O Uber e a disrupção da máquina a vapor

O protesto que motoristas do Uber realizaram em São Paulo e outras capitais nesta segunda-feira teve pouca adesão física – apenas cerca de 20 motoristas se reuniram no Pacaembu – mas um forte apoio virtual. Muitos usuários do sistema reclamaram da demora em conseguir um carro, que em alguns locais ultrapassou os 30 minutos (o normal é de cinco minutos). As reclamações levantam uma discussão sobre o aplicativo, cujos defensores dizem ser o reflexo da modernidade e de uma “inovação disruptiva” (Clayton Christensen, o professor de Harvard que popularizou o termo, não enquadra o Uber nesta categoria de empresas).

Os trabalhadores mostram que o sistema é tão moderno quanto a máquina a vapor, no sentido que remonta ao início da Revolução Industrial, quando o homem perde o controle sobre os bens de produção e passa a vender sua força de trabalho aos capitalistas. O que, na prática, acontece com o Uber, que leva de 20% a 25% do valor de cada corrida que é feita pelos motoristas. Com um agravante: não precisa nem ao menos investir para comprar os bens de produção – os carros, que são dos trabalhadores, que arcam com a compra e manutenção.

No sistema de táxis, o motorista trabalha por conta própria ou se associa a outros em cooperativas. O Uber significou um passo atrás na exploração do trabalho pelo capital. Não há nenhuma relação trabalhista – a empresa paga os motoristas com depósitos em conta bancária, e não se sabe se há algum desconto previdenciário ou de Imposto de Renda – e o controle do número de filiados ao aplicativo é exclusivo do Uber. Foi o alto número de motoristas cadastrados, que diminuiu o rendimento médio, que levou ao protesto desta segunda.

Direito

Entidades do setor de TI e TIC (Abes, Assespro Nacional e Brasscom) divulgaram manifesto sobre a “grave crise política e econômica que se abate sobre o país” e declararam “respeito incondicional ao Estado Democrático de Direito, compromisso com a ética e confiança no Brasil”.

As associações defendem que “as lideranças políticas nacionais busquem, incessantemente, soluções que permitam a superação dos impasses, sempre circunscritas à ordem constitucional e seus desdobres no âmbito do direito. Se faz, também, mister perseverar na investigação e persecução penal de todos os que incorreram em condutas delituosas causando danos ao Estado, nos limites legais pertinentes. Urge, porém, fazê-lo com celeridade, para que alcancemos um patamar de estabilidade que possibilite um mínimo de governabilidade”.

Boletos fantasmas

A nova determinação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre os boletos bancários, que passarão a ser cobrados por emissão, e não por compensação, acarretará um aumento de custo de R$ 50 milhões por mês, totalizando R$ 600 milhões por ano, somente entre os associados do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

O maior impacto deve ocorrer no comércio eletrônico. Atualmente, cada empresa paga por boleto compensado, e não emitido (registrado). A média de cancelamento dos boletos é de 40%.

Fim de semana sem gol

A inovação jornalística inaugurada semana passada pelo Jornal Nacional – que não citou qualquer nome da lista da Odebrecht pois não teria tempo de mencionar os mais de 300 envolvidos, nem ouvir um a um – foi seguida pelo Fantástico no domingo, que deu a mesma desculpa para não falar em qualquer nome dos mais de 500 que constam em uma segunda lista, de uma ex-funcionária da mesma empreiteira.

Esta coluna, para auxiliar a Globo em prática tão nova, alerta para os jornais da emissora se absterem de mostrar os gols feitos em partidas de futebol Brasil afora. Afinal, com campeonatos em 26 estados, mais o Distrito Federal, pode-se estimar que, só na primeira divisão, são marcados pelo menos 270 gols por fim de semana. Como mostrar alguns e omitir outros não se enquadra nos novos critérios da emissora, acabe-se com os privilégios e divulgue-se apenas que foram feitos gols – sem dar os resultados das partidas, pois não haveria tempo.

Rápidas

O Ministério das Cidades, em parceria com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) e apoio da embaixada britânica, realizará nesta quarta-feira o seminário internacional Desafios e Oportunidades para a Adaptação às Mudanças Climáticas da Mobilidade Urbana. A programação pode ser vista em http://itdpbrasil.org.br/seminariodeadaptacao *** A advogada Ana Tereza Basilio fala nesta quarta-feira, às 10h, sobre “O novo CPC e os meios alternativos de solução de conflitos” na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj) *** Organizado pela Receita Federal e pela OAB/RJ, o seminário Desafios do Ciclo Olímpico Rio 2016: Aspectos Fiscais, Aduaneiros e Logísticos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos também será realizado nesta quarta. O evento será gratuito, mas os interessados podem se inscrever previamente pelo email cdad@oabrj.org.br. Mais informações pelo telefone (21) 2272-2053.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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