O Show de Shakira no Rio de Janeiro

Show de Shakira em Copacabana reúne milhões, impulsiona o turismo e expõe contrastes sociais no Rio. Por Bayard Boiteux

305
Shakira
Shakira (foto reprodução site oficial)

O Rio de Janeiro, mais uma vez, dentro do projeto Todo Mundo no Rio, vai receber a cantora colombiana Shakira, em show gratuito na praia de Copacabana. Serão, segundo estimativas da Prefeitura do Rio, 2,5 milhões de pessoas, ou seja, a transformação da orla em uma espécie de cidade efêmera. Serão também milhões de participantes à distância. Tais fatos mostram um Rio destino global de entretenimento, que demonstra sua capacidade para organizar grandes eventos com empatia e segurança.

São esperados 278 mil turistas nacionais e 32 mil estrangeiros, a maior parte oriunda da América do Sul, que vão movimentar R$ 776 milhões. É uma oportunidade única de transformar Copacabana em um palco de superação de expectativas, no maior palco já montado na região, com 1.500 m² de área, 56 metros de altura, uma passarela de 25 metros avançando para o público e 16 telões de LED espalhados pela praia.

No entanto, há, a priori, uma grande diferença em relação aos shows anteriores de Madonna e Lady Gaga. Shakira demonstra um carinho especial pelo Rio e pelos fãs. Aproxima-se deles, dá entrevistas em português, enaltece a cidade em artigos e agradece por ter a possibilidade de realizar o maior show de sua vida. Fico impressionado com tanta gentileza e respeito. Mostra que, muito mais do que uma artista internacional, se apresenta como um ser humano que vem para um país estrangeiro querendo se aculturar e com respeito por nossa diversidade.

Poucos destinos no mundo têm uma movimentação espontânea tão grande, que reúne a população anfitriã e os que nos visitam. É um abraço com tanto afeto, mas que devemos questionar qual legado permanece efetivamente quando as luzes se apagam. É claro que a ocupação hoteleira de quase 100% em Copacabana, e 80% na cidade como um todo, além do dinheiro novo no comércio, nos restaurantes e os empregos temporários, devem ser considerados. Eu me pergunto até que ponto o entretenimento dos moradores locais deve ser atrelado a grandes eventos pontuais, e não a políticas culturais contínuas. Celebrar também a música latina é um novo fato que nos aproxima dos hispanofalantes, que tanto nos admiram.

Espaço Publicitáriocnseg

O próximo dia 2 de maio, com mais de 10.000 integrantes das forças de segurança presentes e com os táxis tabelados, algo inusitado está para acontecer: é um coro coletivo que festeja a identidade híbrida da cantora, entre o local e o internacional, com uma presença de palco magnética. Mais do que um show, é celebração…

Infelizmente, a morte de um trabalhador, Gabriel de Jesus Firmino, no dia 26 de abril, durante a montagem do palco, que ficou preso em um sistema de elevação, sofrendo esmagamento das pernas, mostra os bastidores de um trabalho intenso, técnico e arriscado. A engrenagem voltou a trabalhar rapidamente e talvez nenhuma homenagem seja prestada no dia do megaevento.

Como profissional de turismo e um dos responsáveis pelos Embaixadores de Turismo do RJ, torço pelo sucesso e êxito do show. Estou, no entanto, ciente do palco de desigualdades do Rio, que merece sempre reflexões e lutas constantes.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg