O tempo passa

Em novembro de 2002, matéria de capa da IstoÉ Dinheiro exaltava a 14a colocação obtida pelo Banco Santos no ranking dos melhores bancos da América Latina, à frente de instituições com Bradesco e Safra. Dois anos depois, o Banco Central interveio no Santos, que teve a falência decretada um ano depois. A IstoÉ não embarcou nessa sozinha: o ranking fora elaborado pela revista AméricaEconomia.

Encruzilhada tucana
Comete grave erro político o tucano José Serra ao agarrar-se à tentativa de quebra de sigilo fiscal de tucanos como última cartada para evitar o segundo turno contra a petista Dilma Housseff. Ao optar por uma campanha monotemática em torno de assunto irrelevante para a esmagadora maioria do eleitorado, ainda que replicada pela imprensa alinhada, o tucano corre o risco de mais despertar a curiosidade dos brasileiros sobre as declarações dos alvos de investigações clandestinas do que em sensibilizar a compaixão dos eleitores pelo personagem do pai zeloso.
Ao imaginar que repetirá o feito de Geraldo Alckmin, que conseguiu ir ao segundo turno, em 2006, pouco depois da divulgação de que o PT preparava dossiê contra Serra, então candidato ao governo estadual de São Paulo, o PSDB hipervaloriza um episódio isolado. Esquece-se que, à época, o presidente Lula, no bojo de uma campanha despolitizada e desmobilizadora, passou para a população a imagem de arrogância ao recusar-se a participar do último debate do primeiro turno na TV Globo.
No segundo turno, a votação recebida pela então senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) no primeiro turno, em particular no Rio de Janeiro, onde amealhou 17% dos votos válidos, empurrou a campanha de Lula para a esquerda. Esse movimento foi marcado por ataques às privatizações tucanas, empurrando Alckmin para o desconfortável papel de defender o indefensável, o que resultou na humilhante situação de ter menos votos no segundo do que no primeiro turno.
Depois de duas eleições após deixarem a Presidência da República, restam aos tucanos duas alternativas: defenderem abertamente o impopular legado de FH e seu aprofundamento ou, numa autocrítica profunda, incorporarem-se ao debate por um projeto de desenvolvimento nacional. Fora disso, o que sobra são simulacros, tenham a forma de adesivos de Petrobras e Banco do Brasil no terno de Alckmin, ou de imagens de Lula no horário eleitoral de Serra, enquanto este mantém FH na clandestinidade.  

Marcha cívica
No dia em que o Brasil completa mais um aniversário da sua independência política, os recorrentes e hidrófobos ataques à Petrobras – principal empresa do país – reafirmam que a luta pela independência plena demanda uma ampla e permanente mobilização dos brasileiros em torno dos interesses nacionais. Necessidade que ganha relevância quando o país enfrenta mais uma campanha eleitoral marcada pela pasteurização servida por marqueteiros a políticos com forte déficit de idéias estratégicas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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