O tempo passa

A falência do neoliberalismo provoca atitudes impensáveis até dois meses atrás, como a dos senadores tucanos Arthur Virgílio e Tasso Jeiressati defendendo a utilização dos bancos oficiais – aqueles que eles gostariam de ter privatizado na era FH – para democratizar o crédito para pequenas empresas. Resta agora aprofundar a autocrítica e parar de criticar a Petrobras – que os tucanos tentaram transformar em Petrobrax – por se recusar a pagar juros de agiotagem e buscar recursos para seu capital de giro no BB e na Caixa.

Melhor de três
No melhor desempenho para um mês de outubro dos últimos três anos, as vendas do comércio varejista da Cidade do Rio de Janeiro registraram aumento de 3,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com a pesquisa Termômetro de Vendas divulgada mensalmente pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio). No acumulado dos dez meses, houve um aumento de 4,5%.
O comércio varejista especializado nos segmentos de calçados, confecções e moda infantil, tecidos, eletrodomésticos, brinquedos e óticos puxaram as vendas. O presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, disse que o resultado favorável de outubro começou a se desenhar um mês antes, com o aumento das quitações de dívidas, reabilitando os consumidores para novas compras.

Em dia
A pesquisa mostra também que o Serviço de Proteção ao Crédito registrou em outubro um aumento de 13,5% nas consultas (que indica o movimento de compras no comércio), 1,7% na inadimplência e 10,9% nas dívidas quitadas (que mostra o número de consumidores que colocaram suas dívidas em dia), em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro/outubro desse ano em comparação ao mesmo período de 2007, as consultas aumentaram 11,9%, a inadimplência 2,1% e as dívidas quitadas 9,7%.

Açúcar e álcool
“Impactos Econômicos e Tecnológicos da Indústria Sucroalcoleira no Brasil” é o seminário que será realizado pelo Instituto de Economia da UFRJ, em parceria com o Grupo de Pesquisas de Sistemas Agroindustriais de Inovação e Competitividade e o Infosucro, nesta sexta-feira. O evento começa às 9h30, no Salão Moniz Aragão (Av. Pasteur, 250, Praia Vermelha – Urca – RJ). A entrada é gratuita.

Próximo passo
Apesar das ironias com que o tema foi tratado pelos fanáticos do fiscalismo, o presidente Lula caminha na linha correta ao recomendar à população para, sem elevar seu nível de endividamento, manter seu nível de consumo. A orientação, porém, esbarra em contradição irônica: o que é virtude pessoal – o hábito de poupar – pode virar um vício econômico, se adotada coletivamente. Ou seja, se todos resolverem não gastar, a economia trava e a crise se agrava; no entanto, por temerem o próprio futuro, muitos preferem adotar comportamento defensivo.
Por isso, além de repetir a defesa da manutenção do consumo das famílias, Lula precisa dar o passo seguinte: elevar os gastos públicos, que, diferentemente dos individuais, não enfrentam constrangimentos como a inelasticidade da renda, e baixar fortemente os juros, para não fazer do aumento da oferta de crédito mera ficção.

“Spend”
A propósito, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, também recomendou aos estadunidenses para que mantenham seu nível de consumo. Dessa vez, sem ironias da imprensa tupiniquim. Como as condições da economia daquele país são muito mais desfavoráveis e a população local tem níveis de endividamento muito mais elevados do que os brasileiros, conclui-se que, em inglês, pode. Aliás, parece que pode tudo.

Câncer
O médico Drauzio Varella participa, neste sábado, de seminário em celebração ao Dia Nacional do Câncer, comemorado nesta quinta-feira. “Perspectivas do Desenvolvimento da Oncologia nas Próximas Décadas” reúne especialistas do Brasil e do exterior de diversos segmentos da área de saúde, no Hotel Sofitel (Av. Atlantica, 4240 , Copacabana), das 8h30 às 18h.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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