos cíveis e criminais, dentro do que prevê a Lei. Neste sentido, nunca é demais lembrar que a liberdade de expressão não autoriza a mentira.

 

Ao preferir o caminho do enfrentamento,

Bolsonaro afasta o apoio de seus eleitores

 

Ao preferir o caminho do enfrentamento ao do diálogo, com insinuações grosseiras, o presidente afasta o apoio de grande parte da sociedade – incluindo a parcela majoritária de seus eleitores em 2018 – e acaba por desestabilizar o próprio governo. Compromete programas e reformas importantes para o país. Fosse sereno e racional, em vez de hostil e passional, isso por si só já seria razão suficiente para mudar a sua conduta. O bom governante conquista aliados, não cria inimigos nem fortalece adversários.

P.S.: As críticas e reprovação não podem ser seletivas, de acordo com a conveniência política. Só quem criticou os termos chulos, as grosserias, as piadas sexistas e homofóbicas, a embriaguez vulgar e até as bananas (pesquisem!) do ex-presidente Lula tem hoje autoridade para criticar o atual presidente ou qualquer outro.

Nilson Mello

Advogado e jornalista.

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