O Touro de Wall Street

Por Edoardo Pacelli.

A escultura novaiorquina do Charging Bull, o touro de Wall Street, é bem conhecida: muitos são os turistas que “vagam” pelo distrito financeiro em busca dessa figura para tirar fotos e tocar no touro, porque, dizem, traz boa sorte. Mas poucas pessoas conhecem a incrível história por trás disso, uma história que quase parece um conto de fadas de Natal e estrelada por um escultor italiano.

Tente imaginar os rostos surpresos dos corretores de Wall Street quando, na manhã de 16 de dezembro de 1989, foram ao prédio da Bolsa de Valores e encontraram em frente à entrada, sob a árvore de Natal, uma escultura em bronze, representando um touro de mais de 3 toneladas e quase 5 metros de comprimento, que ninguém havia encomendado. E o mais engraçado é que, enquanto todos estavam tentando apurar quem seria o responsável pelo que foi, inicialmente, considerado uma piada, o autor estava, felizmente, perto da obra, distribuindo folhetos promocionais da sua atividade artística.

Este presente inesperado foi obra do escultor italiano Arturo di Modica, que, após o colapso da Bolsa de Valores de 1987, decidiu realizar a estátua gastando a não tão modesta soma de US$ 360 mil do seu próprio bolso para dar força e esperança às pessoas afetadas pelo desastre financeiro.

A figura de um touro, em posição de ataque, não foi escolhida ao acaso: esse animal, na Bolsa de Valores, é considerado um símbolo da alta, ao contrário do urso, que denota uma queda.

Na noite de 15 de dezembro, Arturo di Modica, ajudado por alguns amigos, colocou a escultura em frente ao prédio da Bolsa, sem ser visto pela polícia, mas ele não sabia que, daquele momento em diante, para ele e para a sua “criatura”, tudo teria mudado.

De repente, o artista originário de Vittoria, uma pequena cidade siciliana, que frequentou a Academia de Belas Artes de Florença e depois, aos 32 anos, mudou-se para Nova York para abrir seu próprio estúdio, tornou-se famoso, atraindo a atenção de jornalistas e da mídia de todo o mundo, que competia para entrevistá-lo.

Mas seu gesto também lhe deu alguns quebra-cabeças: os executivos da Bolsa de Valores não ficaram nada felizes com a estátua e ordenaram que fosse removida. Porém, o sucesso retumbante da peça levou o Departamento de Parques e Recreação da cidade de Nova York a optar pela transferência do Charging Bull próximo ao parque Bowling Green, no início da Broadway Street.

É, portanto, uma história com final feliz para Arturo di Modica e para o seu touro, que, desde então, se tornou uma das principais atrações de Nova York e um símbolo do capitalismo, mas não só: a escultura representava, também, uma forma de celebrar a América, uma terra cheia de oportunidades, onde até quem tinha começado de baixo pode aspirar a ser um homem de sucesso, com pouco empenho e muito espírito de iniciativa. Um pouco da história de Arturo di Modica, cujas obras estão agora expostas em todo o mundo.

Atualmente, o Charging Bull é uma das atrações mais fotografadas em Nova York, quase no mesmo nível da Estátua da Liberdade, tanto que, muitas vezes, é necessário fazer fila para fotografá-lo. Muitos turistas também procuram tocar os testículos, os chifres e o nariz do touro como auspício de boa sorte, enquanto as crianças gostam de montar nas suas costas. Portanto, não perca essa atração se você estiver passeando pelo Distrito Financeiro de Nova York.

 

Edoardo Pacelli é jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália) e editor da revista Italiamiga.

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