Obama, o Nobel da Paz, e a necessidade de fechar a agenda da guerra

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Surpresa para todos: o presidente Obama, há poucos meses no poder, ganha o Nobel da Paz. Até Fidel Castro disse ser justa a premiação – o que diminui bastante as chances de alguns críticos perguntarem o que teria ele feito para merecer tal importante prêmio.
Porém, penso que estamos no primeiro estágio. Sim, o prêmio foi concedido, é justo, e agora? Ou seja, a agenda do pobre presidente está lotada de problemas gerados pela crise econômica – e não são poucos.
Além disso, em função de um legado de muitos anos de governo republicano, acaba ele de assinar a compra de mais alguns bilhões de dólares em armamentos – como o moderno F-22 Raptor. A meu ver, uma compra totalmente desnecessária em uma época em que a Guerra Fria já é passado, e que apenas foi assinada para contentar os pedidos dos políticos em cujos estados se localizam as fábricas principais ligadas à aeronave.
Então, até aqui, o presidente Obama assina uma cartilha igual à de seu predecessor, pois uma coisa é uma guerra em andamento, e que demandará uma série de complexas negociações para ser diminuída ou encerrada, e outra coisa bem diversa é comprar novos aviões que em nada podem auxiliar nos combates ora em andamento – até por se tratar de algo inútil contra guerrilheiros.
Depois virá o segundo estágio, no qual Obama terá que mostrar a quê veio, se de fato está à altura do cargo ao qual foi eleito, e merece o Nobel da Paz. Ora, todos sabem que os Estados Unidos estão com milhares de tropas no Iraque e no Afeganistão. Os mais céticos poderiam dizer que são guerras inúteis, pois guerrilheiros não se combatem dessa forma.
Bem, que essa questão fique aos estrategistas militares, afinal de contas, devem saber mais do que nós – pobres mortais. Porém, a questão está de pé: essas tropas – bem como a de tantos países aliados – continuarão por quanto tempo, realizarão quantas e quais missões, consumirão ainda mais quantos bilhões de dólares?
Apenas toco na matéria do Nobel da Paz em função do desenvolvimento econômico do país, que costumou capitanear o crescimento mundial, pois um orçamento na faixa de US$ 400 bilhões ao ano em guerra não pode ser eternamente gasto sem prejudicar investimentos sociais ou produtivos, nem o crescimento econômico de forma geral.
Em outras palavras, vejo que o Nobel da Paz precisa dela muito mais do que qualquer um dos cidadãos não norte-americanos, pois com a guerra o país está sendo rapidamente ultrapassado pela China em inúmeros indicadores econômicos.
Ora, dirão alguns, mas a China ainda não possui massa crítica em conhecimentos nesta ou naquela área… mas a milenar paciência chinesa e os resultados consistentes que tem apresentado em inúmeros setores parecem indicar que se trata de uma questão de tempo – dada a imensa quantidade de técnicos, dos excelentes centros de ensino e pesquisa de que o país dispõe, e de menores investimentos em armamentos.
O mesmo foi dito por inúmeros renomados autores a partir dos anos 80 em relação ao sólido crescimento japonês: pôde se dedicar a crescer, pois não precisou investir em armas.
Assim, se é unânime a disposição de premiar as boas disposições do presidente recém empossado, mais ainda unânime é a vontade mundial de ver os Estados Unidos na direção que seus fundadores sempre procuraram trilhar: de trabalhar para uma verdadeira unidade mundial, de defender a paz diante de ataques de tiranos, e de contribuir para o verdadeiro progresso de seu próprio povo – o que gerou inúmeros produtos e serviços de elevada utilidade em todo o mundo.

Roberto Minadeo
Professor do Programa de Mestrado em Administração da Unieuro.

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