O substituto da Heloísa

A eleição da senadora Ana Júlia (PT-PA) para o governo do Pará garantiu ao PSOL a manutenção de uma vaga no Senado, condição que perderia com o fim do mandato senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), candidata do partido à Presidência da República. O suplente da governadora eleita do Pará é José Nery, do PSOL, na época da eleição de 2002 no PT. Com isso, em vez das 12 cadeiras atuais que detém no Senado, o PT vai encolher para dez, no próximo ano, já que o senador Roberto Saturnino (PT-RJ) não concorreu à reeleição do mandato que se encerra em dezembro.

O terceiro turno
Eleição em que a pasteurização ditada por marqueteiros substitui o debate político é isso aí. Poucas horas depois de o Brasil conhecer o vencedor da eleição, se abre a verdadeira discussão sobre o futuro programa do governo do eleito; dessa vez, porém, restrita a reduzido grupo de plutocratas, reverberados por seus áulicos na mídia. Para distrair o distinto público sobre as questões essenciais em jogo, essa mesma mídia gasta tinta, tempo e paciência alheia especulando sobre os desdobramentos do imbróglio do dossiê, apelidando esse jogo político de terceiro turno.
Enquanto a punição de usuários de dinheiro de origem não-confessável seja questão de princípios republicanos, o verdadeiro terceiro turno já está em curso. Tem como antagonistas os defensores de uma política econômica que, no debate eleitoral, não teve porta-voz nem entre seu atual praticante nem muito menos no adversário, apoiador ainda mais fervoroso de tais fundamentos, e os cerca de 60 milhões de brasileiros crédulos de que, depois de quatro anos praticando políticas recessivas, Lula dedicaria o segundo mandato a fazer o oposto.
Como boa parte do eleitorado, principalmente no segundo turno, foi fortemente influenciada pela reativação da memória do Governo FH, principalmente, em suas faces mais impopulares, como as privatizações e os cortes de gastos públicos não-financeiros, a adesão do novo governo à política que garantiu ser característica do DNA tucano já nos primeiros momentos do novo mandato representará o maior estelionato da história contemporânea nacional.
Um dos principais escudeiros de Lula, o ex-presidente José Sarney poderá contar-lhe sobre o que representou para sua biografia a decretação do Cruzado II, apenas poucos dias depois das eleições de 1986 em que o PMDB elegeu 22 dos então 23 governadores. A exemplo de Lula hoje, Sarney optou por fiar-se em tecnocratas financistas. Quase sem exceção, todos esses advirsers viraram professores-banqueiros, enquanto o ex-presidente até hoje amarga exílio de 20 anos no aprazível e longínquo Amapá.

Acesso democrático
O efetivo acesso à Internet por toda a população é o tema do seminário “Internet para Todos – uma estratégia focada nos municípios”, que a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados promoverá no próximo dia 7. Os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que já arrecadou mais de R$ 4 bilhões desde 2001, congelados para engordar o superávit primário, “terão uma nobre utilização se empregados na implantação de uma Internet para todos”, segundo a deputada Luiza Erundina, idealizadora do evento.

Sombra
Em seu Ex-Blog, o prefeito do Rio, Cesar Maia, anunciou a criação do Shadow Cabinet – assim mesmo, na língua da Inglaterra, pátria dos “ministérios na sombra”. Serão 11 “pastas” que a oposição pefelista pretende entregar aos “quadros mais destacados do ponto de vista técnico, em cada tema”. Alguns, já convidados, preferem ficar “na sombra”, ou seja, farão comentários anônimos sobre as ações do Governo Lula.

Fatura
O Senai tem legitimidade para propor ação de cobrança da contribuição adicional de aprimoramento profissional devida pelas empresas com mais de 500 empregados. O entendimento é da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao negar, por unanimidade, provimento ao recurso das Indústrias Reunidas Caneco S/A, informa a Veritae.

Fico
Más notícias para os que adoram falar no “esvaziamento do Rio de Janeiro”. O Tim Festival anunciou que manterá sua base no estado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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