Objetivo único

Escandalizado pela possibilidade de a Saúde receber uma verba extra de R$ 4 bilhões/ano, devido ao mecanismo constitucional que corrige o orçamento do setor pela inflação mais a variação do produto interno bruto (PIB), o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, se soma ao bloco dos que defendem a desvinculação orçamentária dos raros itens a salvo da tesoura da equipe econômica.
Para ser conseqüente, porém, essa corrente deveria voltar suas baterias contra a fixação de um índice para o superávit primário (economia para pagar juros), já em 4,25% do PIB, no oficial e chegando a 5% no paralelo. Afinal, por que o pagamento de juros deve ser o único item com garantia de indexação ao Orçamento? Corporativismo com os ex e futuros patrões da turma das equipes econômicas?

Camaleão
A propósito, a lei que garantiu a correção do orçamento da Saúde pela inflação e sua indexação ao crescimento do PIB foi articulada pelo então ministro da Saúde, José Serra, contando com amplo apoio da bancada da Saúde no Congresso e com a adesão entusiasmada do PT, incluindo o então deputado Paulo Bernardo (PT-PR). Mas, como diria o presidente Lula, isso foi no tempo das bravatas.

Entrave
O excesso de burocracia atrapalha o desenvolvimento das empresas e do país, reclama a Federação das Indústrias do Rio (Firjan). Nesta segunda-feira a entidade promove uma série de seminários com representantes de governo e empresários para discutir as exigências e procedimentos que embaraçam e encarecem o dia-a-dia das companhias, desde abertura e fechamento, passando pelo pagamento de tributos, pela expansão das exportações e pela obtenção de financiamentos, entre outros temas. A série de palestras marca as comemorações do Dia da Indústria, 25 de maio.

Locomotiva
Foi lançado sexta-feira, na Bienal do Livro, o terceiro número da Revista de Economia Fluminense, editada pela Fundação Cide, do Governo do Estado. Em destaque, análise da evolução da economia do estado nas décadas de 80/90 do século passado. No período, o PIB do Rio cresceu acima da média nacional.

Incentivos e pesquisa
Reunir empresários do setor químico para informar sobre os mecanismos de incentivo fiscal disponíveis para pesquisa e desenvolvimento tecnológico é o objetivo do encontro “Inovação tecnológica – incentivos fiscais e subvenção econômica”, que a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina (Abifina) realiza, nesta segunda-feira, às 14h. Será discutido, entre outros assuntos, o projeto de lei enviado ao Congresso Nacional que prevê a concessão de incentivos fiscais às empresas que investirem em inovação tecnológica.

Fórmula
“Boa parte da composição do índice inflacionário vem sendo influenciada por preços administrados, pouquíssimo sensíveis às elevações dos juros. Para fugir da estagflação, é necessário incentivar o crescimento dos investimentos e da oferta, e aperfeiçoar o sistema de metas inflacionárias.” A declaração está no boletim da consultoria BDO Trevisan, do aliado de primeira hora de Lula Antoninho Trevisan.

Combatente
Morreu, ontem, em São Paulo, o jornalista Claudio Campos, secretário-geral do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8). Fundador e diretor do jornal Hora do Povo, Claudio, junto com seu partido, teve destacada participação na luta contra a ditadura militar. Nos últimos anos, porém, o Oito encontrava dificuldades para conciliar a manutenção da retórica revolucionária e nacionalista com sua prática e alianças, como o apoio ao governo Lula e suas políticas que se chocam com a trajetória de Claudio e sua organização. O enterro será neste sábado, às 16h, no cemitério de Congonhas, na Rua Ministro Álvaro de Souza Lima 101. O velório será na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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