O Rio depois do Pan

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Depois da euforia dos Jogos Pan-americanos, o debate gira em torno do legado que ficou para o Rio. O ponto crucial é a segurança pública, onde mal acabou o evento e novos episódios de violência já voltaram a acontecer, como os ônibus incendiados na Grajaú-Jacarepaguá. E já foi anunciado que a Força Nacional só permanecerá na cidade até o fim do Parapan.
Infelizmente, a realidade é que pouco a pouco o caos estará de volta. Os cidadãos se perguntam qual é o motivo de se implantar todo um aparato somente para a realização dos eventos de repercussão internacional. Foi assim na ECO 92, nos encontros de chefes de Estado e agora no Pan.
Se a integridade de todas as delegações foi prioritariamente preservada, por que a dos cidadãos cariocas tem que ficar a mercê da própria sorte? A verdade é que as autoridades demonstram um despreparo total para governar, sendo notória a falta de respeito com a vida do povo brasileiro.
Exemplos disso não são poucos, como o caos aéreo, com duas tragédias em menos de um ano, já contabilizando mais de 300 mortes, e o abandono da saúde, onde no Souza Aguiar, um dos principais hospitais da rede pública, os chefes de equipe colocaram o cargo à disposição.
Enfim, é um total descaso do poder público em todos os setores. A herança que o Pan deixou para o Rio é o da indignação do povo, que definitivamente não é prioridade para os governantes.
É preciso uma manifestação em massa para que o brasileiro recupere a auto-estima. Que o grito por justiça e dignidade não fique restrito aos familiares das vítimas das tragédias e da violência urbana. É nossa obrigação nos unirmos em busca do respeito e da cidadania há muito tempo roubada pelas nossas próprias autoridades.

Marcos Espínola
Advogado criminalista.

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