O socorro que não chega

Por Aldo Gonçalves.

Opinião / 16:07 - 5 de ago de 2020

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Às vésperas do Dia dos Pais, mais uma data importante para o comércio, a situação é desanimadora. Diante das incertezas geradas pela pandemia de Covid-19, as expectativas em relação ao movimento de vendas que a data pode alavancar seguem pessimistas, apesar do empenho do comércio em oferecer toda sorte de promoções, descontos e facilidades, além da necessária segurança sanitária para que o consumidor vá às compras. E os motivos de tamanho pessimismo são óbvios.

Enquanto não surge a vacina, os casos de contágio e de óbitos, infelizmente, não param de crescer, causando medo e dor a milhares de famílias. No rastro da doença nefasta vêm os estragos causados à economia, com empresas quebrando, e o índice de desemprego aumentando. Nesse cenário desolador, a retração do consumo segue como principal tendência. Mesmo o incremento das vendas pela internet não tem sido minimamente suficiente para alterar este quadro.

Grandes redes ou empresas ainda têm mais condições de enfrentar as dificuldades causadas pela pandemia. Mas as empresas de menor porte, principalmente as micro e pequenas, estão cada vez mais acuadas, equilibrando-se no fio da navalha para pagarem suas despesas, não demitirem seus funcionários e manterem-se de portas abertas, enquanto buscam por um socorro que não chega.

As micro e pequenas empresas (MPEs) exercem um papel fundamental para as economias locais e regionais. Contudo, se os números já eram desanimadores antes da pandemia, agora só pioram. O estudo “Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo”, divulgado no fim do ano passado pelo IBGE, mostrou que, pelo quarto ano seguido, no Brasil mais empresas tinham fechado do que sido abertas. Já pesquisas feitas pelo Sebrae Nacional registram que, em média, 24% das empresas fecham as portas com menos de dois anos de existência. Esse percentual chega a 50% em menos de quatro anos. Por vários motivos.

No Rio de Janeiro, os obstáculos enfrentados pelas MPEs devem ser somados à prolongada crise política e financeira que tanto estado como capital atravessam, que afugentou investimentos e ceifou milhares de empregos; à escalada da violência; à desordem pública; e, claro, ao caos provocado pela pandemia.

Depois de quase 100 dias de portas fechadas, o comércio do Rio ainda não enxerga luz no fim do túnel. As distintas esferas do poder público não se entendem e atuam de forma descoordenada, sem considerar as demandas e necessidades do setor. E os bancos retêm os recursos disponibilizados pelo Governo Federal, criando inúmeras dificuldades – excesso de exigências e garantias – para que as empresas tenham acesso às linhas de crédito.

Ou seja, enquanto esses impasses permanecem, o comércio definha. O crédito não chega à ponta, não beneficia aqueles que mais precisam, aqueles que dependem desses recursos para garantir a sobrevivência de seus empreendimentos e evitar, assim, mais perdas econômicas, a começar pelo desemprego.

O SindilojasRio e o CDLRio têm alertado para este problema e atuado incessantemente para sensibilizar tanto o governo como os agentes financeiros para a urgência de se encontrar uma solução que viabilize o acesso ao crédito, em especial para as micro, pequenas e médias empresas. Disso depende não apenas a recuperação do comércio, mas a recuperação econômica do Rio de Janeiro. Apoiar o comércio é gerar empregos e renda, é fortalecer a economia. Não há mais o que esperar!

Aldo Gonçalves

Presidente do SindilojasRio e do CDLRio.

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