"O único progresso verdadeiro é o progresso moral. O resto é simplesmente ter

Empresa Cidadã / 12:18 - 2 de mai de 2001

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

mais ou menos bens" (José Saramago) Existe uma relação muito próxima entre o estágio de desenvolvimento econômico e institucional alcançado pelos países e o respeito pelo meio ambiente. Algumas luzes sobre este assunto ajudam a responder algumas questões. Como esta relação pode ser medida, quem vem primeiro - o respeito ambiental ou o desenvolvimento - e qual o papel da empresa-cidadã na melhoria deste cenário? A dificuldade de se obter informações qualificadas sobre os aspectos ambientais em todo o mundo é conhecida. No início deste ano, uma contribuição importante foi oferecida pela equipe do professor Dan Esty, da Universidade de Yale. Consiste na criação do Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA). O ISA resume o efeito de 67 variáveis, na forma de 22 indicadores básicos de mesmo peso, concentrados em cinco grandes áreas. A equipe hierarquizou 122 países, entre os quais o Brasil, segundo o critério de sustentabilidade. Na melhor situação está a Finlândia e na pior está o Haiti. Dos 122, o Brasil ficou em 28o lugar, atrás de países como Suécia (4o), Austrália (7o), EUA (11o), França (13o), Alemanha (15o), Reino Unido (16o), Japão (22o) e Costa Rica (26o). Piores do que a classificação obtida pelo Brasil, foram as alcançadas pela Rússia (33a), Itália (37a), México (73a), Índia (93a), Coréia do Sul (94a) e China (108a). Os diferentes países foram classificados considerando variáveis que vão da emissão de determinadas substâncias químicas no ar até a corrupção. Sobre esta, triste presença que teima em permanecer no noticiário brasileiro, a equipe do professor Esty chegou a curiosa conclusão. Trata-se da variável de maior correlação com a qualidade ambiental, maior até do que o nível de renda. Medida pela ONG Transparência Internacional, a corrupção influencia o direito à propriedade e o estado de direito, amortecedores que condicionam a repercussão do modo como os indivíduos, pessoas e empresas, estabelecem ao se relacionar com os recursos naturais. As cinco grandes áreas temáticas do ISA são sistemas ambientais, grau de melhoria ou degradação da biodiversidade e de outros parâmetros de qualidade, stress ambiental, importância do impacto do ser humano sobre os sistemas ambientais, vulnerabilidade humana, medida das conseqüências sobre as necessidades humanas básicas derivadas de mudanças verificadas no ambiente, capacidade social e ambiental, infra-estrutura institucional dimensionada para lidar com as tarefas ambientais e co-responsabilidade global, engajamento do país em questões planetárias, como o aquecimento global e os danos à camada de ozônio. A comparação entre países revela que há correlações mais fortes para a qualidade ambiental do que o tamanho do PIB. Países em estágios de crescimento semelhantes revelam discrepâncias acentuadas e países menores, pelo mesmo critério, estão melhor situados do que países mais ricos. É o caso da Bélgica (79a), situada bem atrás da Itália (37a), ou de Cuba (35a) bem a frente da Nigéria (117a). Há também dificuldades metodológicas, como a escassez de dados consistentes sobre os quais são tiradas conclusões importantes ou o mesmo peso para indicadores que nos vários países são valorizados de forma distinta pelas pessoas. Nada, no entanto, que não se aperfeiçoe com o tempo. Mais importante é que uma agenda para a empresa-cidadã é proposta com a contribuição da Universidade de Yale. Para ela, recusar a corrupção como um recurso, em qualquer nível, seja no tratamento ético e na visibilidade do exercício da pressão legítima sobre o Legislativo para a aprovação de leis de seu interesse ou na relação com o executivo ou ainda na formação da opinião pública. Além disso, existe a necessidade de conhecer cada vez mais o ciclo de vida dos seus produtos, gerenciando o impacto dele sobre a biodiversidade, sobre os sistemas ambientais, sobre a saúde e o bem estar de colaboradores, consumidores e da comunidade em geral. Não menos importante é contribuir para a melhoria do funcionamento das instituições encarregadas do meio ambiente e para a discussão e posicionamento diante das questões globais, na medida em que muitos desafios ultrapassam as fronteiras dos países. O desafio é enorme mas as empresas administradas chegaram no limiar do novo milênio como uma das poucas instituições criadas pelo homem reconhecidas como bem sucedidas e elas são capazes de enfrentá-los dentro de uma concepção estratégica. QUALIDADE DE EMPRESA-CIDADÃ Os shopping-centers, que no ano 2000 faturaram R$ 23 bilhões, estão impedidos de fazer sorteios para alavancar as suas vendas. À medida em que se aproxima o Dia das Mães, melhor época para o setor depois do Natal, a opção do ABC Plaza, localizado em Santo André (SP), é responsabilidade social. Investiu pesado, R$ 300 mil, em campanha de voluntariado. Pretende com isso cadastrar 2 mil clientes para realização de trabalho voluntário em instituições de apoio aos carentes da região.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor