A instabilidade econômica européia, com cenários incertos sobre a permanência da Grécia na Zona do Euro, introduziu preocupações de quanto o Brasil crescerá em 2012. A divulgação do boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir de opiniões colhidas no mercado, reforçou tais preocupações, já que as estimativas de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) foram revistas para abaixo de 3%. No ano que vem, as estimativas do boletim mantiveram-se em torno de 4,5%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que o Governo Federal agora busca um crescimento entre 3,5% e 4%, acima do que as chamadas “fontes do mercado” imaginam. É evidente que o cenário internacional está influenciando negativamente o desempenho da economia mundial e, a prevalecer tal situação, o Brasil corre o risco de ser afetado mais fortemente. Afinal, por hora, tem prevalecido a posição da Alemanha, baseada em um receiturário recessivo e que provoca profundo cismas sociais e políticos com reflexos em todo o globo.
Assim, nossa torcida inicial é para que não se concretize a hipótese de saída da Grécia da Zona do Euro, que certamente nos levaria a reduzir ainda mais a expectativa de crescimento, além de tomar uma série de outras medidas para enfrentar a instabilidade internacional. O governo já mostrou que está atento e preparado para um agravamento da situação externa, com inúmeras medidas de estímulo da economia nacional, com destaque para o setor produtivo —a mais recente é uma possível unificação do PIS e da Cofins.
Enquanto não há clareza do que acontecerá na Europa, o governo tem revelado um olhar para além desses problemas conjunturais. Assim, trata de questões estruturais que têm a condição de nos colocar em outro patamar de desenvolvimento, com aproveitamento dos avanços que o país experimentou nos últimos anos, como a Educação e a necessidade de investirmos em inovação, ampliarmos a infra-estrutura e pavimentar os caminhos para ampliar nossa competitividade.
Nesse sentido, a trajetória de queda dos juros revela-se ainda mais importante, pois estimula o setor industrial e o consumo interno, mantendo nossa economia em crescimento e gerando empregos. Ou seja, os cortes na Selic ganham importância ainda maior como fator de ampliação da capacidade de investimento público, que está aquém do necessário.
Mas temos que incrementar nosso arsenal de ampliação da produtividade e competitividade, cujo foco primeiro se dá em tecnologia e inovação, além da redução do custo da produção – e, aqui, crucial reformar nosso sistema tributário. Não podemos esquecer que as medidas de aumento da produtividade demoram alguns anos para surtirem efeito, logo, é preciso agir imediatamente.
Felizmente, o país está avançando nesse campo, seja incorporando tecnologia, seja investindo em Ciência e Tecnologia, em Educação e infra-estrutura. E a redução dos custos financeiros permanece sendo a principal questão do país. A situação econômica mundial não está fácil e se não criarmos condições para ampliar o investimento e, consequentemente, o crescimento, atrasaremos em uma década nosso salto de desenvolvimento.
José Dirceu
Advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT.















