Obstáculo

A dependência econômica, que tem no estrangulamento do balanço de pagamentos sua face mais simbólica, continua sendo o principal obstáculo à retomada do crescimento continuado do país. Com a política preferencial pelo déficit na conta de serviços, a balança comercial foi transformada no principal e, praticamente único, meio de reduzir a dependência do país do capital externo para fechar suas contas com o exterior.
Embora a desvalorização do real tenha estancado o crescimento geométrico do déficit comercial, não foi capaz, apenas por si mesma, de provocar a virada nesse item. Em 99, segundo levantamento do Corecon-RJ publicado no último número do Jornal dos Economistas, a receita com exportações completou o terceiro ano seguido de queda. Em 97, o país exportou US$ 53 bilhões; em 98, US$ 51 bilhões e ano passado, US$ 48 bilhões. A participação do Brasil no comércio internacional segue em queda, passando de 1,04%, em 94, para 0,96%, em 98, e 0,88%, em 99.
Essa situação é provocada por duas questões básicas: a estagnação do comércio internacional de bens, que oscilou em torno de US$ 5,4 trilhões nos últimos três anos, e a deterioração nas relações mundiais de troca, com perdas brutais para os países exportadores de bens de menor valor agregado. Entre o quarto trimestre de 99 e o mesmo período de 98, os preços das exportações brasileiras, segundo o Corecon-RJ, desabaram 8%, enquanto os preços das importações subiram 7%.
Queda livre
A situação da balança comercial torna-se mais delicada porque a queda dos preços, como assinala o Corecon-RJ, não atinge apenas os preços das commodities brasileiras. As cotações dos produtos manufaturados do país também sofreram forte perda ano passado: 9%. A única alternativa para evitar um estrangulamento também da balança comercial está em desacelerar a liberalização comercial, promovida unilateralmente pelos neoliberais locais.

Agressão
A diretoria da Associação Nacional de Jornais (ANJ) protestou, emitiu nota oficial,  contra as tentativas de intimidação e agressões que vêm atingindo o jornalista Ricardo Noblat, diretor de Redação do jornal Correio Braziliense. Noblat tem recebido telefonemas anônimos ameaçadores e dois dos seus filhos foram agredidos fisicamente.
“Tais fatos não se coadunam com o regime democrático e caracterizam uma afronta à liberdade de imprensa vigente no país e garantida pela Constituição Federal”, afirma a diretoria da ANJ, que declarou seu repúdio veemente contra acontecimentos dessa natureza e pediu apuração urgente e rigorosa para que os responsáveis sejam apontados e punidos.

Univitelinos
Como esta coluna previu ontem, o senador Jáder Barbalho se transmutou em ACM, com o apoio do PMDB à nomeação de Tereza Grossi para a diretoria de Fiscalização do Banco Central. Formalmente, Jáder apoiou a criação da CPI dos Bancos, na prática, porém, mostrou-se adepto diligente da tática de ACM, de fazer muito ruído apenas para encobrir a total submissão ao Planalto.
Pré-Proer
Em seu depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, Tereza Grossi afirmou que a fiscalização do BC era considerada a terceira melhor da América Latina. Sua meta, anunciou, é transformá-la na primeira. Tendo em vista sua atuação na ajuda aos Bancos Marka e FonteCindam, a turma da banca vai adorar a promoção.

Trabalho escravo
As universidades públicas das regiões Norte e Centro-Oeste pesquisarão as condições sócio-econômicas de regiões onde existe o trabalho escravo, levando assistência médica e jurídica aos trabalhadores. A proposta foi apresentada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), ao Departamento de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e obteve apoio, também, dos ministérios do Trabalho e Público e da Polícia Federal.

Pró-Rio
O presidente da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Rio de Janeiro (Faciarj), Ruy Barreto, se rasgou em elogios ao ex-deputado federal Luiz Alfredo Salomão (PDT), durante seminário sobre reforma tributária promovido pelo MM na sexta-feira passada. Barreto, após salientar que eram de diferentes partidos e ideologias, elegeu Salomão como um dos mais ativos parlamentares do Rio. Para o presidente da Faciarj, se o estado tivesse mais três ou quatro deputados como Luiz Alfredo seria muito mais forte no Congresso. E revelou que a federação planeja realizar uma homenagem ao combativo político.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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